11.11.09

A situação da saúde pública em Piracicaba

A situação da saúde pública em Piracicaba esta sendo o calcanhar de aquiles do prefeito Barjas Negri. O prefeito, que é ex-ministro da saúde, é um prefeito popular na cidade, pois conquistou muitos votos e eleitorado fazendo obras, em especial as relacionadas ao trânsito. Isso parece ser prioridade para a prefeitura, pois enquanto isso não só a saúde vai mal, mas também outros serviços essenciais como a coleta de lixo e transporte público.
A situação do lixo na cidade se arrasta faz alguns anos, pois tem que exporta-lo para Paulínia e com isso se gasta mais dinheiro e também não há uma política séria sobre a reciclagem.
O transporte público é caro, pois a passagem para aquele que tem o cartão TIP (Terminal Integrado de Piracicaba) custa R$ 2,30 e para quem compra a bordo, custa R$ 2,55! É um absurdo, pois não há cobradores nos ônibus e a condição de boa parte da frota é antiga e precária.
Já a saúde não é de hoje que é motivo de reclamação por parte da população piracicabana. Há falta de médicos nos pronto-socorros e esses estão travando uma briga com a prefeitura, pois denunciam as más condições para o exercício da medicina, como por exemplo, alegam que um médico com 12 horas de plantão chega a fazer 120 atendimentos. A prefeitura já acusa os médicos de serem os culpados pela situação por faltarem e o prefeito até ameaçou de colocar na internet o nome dos médicos que faltassem. A culpa é de todos, pois há médicos “folgados” que negligenciam atendimento e enrolam muitos pacientes que esperam horas nas unidades de pronto-atendimento e a prefeitura também é inepta, pois não oferece plano de carreira decente e salários mais compatíveis e a gestão da pasta deixa muito a desejar. Portanto, não é colocando a população contra os médicos que a situação melhorará, pois o poder público também tem uma parte significativa nesse processo. Acho que o prefeito Barjas deveria aproveitar e colocar o nome e horário daqueles que ocupam cargos de confiança não só da pasta da saúde, mas de toda a prefeitura.
A imprensa da cidade cobre discretamente esse embate, mas é estranho que os articulistas e editorialistas façam pouco caso, pois, a maioria nem comenta esses assuntos aqui, pois parecem ter medo. A situação dos serviços públicos poderá mudar quando, pelo menos, todos os políticos forem obrigados a usá-los. Na educação, os filhos destes deveriam ser matriculados somente em escolas públicas e na saúde, só poderiam usar o serviço público. Garanto que o prefeito, seus secretários e funcionários, inclusive os da pasta da saúde, e todos os políticos da cidade não utilizam os pronto-socorros. Quem sabe se eles fossem usuários desse sistema público a situação não seria diferente.
As melhores reportagens que eu vi até agora, por incrível que pareça, foram feitas pela EPTV Campinas sobre a situação da saúde pública piracicabana. A primeira reportagem foi questionadora e pegou de surpresa os funcionários e a prefeitura e na segunda a equipe voltou em dia de semana e constatou a mesma situação do final de semana. Ouviu todos os lados e fez jornalismo mesmo. Assista aos vídeos abaixo, pois são esclarecedores.
Baixe o Adobe Flash Player

Baixe o Adobe Flash Player
Share/Bookmark

30.10.09

Serra pode, Lula não pode!

Faz alguns dias que os meios de comunicação brasileiros estão alardeando sobre a suposta campanha eleitoral antecipada de Lula e Dilma Roussef, devido a visita deles ao Rio São Francisco. Os principais grupos midiáticos do país: Folha, Estado, Globo, Bandeirantes e Abril, são apêndices essenciais dos partidos de direita e oposição ao governo Lula, em especial o PSDB. Ora a oposição pauta a imprensa, mas é mais a imprensa que pauta a oposição, tanto que dá até puxão de orelha neles dizendo como agir contra o governo, como fez a Miriam Leitão recentemente em artigo intitulado "O papel da oposição" no jornal O Globo. A oposição esta “debatendo” freneticamente sobre a visita do presidente ao rio São Francisco, inclusive o senador Agripino Maia (DEM), usa o jornal Estadão para fazer suas críticas. O senador não fez críticas ao projeto, que seria muito mais útil, mas apenas leu o jornal, ou seja, a ideia não era dele, mas sim do Estadão. A imprensa reverbera e alimenta o discurso falso e hipócrita da oposição e todos os dias fica batendo na tecla da campanha antecipada, devido as visitas de Lula e a ministra as obras federais.
Agora não é só a imprensa e oposição batendo forte em cima do governo, mas contam com uma ajuda de peso que é a atuação claramente política do presidente do STF (superior tribunal federal) Gilmar Mendes. Aquele que ficou tão sensibilizado pela prisão do banqueiro Daniel Dantas, que concedeu dois hábeas corpus em menos de 48 horas e iniciou uma campanha frenética contra o uso de algemas em prisões feitas pela PF em criminosos do colarinho branco. O ministro se comporta mais como um membro partidário de oposição do que como ministro da mais alta corte de justiça do país. Ele emite opiniões antecipadas sobre assuntos que eventualmente poderão e serão analisadas pelo STF como esse da suposta campanha eleitoral antecipada de Lula. É um absurdo, mas como ele adora os holofotes da mídia, contribui para aumentar o coro oposicionista ao governo.
O interessante é que a imprensa não diz nada sobre as visitas a obras e inaugurações do outro presidenciável que é o governador de São Paulo, José Serra. Serra pode, Dilma não pode. O governador esta gastando mais em publicidade do que em educação e parece que isso agrada os veículos de comunicação. Serra é governador do estado de são paulo e visita pelo menos uma vez por mês o Nordeste e isso não é campanha eleitoral antecipada, mas o Lula que é presidente do país ir no nordeste, ai sim. Outro dia vi uma reportagem da EPTV Campinas que mostrou José Serra inaugurando um trecho de uma rodovia aqui na região e após isso ele saiu cumprimentando os motoristas dos carros que estavam parados esperando o "comício", quer dizer, inauguração terminar e só faltou entregar “santinhos”. Isso não seria uma campanha política antecipada? É lógico que é, mas isso todos os políticos que estão no poder, seja no âmbito municipal, estadual e federal, fazem durante todo o mandato. A mídia ignora a campanha eleitoral antecipada do Serra, pois é o candidato que querem eleger ano que vem. Aliás, a mídia sempre favoreceu os candidatos tucanos nas eleições presidenciais e por isso blinda o candidato e seu partido de denúncias e crises.
Para finalizar e mostrar como exemplo didático da manipulação da grande imprensa para favorecer José Serra é essa foto tirada durante um protesto do MST contra a privatização da Cesp em abril de 2008.

Na placa de trânsito da foto original estava escrito “Fora Serra”, mas na reportagem da revista IstoÉ a foto foi adulterada e tirada essa frase. Por que será que a revista intencionalmente fez isso? Isso comprova a que grau chega a manipulação da grande imprensa brasileira para favorecer seus candidatos e partidos de preferência. Esse é o engajamento político midiático a que somos expostos todos os dias quando lemos os jornalões e revistas e assistimos aos telejornais.




Share/Bookmark

26.10.09

O partidarismo ideológico do Jornal Nacional

O Jornal Nacional da Rede Globo mostrou mais uma vez seu partidarismo e propaganda ideológica em uma “reporcagem”, a qual era sobre a tentativa de reeleição do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Nesse caso os juízes rejeitaram a decisão da Suprema Corte do país e disseram se tratar de um golpe de estado.

Até aí nada de mais, até que Fátima Bernardes da exemplos de outros presidentes da América Latina que também mudaram a constituição para permitir a reeleição. Os citados foram: Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Álvaro Uribe (Colômbia)e mentem no último exemplo quando citam Manuel Zelaya, dizendo que tentou mudar a constituição para permitir sua reeleição. A verdade é que Zelaya não estava propondo mudar a constituição para permitir sua reeleição, mas sim uma consulta a população se poderia colocar mais uma urna na eleição (a qual não participaria)para saber se o povo era a favor de uma assembléia constituinte. Ainda nos exemplos, diz que Uribe espera aprovação em consulta popular e não diz que os outros presidentes também mudaram a constituição consultando a população antes. Tudo para manipular a notícia para que os três primeiros parecessem ter conseguido a reeleição sem respaldo popular. Portanto, o jornal distorceu totalmente os fatos para fazer sua propaganda ideológica.

É incrível a desfaçatez da Globo em “omitir” que FHC (o príncipe sociólogo da imprensa) também mudou a constituição para permitir sua reeleição. Aliás, manobra essa que contou com compra de votos, sem nenhuma consulta popular e com total apoio da grande imprensa. Tudo para satisfazer o oportunismo político de FHC e tucanos. Será que eles esqueceram da reeleição comprada dos tucanos? Nada disso, é o partidarismo em véspera de ano eleitoral que tentará de tudo para eleger José Serra. A vantagem dos tucanos é que nem precisam gastar muito o caixa-dois com propaganda eleitoral, pois têm os principais veículos de comunicação (Globo, Bandeirantes, Folha, Estadão e Veja)trabalhando incessantemente a favor deles. É a manipulação partidária que é passada pra população diariamente. Para ver a "reporcagem" assista o vídeo abaixo:

OBS 1: A dica da reportagem foi do blog Cloaca News

OBS 2: "reporcagem" é termo utilizado pelo jonalista Antônio Mello autor do Blog do Mello, para se referir as "reportagens" da grande imprensa.


Share/Bookmark

16.10.09

A culpa do Lula e a Classe Média

Venho através desse artigo complementar tardiamente aquele outro artigo que escrevi sobre a classe mé(R)dia, da qual também faço parte. Não conhecia o blog Classe Media Way of Life, o qual escreve dicas de como se comportar como a classe média brasileira. As dicas são perfeitas e se encaixam perfeitamente no perfil da nossa classe média, a qual me incluo. Até agora não parei de dar risada com elas. Destaco a dica sobre a culpa do Lula, pois isso já virou um clichê da imprensa, a qual a classe média acata sem questionamento. Na grande imprensa e no imaginário dos médio-classistas que se dizem “informados”, só existem crises federais. Aqui em São Paulo, por exemplo, denúncias de corrupção sobre o caso Alstom, briga campal entre as polícias, desabamento de obras do metrô e tantas outras que aconteceram por aqui não repercutiram como crises paulistas ou correlacionando-as ao partido que governa o estado. Simplesmente nada, mas acaso o governo do estado fosse petista, ai a história seria outra.
Por enquanto reproduzo aqui 3 dicas primordiais de como uma pessoa de classe-média age:
“Dica 032 – Colocar a culpa no Lula
"Culpa do Lula" é um expediente médio-classista que caracteriza qualquer coisa que possa dar errado no Brasil. É um híbrido de "transferência de responsabilidades" com "senso de posição social", dois conceitos interligados que compõem a filosofia de vida da Classe. Logo, para ingressar neste grupo especial da nossa sociedade, será necessário aprender a vincular o nome do ex-metalúrgico a qualquer evento ou constatação negativa que envolva o Brasil. Afinal, não basta ignorar o presidente. A revista, a tevê, o jornal e tudo aquilo em que você acredita urram para que você o odeie. Obedeça.
Um bom estudo de caso consiste na observação das reações e do posicionamento da Classe Média em relação à disputa para sede das Olimpíadas de 2016.Imagine voltar a alguns dias antes da escolha da cidade sede dos Jogos Olímpicos. Como bom membro da Classe Média, você primeiramente duvidaria, com todas as suas forças, da capacidade do governo brasileiro conseguir uma coisa dessas. Culpa do Lula. Um país tão bagunçado assim nunca será capaz de trazer pra cá um evento tão importante, de gente civilizada, uma coisa tão grandiosa e que nos traria tantos benefícios. Nosso presidente é despreparado e a comunidade internacional não o leva a sério. Culpa do Lula de novo.
Com o passar dos dias, a televisão (sua janela límpida e cristalina para a verdade sobre o mundo) lhe informaria que as chances são reais. E se o Rio vencer, não haverá culpa de nada para imputar no Lula. Isto seria capaz de botar em parafuso a cabeça do cidadão, tal qual um software mal programado com erro de sintaxe - um legítimo fatal error. Felizmente o cérebro humano possui mecanismos que impedem esse tipo de conflito: o médio-classista automaticamente começa a reconsiderar sua opinião sobre os Jogos Olímpicos, uma forma de desfazer esse nó nos neurônios.
O Rio está quase ganhando. A partir desse momento, o cidadão de Classe Média já conjectura se ser sede de Olimpíadas é realmente bom para o Brasil. Afinal, somos um país de terceira, violento, corrupto e pobre. Culpa do Lula. Tomara que o Rio perca. Aí, sai o anúncio: o Rio venceu. Agora, o médio-classista tem certeza de que isso é ruim. Além de ser um desrespeito com o Primeiro Mundo, um evento desse porte tem tudo para ser um fracasso em terras brasileiras. Vão desviar esse dinheiro, que deveria ser investido em educação e saúde (finja que você se importa, não interessa se você é usuário de educação e saúde privadas). E o dinheiro dos seus impostos vai pra mão dos políticos, que vão roubar quase tudo. Culpa do Lula (ignore que ele não será o Presidente em 2016).
Conclusão: para ser da Classe Média, a “Culpa do Lula” precisa ser uma entidade tão sagrada para você, que te faça torcer com ardor e sinceridade para que o Brasil perca essa ou qualquer disputa. Pois só assim você poderá pronunciar "culpa do Lula", em tom de palavras mágicas, sentando em seu sofá quentinho e macio, cercado pelas grades do condomínio, tomando seu café e vestido com seu roupão felpudo. Esta será a sua fórmula para dormir tranquilo depois do Fantástico.”
“Dica 006 – Ler a Revista Veja
Se você quer ser da Classe Média, Veja é leitura obrigatória. Não é uma revista qualquer, é uma espécie de "manual de conduta". Na verdade, esta revista facilitará muito a sua vida, porque ela serve como guia para você pautar suas opiniões.
Na verdade, a parte das "suas opiniões" será muito facilitada, porque você não precisará elaborá-las. Tudo o que você precisa pensar sobre qualquer coisa e qualquer pessoa, principalmente na área da política, estará detalhado nas páginas da revista.
Destaque para o time de colunistas, como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, que você não deve hesitar em ter como gurus. Em qualquer roda de amigos médio-classistas, basta citar alguma opinião desses dois para dar início a um animado debate-de-comadres, daqueles em que todos concordam entre si, mesmo que indignados com os fatos da vida neste país onde vocês odeiam viver.”
“Dica 011 – Ser contra o Bolsa-Família
Um dos grandes absurdos deste país, para a Classe Média, é essa história de o Governo Federal ajudar pobre. Você, aspirante a médio-classista, precisa aprender a se revoltar contra isso.
Para os integrantes da classe, está sendo cometida uma grande inustiça. Por que, afinal, só alguns podem receber benefícios, enquanto ninguém ajuda quem quer pagar a prestação do carro, o colégio das crianças e as aulas de tênis? Só um país injusto como o Brasil, com o presidente que tem, seria capaz de algo assim.
Logo, o indicado é você pensar que o Lula está querendo ajudar a turminha dele (os pobres do País) e excluindo você das benesses do Estado. Então, reclame que em tudo o que acontece no Brasil, quem paga é a Classe Média. Porque os pobres são assim porque são preguiçosos. Não gostam de trabalhar. E recebendo R$80 todo mês do Governo, aí que não vão trabalhar mesmo! Eles que aprendam com você, trabalhador incansável, se um dia quiserem ter um carro zero igual ao seu!
Depois de aprender a se indignar, passe a defender, entre rodadas de uísque com os amigos, ou nas comunidades de gente "selecionada" na internet, coisas como a criação da Bolsa-Classe-Média, para garantir que o absurdo que você paga de imposto volte pra você, na forma de aulas de balé para a filha, equitação para o filho e um auxílio-guarda-roupa para sua digníssima esposa. Afinal, você já trabalha demais. E esses pobres que cortem mais cana!”

Obs: Agradeço ao Murillo pelo toque do blog!
Share/Bookmark

6.8.09

Os Novos Consensos da Imprensa Brasileira

O comportamento da imprensa brasileira em relação à assuntos de política internacional sempre foi pautada pela visão norte-americana de enxergar o mundo. Até hoje, nós sabemos muito mais do que acontece internamente nos EUA do que nos países vizinhos da América do Sul. Vale sempre lembrar que a mídia apoiou o golpe de 64 e até ajudou a transportar presos políticos para os centros de tortura, como é o caso da Folha de S. Paulo que disponibilizava suas peruas da Folha da Tarde (como era chamada na época) para isso. O período da guerra fria ajudou os grandes grupos de comunicação a literalmente fabricar consensos em torno do “perigo vermelho” ou “comunista”. Todas as ações brutais de ditaduras latino-americanas e intervenções militaristas dos EUA em países da América Central eram “justificadas” pelo medo do comunismo. O muro de Berlim caiu, mas alguns até hoje crêem em uma armação das esquerdas que estão tomando o poder através dos processos eleitorais para implantar de vez o comunismo no mundo. A imprensa brasileira seguiu e segue os ditames e formulações do departamento de defesa dos EUA para classificar “bons” e “maus” governos. Se George W. Bush disse que o Irã, a Coréia do Norte e o Iraque eram o “Eixo do Mal”, então a mídia repetia isso e pronto, eles são do mal. As outras ditaduras, inclusive árabes, apoiadas até hoje pelos Estados Unidos, tudo bem. Como os EUA não tinham mais o comunismo como inimigo a ser combatido, então veio a guerra as drogas e o terrorismo islâmico e com isso puseram em prática novamente métodos de tortura e invasão de países afora. Por aqui a imprensa prega o medo do “chavismo” ou “neo-populismo”, pois qualquer governo que tenha políticas públicas distributivas objetivando os mais pobres, pronto, já é tachado de populista. Aqui a verborragia de analistas e jornalistas é contra Bolsa-Família e cotas. Por que será que isso incomoda tanto se o dinheiro destinado à bolsa-família, por exemplo, é um pingo no oceano nos gastos do governo? Será que é porque são políticas públicas voltadas para pobres e negros? Mera coincidência, com certeza.
A imprensa brasileira tem como novo Fidel Castro a ser demonizado o presidente venezuelano Hugo Chàvez. Embora tenha perfil autoritário, não é um ditador, mas isso não importa, pois o que importa é jogar essa pecha nele. Aqui no Brasil, as manifestações de estudantes sempre são criticadas e rechaçadas pela imprensa, ainda mais se for contra o candidato deles que é o José Serra. Na Venezuela ou na Bolívia eles são as vítimas, pois lutam pela “democracia”. Qualquer país que se aproxime da Venezuela o faz por motivos “ideológicos” segunda a nossa mídia. Frequentemente a grande imprensa bate forte na política externa do governo dizendo que é guiada por ideologias. Nada a ver, pois quem é ideológico é a imprensa, pois se um país não aceita ter relações diplomáticas e econômicas com a Venezuela, por causa das idéias do seu presidente, isso sim é ser ideológico.
Aliás, Hugo Chávez virou o falso pretexto perfeito para a direita latino-americana ressuscitar o medo do socialismo, agora bolivariano. Com isso estão tentando “justificar” o golpe militar em Honduras e agora recentemente a instalação de bases norte-americanas na Colômbia. Nesse caso, Álvaro Uribe é o presidente predileto e modelo da nossa imprensa, mesmo ele tendo relações muito amistosas com narcotraficantes e paramilitares. A guerra às drogas implantada pelos EUA através de bilhões de dólares destinados principalmente à Colômbia se mostrou ineficaz e falsa, pois tanto a produção quanto o consumo de entorpecente cresceu no mundo. Um exemplo grotesco desse jornalismo engajado ideológicamente daqui foi quando vi Boris Casoy, em mais um de seus comentários reacionários, dizer que a instalação de bases militares dos EUA na Colômbia era justificada devido a “ameaça chavista”. A mídia fica alardeando sobre as compras de armamentos do governo venezuelano, mas se esquece que os países que mais gastam com exército na América Latina são Brasil e Colômbia. Alguns até recuperam os clichês da Guerra Fria dizendo que o perigo é que Chàvez está se aproximando dos russos. Como se vê a paranóia anti-esquerdista ainda esta viva na América Latina, pelo menos nos grandes meios de comunicação.
OBS: Esse artigo foi publicado no site do Observatório da Imprensa nesse endereço:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=550FDS014
Share/Bookmark

4.7.09

Essa é a cara da Elite Brasileira

Se no outro texto uma música descreveu a nossa classe mé(r)dia, agora uma pequena reportagem do repórter Elcio Coronato da MTV News mostra um pouco da cara da elite brasileira. Aquela elite que alguns perguntam quem é, pois acreditam que isso não existe ou que é coisa de "esquerdistas" querendo "dividir a sociedade em classes". Para esses ingênuos eu digo que a sociedade já é dividida há muito tempo, ou melhor, sempre foi. Desde a época da Casa Grande e Senzala, isso continua até hoje.
Confiram, pois é uma imagem que vale por mil palavras:



Vale observar que não há uma única pessoa afro-descendente durante a reportagem toda. Lógico que deve haver algum negro no local, mas deve estar de segurança, garçon ou limpando o banheiro para os "bacanas" que queimam R$ 150,00 e acendem charutos queimando notas de R$ 5,00. É a elite branca e preconceituosa (o que o cara quis dizer com "público bem selecionado"?) e nesse caso é a de São Paulo mostrando a sua cara. Garanto que toda cidade tem a sua elite que segue esse mesmo padrão de comportamento e pensamento.◦
Share/Bookmark

30.6.09

Classe Mé(r)dia

Eu iria escrever sobre a classe média, como ela é ridícula e outras coisas mais. Mas há uma música que a descreve perfeitamente. A música é do compositor e cantor Max Gonzaga e o vídeo da música é esse:



Essa é a letra perfeita sobre a nossa classe mé(r)dia, que adora discursos moralistas, mas é extremamente preconceituosa e corrupta. Ou seja, é a cara do Brasil.
Confiram:

“Classe Média”
“Sou classe média


Papagaio de todo telejornal

Eu acredito

Na imparcialidade da revista semanal

Sou classe média

Compro roupa e gasolina no cartão

Odeio "coletivos"

E vou de carro que comprei a prestação

Só pago impostos

Estou sempre no limite do meu cheque especial

Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual

Mas eu "to nem ai"

Se o traficante é quem manda na favela

Eu não "to nem aqui"

Se morre gente ou tem enchente em Itaquera

Eu quero é que se exploda a periferia toda

Mas fico indignado com estado quando sou incomodado

Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão

O pára-brisa ensaboado

É camelo, biju com bala

E as peripécias do artista malabarista do farol

Mas se o assalto é em moema

O assassinato é no "jardins"

A filha do executivo é estuprada até o fim

Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa

De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal

E eu que sou “bem informado” concordo e faço passeata

Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal

Porque eu não "to nem ai"

Se o traficante é quem manda na favela

Eu não "to nem aqui"

Se morre gente ou tem enchente em itaquera

Eu quero é que se exploda a periferia toda

Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta

Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida”

Depois dessa é como disse Tim Maia: “O Brasil é o único país onde prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúme e traficante é viciado. E pobre é de direita”.
Share/Bookmark

24.5.09

Racismo à Brasileira

Em 1845, Charles Darwin escreveu em seu Journal sobre o convite de um amigo para ir aos Estados Unidos: "Agradeço a Deus nunca mais ter de visitar um país escravagista. Até hoje, quando ouço um grito distante, ele me faz lembrar com dolorosa vivacidade meus sentimentos, quando, passando em frente a uma casa próxima de Pernambuco (na verdade era Recife), eu ouvi os mais penosos gemidos, e não podia suspeitar que pobres escravos estavam sendo torturados. Perto do Rio de Janeiro eu morava em frente à casa de uma velha senhora que mantinha torniquetes de metal para esmagar os dedos de suas escravas. Eu fiquei em uma casa em que um jovem caseiro mulato, diariamente e de hora em hora, era vituperado, espancado e perseguido o suficiente para arrasar com o espírito de qualquer animal. Eu vi um garotinho, de seis ou sete anos, ser castigado três vezes na cabeça com um chicote para cavalo (antes que eu pudesse interferir) por ter-me servido um copo d` água que não estava limpo".
Não vou escrever mais um texto sobre os 200 anos de Charles Darwin e nem sobre os 150 anos da publicação do livro, que revolucionou e abalou o mundo, "Origem das Espécies". Li esse trecho na revista Carta Capital, sobre sua passagem no Brasil e nela ele relata com encanto as maravilhas da fauna e flora do país, mas também revela uma antipatia e nojo do povo brasileiro e um dos motivos é esse descrito. Darwin era abolicionista e por isso tinha tanto ódio de presenciar essas cenas que ele descreveu. Esse relato de Darwin, porém, mostra um pouco da raiz do racismo no Brasil. Um país que passou 300 anos explorando o trabalho escravo e há apenas 121 aboliu essa prática odiosa, carrega uma herança racista, tão presente nos dias de hoje.
Embora muitos achem que o Brasil não é racista, os fatos do dia a dia contradizem essa premissa. O Brasil têm aproximadamente metade da população afro-descendente e é o maior país negro fora do continente africano. Mas onde estão eles?
Vou começar por onde eles não estão ou são raros. Nas propagandas, a presença de afro-descendentes é mínima e cito como exemplo a fachada de um ônibus interurbano que sempre vejo nas ruas. Embaixo do nome da empresa, bem grande, está estampada uma família "feliz" e sorridente e todos são brancos de olhos claros. Parece uma típica família norte-americana. Sempre imagino a reação das pessoas se fosse uma família inteira negra! Nos telejornais e programas televisivos a presença deles é pouca também. Imagine como seria um Big Brother onde a maioria seria negra e colocassem apenas um ou dois brancos como faz a produção do programa só que ao contrário? Em alguns locais de trabalho como bancos e grandes empresas são poucos os funcionários negros e em cargos de chefia é pior ainda. Nas maiores empresas brasileiras, somente 3,5% desses cargos são ocupados por afro-descendentes. Nas passarelas da moda são raros modelos negras e negros e aqui no Brasil sugeriram cotas para eles nos desfiles. Destaco aqui uma frase que resume bem o que realmente pensa aqueles que são contra qualquer tipo de cota: "Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem. Muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas. Tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?" GLÓRIA COELHO estilista, sobre cotas raciais nos desfiles da SP Fashion Week, na Folha. Nos tribunais e na política em geral, os negros são minoria também.Outro lugar onde é difícil de ver afro-descendentes são as escolas particulares e as universidades, principalmente as públicas. É só entrar em qualquer classe de escola particular verá que se tiver um aluno negro já é um milagre. Na faculdade, por exemplo no meu caso, só havia uma aluna afro-descendente na minha sala e na universidade que era particular, em geral, a cena era a mesma. Dentre as públicas a situação é pior, pois na USP os negros não chegam a 2% e é fácil constatar isso. É só dar uma volta aqui na Esalq pra contar quantos estudantes são afro-descendentes. No nível docente o índice é menor ainda, pois não chega a 1%.
As cotas se inserem nesse contexto de injustiça que perdura há anos na universidade brasileira. O pior é que antes ninguém se importava em melhorar o ensino público para que os afro-descendentes tivessem mais chances de ingressar na faculdade, mas agora por causa das cotas, há uma gritaria geral da classe média e alta branca que se sente "injustiçada". Dizem que tem que ser cota por renda, mas um pobre branco infelizmente ainda tem mais chances que um pobre negro. Há os paranóicos que enxergam conspiração em toda iniciativa do governo e dizem que isso é "obra do PT" que quer dividir o país e outras besteiras. Como se só agora as pessoas passariam a discriminar a outra devido a sua cor de pele. Raças, do ponto de vista da evolução, não existem na espécie humana, mas o racismo existe. Mas volto a pergunta que fiz anteriormente: onde eles estão?
Vou responder de acordo com o que eu e todo mundo vê diariamente. Quando entro em bancos, empresas, repartições públicas, consultórios, escolas particulares, universidades, bares, casas noturnas, shopping e clubes vejo os afro-descendentes trabalhando como seguranças, garçons e fazendo o serviço de limpeza geral, assim como descreveu a estilista da frase anteriormente citada. Ai eles são maioria, como também em outros lugares como favelas e presídios. É maioria entre os pobres (cerca de 70%), mortos pela polícia e entre os desempregados. Vêem-se negros bem-sucedidos somente no futebol e na música. Mas parece que isso não é visto por alguns que acham que tudo isso é natural e só é assim por culpa dos próprios afro-descendentes.
O racismo perpetua-se através das brincadeiras e frases que crescemos ouvindo como: "Que serviço de preto" quando algo é malfeito ou "Negro correndo é ladrão, parado é suspeito". Aliás, essa última frase é aplicada inclusive pelas suspeitas dos próprios seguranças que na maioria das vezes tem o mesmo perfil dos "suspeitos". Ou seja, são os negros que perseguem os negros que seus chefes brancos tanto temem. São essas frases e outras piores que já ouvi e continuam circulando por ai. Quem nunca viu quando um afro-descendente sai de uma roda de turma onde todos são brancos e se dizem seu amigo, debocharem e fazerem piadas sobre sua cor? Se este fizer algo errado a frase típica ouvida é: "Tinha que ser preto mesmo". Os xingamentos são vários sendo o mais comum: "macaco". Há aqueles que dizem ainda que os brancos não são racistas, pois "quem tem preconceito são os negros! ". Até hoje os relacionamentos ditos "inter-raciais" são mal vistos por muitas famílias.
Há pessoas que por causa do sobrenome, assim como o meu, gostam de primeiro mostrar sua descendência européia para depois se afirmar como brasileiro. Novelas e reportagens sobre colonos europeus parecem querer mostrar somente uma parte do Brasil.
Ao contrário do que diz o título do livro "Não somos Racistas", do diretor de jornalismo da Globo Ali Kamel, eu afirmo que sim, infelizmente, somos racistas. Toda essa desigualdade não é por acaso e temos em nosso país uma espécie única de racismo como um prato típico daqui: o racismo à brasileira.
Para finalizar deixo transcrito aqui uma letra de um rapper brasileiro chamado GOG, que mostra qual é a cara do nosso país. A música se chama "Brasil com P" e se fosse um Chico Buarque ou qualquer outro desses grandes nomes que tivessem escrito essa letra, seria tida como uma das melhores da MPB.
"Brasil Com P"
Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades
Pm's
Pelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto
Pandeiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
PC
Político privilegiado preso parecia piada
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta irmão..
OBS: a foto foi tirada do blog do jornalista Rodrigo Vianna.

Share/Bookmark

21.4.09

Vereador Piracicabano acusa siderúrgica por poluição

Há alguns dias o vereador Laércio Trevisan Júnior (PR) disse na câmara dos vereadores de Piracicaba que a empresa Arcelor Mittal (antiga Belgo) é poluidora e não faz programa social e ainda afirmou que essa poluição estava gerando câncer em gatos e cachorros da região. É uma acusação grave e deveria despertar a atenção da população e dos outros vereadores sobre o assunto. Mas o que ocorreu foi o contrário, pois os vereadores tucanos José Luiz Ribeiro e o Longatto (aquele que assumiu a compra de votos) ficaram enfurecidos e deram declarações defendendo a empresa de antemão. Outro vereador, João Manoel, disse que há algum tempo atrás ele e outros políticos na época lutaram muito para manter a empresa na cidade para não haver desemprego. Até ai tudo bem, mas parece que porque a empresa gera muitos empregos, ela não deve ser contestada e investigada pelo poder público. E a saúde da população e o meio-ambiente onde fica?
Certa vez conversei com um membro da ONG Sodemap, aqui de Piracicaba, e este disse que já sofreu ameaças de empresas que foram denunciadas por despejar lixo industrial irregularmente e poluir o ar de áreas residenciais próximas. A Arcelor Mittal citada pelo vereador Trevisan fica no meio de bairros residenciais e muitos dizem que quando era Belgo, essa invistia em projetos ambientais em escolas, mas que era só fachada. É lógico que não dá para partir para uma acusação séria sem provas concretas, mas muitos ambientalistas dizem que isso é dificultado pelas empresas e que órgãos como a Cetesb tende sempre a favorecê-las. Há também o medo de as pessoas em denunciar empresas poluidoras e o conluio entre políticos locais com essas. Ai que entra o perigo da municipalização das licenças ambientais como eu escrevi no post anterior. Parece que as empresas fazem chantagem, pois o que fica implícito é que o poder público não ouse investigar, pois senão irão embora e deixarão muitos desempregados. Há muito conflito de interesses e o meio-ambiente é relegado como última das preocupações de políticos e empresários. A ambientalista Eloah Margoni escreveu um ótimo artigo sobre isso no jornal A Tribuna e tem a mesma preocupação com relação às licenças serem municipalizadas. Quem quiser ler o artigo está nesse endereço:
http://www.tribunatp.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=551
O vereador Trevisan deve agora tentar embasar suas acusações e não ter medo e nem ceder a pressão dos seus colegas de casa. Acho difícil político manter sua palavra, mas algo grave como essa acusação, deve ser investigado pelos órgãos competentes e pela imprensa para manter a população atenta.

Share/Bookmark

14.4.09

A política ambiental de Piracicaba

A prefeitura de Piracicaba encaminhou projeto de lei que pretende delegar ao Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente) juntamente com a secretaria estadual de meio ambiente a concessão de licenciamentos ambientais. O prefeito diz que isso agilizará os processos ambientais para atender as necessidades da sociedade. O objetivo parece ser bom, mas nunca podemos esquecer que políticos se preocupam primeira e ultimamente com eles mesmos. Barjas Negri (PSDB) foi recém empossado como presidente da Diretoria Integrada dos Comitês PCJ (Piracicaba, Corumbataí, Jundiaí), o que parece que temos um prefeito "verde", mas paremos por aqui. Sua administração se apóia basicamente em obras viárias e reformas de parques, pois são visíveis e fáceis de angariar popularidade e votos. Questões como lixo e aumento do tratamento de esgoto e água vão sendo empurrados com a barriga. Na questão do lixo, a cidade faz anos que está exportando-o para Paulínia e não têm nenhum plano efetivo de coleta seletiva e reciclagem. Apesar de existir o reciclador solidário, este não dá conta de atender a maior parte da cidade e ultimamente o lugar onde estava sendo armazenado o lixo ficou lotado. Com esse projeto, obras de empreendimentos comerciais e industriais e implantação de loteamentos terão que passar pelo crivo da Sedema e o lobby desses ramos é forte. Esse parece ser o foco do projeto, pois aqui na cidade temos exemplos, que já citei várias vezes, como o fechamento do bairro Santa Rita (que é público), a troca de área institucional por ponte para favorecer um condomínio de luxo e outros. Com essa atribuição ao Sedema, os licenciamentos sairão mais rapidamente, pois infelizmente no Brasil todo licenciamento é aprovado para atender interesses político-empresariais. Um dos problemas é que secretarias de meio ambiente, ainda mais as municipais, são loteadas politicamente, e geralmente os indicados não são de áreas correlatas ao tema da pasta. Piracicaba é bem industrializada e mesmo que isso gere emprego e renda, a ânsia em trazer mais e mais complexos industriais, faz com que as exigências ambientais sejam atropeladas para fornecer os licenciamentos o mais rápido possível. A cidade já possui 4 empresas entre as mais poluidoras e há muitos crimes ambientais que foram e são cometidos por essas e outras. Alguns desses crimes são relacionados com o depósito de lixos industriais em lugares inadequados. A questão ambiental aqui em Piracicaba não é levada a sério, pois como bem disse o assistente social Totó Danelon em artigo no jornal A Tribuna, o que a prefeitura faz é revitalizar áreas verdes abandonadas. Outras questões como a eliminação da queima de cana é tema espinhoso e apesar de ter apoio da população e poucos políticos, há uma resistência da maioria destes devido aos usineiros ainda exercerem muita influência. Recentemente, reportagem do Jornal de Piracicaba relatou que o município de Piracicaba tem apenas 1% de mata atlântica original, a qual está fragmentada. Isso é lógico que foi conseguido arduamente pelo modelo agrário totalmente predatório implantado há mais de 200 anos e que persiste até hoje e está sendo implantado na Amazônia pelos novos "heróis" do Brasil. Qualquer um que ande pelas propriedades rurais do município verá que a maioria não respeita nenhuma legislação ambiental como, por exemplo, as APPs (áreas de preservação permanente). As propriedades perto do rio não deixam os 30 metros de mata ciliar e muitas nascentes são destruídas pelas plantações de cana, pois se deixar alguns plantam até no meio do rio assoreado. Até mesmo na cidade, quando há festas na Rua do Porto, a prefeitura deixa a margem do rio virar estacionamento. A questão dos entulhos de construções é outro problema, pois muitos estão sendo depositados em lugares proibidos como o que têm perto da ponte do caixão na estrada do bongue e que há anos não é tomado providência. A arborização de Piracicaba é ruim e projetos nesse sentido parecem não sair do papel. O foco da política ambiental para a cidade não deve ser conceder licenciamentos para construção de condomínios de luxo e reformar áreas de lazer, mas sim perseguir a meta de tratar 100% o esgoto, resolver e logo a questão do lixo com políticas inovadoras, fiscalização intensiva sobre os lixos industriais e o uso de defensivos agrícolas, assim como exigir que as APPs sejam respeitadas. Aliás, já que o prefeito agora é presidente do PCJ é preciso atentar para o estado do rio Corumbataí que abastece a cidade, pois esse comitê de bacias existe há anos e parece que nada de efetivo é feito, apesar de ter um orçamento previsto de R$ 17 milhões. Autarquias que tem como área de atuação à do meio ambiente devem ser dirigidas por pessoas da área tendo como objetivo principal a conservação e o respeito do homem pelos recursos naturais e não sofrer ingerências político-empresariais. Com esse projeto a sociedade piracicabana e a imprensa tem que ficar de olho onde será o foco dos licenciamentos e se estes serão usados em favor do meio-ambiente.

Share/Bookmark

16.3.09

Vereador piracicabano assume compra de voto

Ocorreu em Piracicaba no dia 07/03/09 um encontro regional de vereadores, onde havia 14 prefeitos e 111 vereadores. Era pra ser a mesma coisa de sempre se não fosse o "escorregão" ou "desabafo" em uma fala do presidente da Câmara dos Vereadores de Piracicaba, José Aparecido Longatto (PSDB). Essa é a pérola que ele disse: "Nós metemos a mão no bolso para pagar uma receita de remédio, uma cesta básica, uma conta de água ou de luz. E não adianta alguém falar que não faz isso porque faz. Aquele que não faz tem um mandato só. Não basta ser bom de discurso, não basta tentar convencer falando." O que se ouviu de todos os presentes, foi um silêncio ensurdecedor. Ora, ele disse a verdade nua e crua, pois todos sabem que isso é prática usual da política nacional. Até admiro sua honestidade em dizer isso, mas não a prática dessa espécie de clientelismo. Segundo o vereador, os eleitores não o deixam em paz nem quando está em seu momento de lazer. Disse ainda que eles (vereadores) não têm hora para nada, pois vira e mexe são acordados no meio da noite para atender seus clientes, ops, quer dizer, eleitores. Coitados! Por isso Longatto defende uma aposentadoria por todos esses "nobres serviços" prestados, pois eles têm que "meter a mão no bolso". De quem? Deles ou nosso? O vereador enxerga o seu mandato, que foi dado pelo povo, como uma carreira profissional e não pública e democrática. Quando disse que sem isso o vereador só consegue um mandato só, também disse o que é a realidade de todos, inclusive ele mesmo que está há 20 anos se reelegendo através dessas práticas. Isso pra mim é uma espécie de compra quase que direta de votos. Quem é beneficiado por essas "boas-vontades" dos vereadores com certeza irão votar neles. O pior é que tem gente que acha que essas coisas só ocorrem nos rincões do norte e nordeste do país.
Aqui na imprensa piracicabana o debate sobre isso está bem morno, com exceção do jornal A Tribuna onde o editor do jornal Érich Vallim Vicente fez uma ótima e contundente crítica a fala do vereador tucano. Quem quiser pode ler o texto nesse link:
http://www.tribunatp.com.br/modules/news/article.php?storyid=2269
Já o Jornal de Piracicaba, uma semana depois, deu apenas uma matéria relatando o ocorrido e também que os partidos PV e PSOL entrarão com ação judicial contra o vereador. O que me intriga é o silêncio também daqueles articulistas e da editorialista do jornal que em seus textos condenam duramente as supostas denúncias contra políticos do plano federal, em especial é claro, se for do PT. Agora que um vereador, presidente da câmara da cidade diz tudo isso, ninguém do jornal ainda se manifestou. Estão todos quietinhos esperando a poeira baixar para fingir depois que nada aconteceu? Parece que a indignação desses sobre ética na política é seletiva, pois se fosse um vereador de oposição ao governo Barjas Negri (PSDB) que tivesse dito isso, todos estariam condenando.
Agora é esperar para ver o desdobramento disso, pois além de Longatto presidir a Câmara, também tem apoio irrestrito da base que representa praticamente 99% da casa.

Share/Bookmark

26.2.09

Imprensa/Serra x Professores Estaduais

Repercussão na Imprensa
Algumas semanas atrás, correu na imprensa a notícia, plantada pela secretaria de educação do estado de São Paulo, de que "1.500 professores" que fizeram a "provinha" zeraram. Isso bastou para que os bajuladores (para não dizer puxas-sacos) do governo tucano de José Serra na imprensa caíssem de pau em cima de toda classe docente pública, ainda mais sobre os temporários (dos quais me incluo), pois o sindicato (Apeoesp) conseguiu liminar na justiça anulando a prova. Mesmo que esses que zeraram represente 0,7% do total que fez a prova, a imprensa fez coro as insinuações e ilações da secretaria da educação. A respeito da "prova", eu fui prejudicado pela derrubada desta, mas acho que a forma como era feita a contagem de pontos era errada. A contagem dos pontos para a classificação poderia ser assim: 60% da nota seria o tempo de serviço e os 40% a nota da prova e não 50% e 50% cada um. Acho que equilibraria um pouco mais essa questão.
Quando o governo Serra anunciou que aplicaria essa prova, o articulista Gilberto Dimestein do jornal Folha de S.Paulo teve a coragem de escrever um texto com o seguinte título: "Parabéns Governador". Se Gilberto soubesse da verdadeira situação que os professores trabalham ele daria parabéns à estes e não à um governante autoritário e mesquinho como Serra. É a bajulação da grande imprensa, principalmente paulista, a qual falei a pouco.
Educação é política
A educação é tema complexo, mas algumas questões são unanimidades entre os professores para melhorar o ensino. A primeira é o salário, pois como já escrevi, como alguém com família para sustentar vive com R$ 1.500? Ou seja sobrevive, pois imagine viver com essa quantia em uma cidade como São Paulo? A segunda é a "aprovação continuada" ou como acabou virando "automática", pois aquele aluno que te encheu o ano inteiro e não fez nada é aprovado pelo conselho e no próximo ano você tem que aguentá-lo novamente zombando da sua cara. O que muitos não percebem que por trás de tudo isso há a questão política, a qual a maioria é avesso a discussão, mas infelizmente é a realidade. Para o governo, no caso atual o de Serra e seu partido que há 14 anos governa o estado, essa aprovação continuada caiu como uma luva, pois políticos e seus respectivos partidos só querem saber de estatísticas positivas. Se os professores fossem cobrar mesmo o conhecimento dos alunos e os que não merecessem pudessem ser reprovados sem a pressão das diretorias, o índice de reprovação aumentaria enormemente. Acho que pelo menos metade de cada classe, dependendo do caso, seria reprovada. Com isso a evasão escolar também aumentaria, o que puxa as estatísticas sobre o tema para cima. Agora, imaginem na campanha de 2010 o Serra ter que responder que no estado onde governou, o índice de alunos reprovados aumentou 50% e a evasão uns 30% ? Isso é inadmissível politicamente falando!! Por isso há uma certa pressão sobre as escolas para não reprovar aluno e pra piorar criou um ranking de escolas com base na aprovação destes. Isso também reforça o compromisso das escolas em aprovar o maior número possível de alunos e diminuir a evasão e para isso pressiona os professores a praticamente darem notas à alunos indisciplinados e com baixo nível de aprendizagem. Isso tudo para que as verbas para as escolas seja mais facilmente liberadas ou até aumentadas. Isso não garante qualidade de ensino e o governo ignora as diferentes realidades que cada escola enfrenta. Contrariando as atuais teorias educacionais (Construtivismo por exemplo) acho que a educação tem que ser oferecida pelo estado à todos, mas com regras que antes funcionavam como a expulsão. Dentro da escola deve haver regras e quem não se adequa a essas e não respeita minimamente seus profissionais (inclui professores, diretores e funcionários da escola) não pode continuar lá e uma vez expulso só poderá voltar a estudar no ano seguinte. Parece autoritário, mas pra quem vive diarimente essa realidade sabe que não há mais alternativas. Como disse, tudo isso é conveniente ao governo estadual, pois continua remunerando mal seus profissionais e estes tendo que aturar situações extremamente desgastantes. Mas como já disse, se os filhos e netos do governador, da secretária e dos deputados estaduais estudassem na escola pública esse quadro atual mudaria. Eles acham o salário do professor estadual suficiente, mas matriculam seus filhos em escolas que a mensalidade, ás vezes, é igual ao salário do docente estadual e onde os professores ganham muitas vezes mais.
Debate na Imprensa Piracicabana
Aqui em Piracicaba a maior parte da imprensa também é tucana e conta com alguns articulistas que praticamente escrevem como se fossem assessores de imprensa do governador e também do prefeito da cidade que também é tucano e amigo de Serra. No jornal A Tribuna Piracicabana, o qual sempre publica os meus textos, há um jornalista desse tipo. Romualdo Cruz é polêmico e necessário ao debate que fomenta no jornal, mas acredita em todas as notas oficiais dos políticos tucanos fazendo a defesa incondicional destes. No link abaixo esta o texto dele, o qual diz que o salário não é importante para a qualidade da educação e para embasar sua tese, a qual defende o posicionamento do governo Serra, escolhe a opinião do Ministro da Educação do ..... Chile!!!! O pior é que tirou isso das páginas amarelas da revista Veja.
http://www.tribunatp.com.br/modules/news/article.php?storyid=2125
Depois de ler isto não consegui conter minha discordância e enviei ao jornal uma resposta à esse artigo como uma resposta de um professor e não de um sindicalista, pois Romualdo assim como os tucanos acham que todos os professores estaduais são sindicalistas e por isso devem ser combatidos. Vai abaixo o link do meu texto na Tribuna.
http://www.tribunatp.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=459
Quem tiver a paciência de ler os textos do debate, pode contribuir opinando aqui no blog. Agradeço mais uma vez ao Érich Vicente que publica os textos e dinamiza o debate na imprensa piracicabana.

Share/Bookmark

4.2.09

Frases conformistas

Nunca gostei de certas frases que todo mundo diz e que se tornaram clichês do dia-a-dia. Reconheço que é impossível nunca tê-las dito alguma vez na vida, mas têm gente que abusa dessas frases e diz pra tudo. Começarei por aquela clássica: " É assim mesmo...", essa é a típica do conformismo total. É usada sempre em conversas em que um está reclamando de algo que a outra pessoa não está afim de aprofundar, pois as vezes o resmungão é meio nervoso então não vale a pena discutir, ou que acha o assunto muito complexo e "chato". Geralmente o assunto incômodo é política (nessa eu me incluo) e essa frase clássica é sempre acompanhada pela outra mais clássica ainda: " fazer o quê, né?". Ouço muito isso, pois eu reconheço que sou um desses resmungões que adoram debater esses assuntos "chatos" para a maioria das pessoas. Você pode falar muito, dar exemplos de desigualdades, injustiças, corrupção, ou seja, é um catastrofista de plantão, e enquanto isso a maior parte das pessoas só acenam positivamente com a cabeça, mesmo se não estiverem concordando, mas no final você escuta: "É assim mesmo ....(depois de uns segundos).. fazer o que, né?" Todo mundo diz isso (será que é assim mesmo?), mas determinados assuntos, como por exemplo política, essas frases simbolizam um conformismo em deixar tudo como está, principalmente aqui no Brasil. Concordando ou não é muito bom existir o debate, mas é lógico que há hora pra tudo e não se pode só ficar falando disso toda hora, mas também os assuntos dominantes de toda hora são geralmente os mais supérfluos possíveis. Fofocas familiares, da vizinhança, novelas, big brother (arghhh) e outros típicos de idade e sexo. Por exemplo, assunto dominante no ambiente masculino é: carros ( e seus "roderos" - palavra existente só em Piracicaba), bebedeiras, mulher e é claro futebol. Outro exemplo são as meninas na adolescência que só falam de meninos e mal de outras meninas. No caso masculino é lógico que esses assuntos são divertidos e que descontraem, mas há pessoas que só sabem conversar sobre isso e nada mais.
Quando a pessoa tem uma decepção na vida (geralmente amorosa), está apreensiva com algo que não deu ou tem 100% de chances de não dar certo, a frase típica ouvida é: " Deixa pra lá...não liga, no final tudo dá certo". Isso quer dizer que a pessoa que está ouvindo está de saco cheio e quer que você pare de choramingar, mas o que você queria ouvir mesmo era alguma frase de apoio incondicional de que você está certo. Por exemplo, se você está com raiva de alguém que te sacaneou, você queria que a outra pessoa xingasse ainda mais esse "alguém" fazendo com que você descarregue tudo ali e se sinta aliviado por outra pessoa também concordar com aquilo.
Outra frase também dita em momentos tristes e de comoção é: "Vai passar" ou "mas passa" e sempre depois vem: "a vida continua" ou " a fila anda" (esse último virou até hit de música sertaneja).
Acho que são frases que se você não falar não faria a menor diferença e ás vezes o silêncio adianta mais do que dizer aquilo que todo mundo diz e está cansado de ouvir o tempo todo. Fazer o que né?
PS: Se alguém lembra de mais frases conformistas, mas não babacas, comente aqui no blog.

Share/Bookmark

6.1.09

Gaza agoniza

Há alguns anos eu assisti à um documentário chamado "Promises", que mostra qual a visão de crianças palestinenses e israelenses uns sobre os outros e a situação vivida por ambos. O autor é B.Z. Goldberg, israelense radicado nos Estados Unidos, e fez com que minha visão sobre o conflito Israel-Palestina mudasse completamente. Lembrei desse documentário devido a nova escalada de violência que está acontecendo na Faixa de Gaza. Esse conflito gera muita discussão que abrange mais aspectos religiosos e políticos. Os dois lados têm fundamentalistas, extremistas ou qualquer nome que dêem a fanáticos religiosos que querem um a destruição do outro. Do lado palestino os extremistas possuem o próprio corpo e usualmente foguetes caseiros chamados "qassam" que levam consigo pregos e tudo que possa estilhaçar e alcançar uma área maior. Do lado israelense os extremistas possuem um exército fortemente armado com armas de última geração e estão usando bombas de fósforo e mísseis que carregam urânio empobrecido. Fora as centenas de ogivas nucleares que Israel possui, segundo o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, e não aceita inspeções internacionais e não faz parte de nenhum órgão de países que possuem armas atômicas. Os extremistas no caso são o Hamas, que foi eleito em eleições referendadas por observadores internacionais, e o governo de Israel, o qual possui extremistas mais extremistas ainda que estão na oposição e prestes a governar o país. Esse é o cenário que existe atualmente nessa região. Qualquer pessoa de bom senso vê a enorme disparidade de forças.
Voltando ao documentário, quando este mostra a situação dos palestinos e seus refugiados, não têm como se manter neutro perante essa questão. Os palestinos vivem sob constante toque de recolher imposto por Israel, onde escolas e universidades são fechadas por tempo indeterminado e qualquer um que estiver nas ruas corre o risco de ser morto pelas tropas israelenses. Também dependem da boa vontade de Israel para ter acesso à água e eletricidade e vivem em verdadeiros guetos, principalmente Gaza, onde o esgoto e falta de água tratada é comum. Sofrem humilhação de colonos judeus e outros moradores de cidades próximas israelenses. Isso tudo é mostrado nesse documentário que foi feito em 1997. Há também a prisão constante de palestinos sem qualquer acusação formal, simplesmente por serem "supeitos". Deve ser difícil crescer e viver em lugar onde seu pai, seu irmão ou qualquer parente pode ser preso à qualquer momento por forças de outro país que invadem sua casa livremente para fazer o que quer. O pior é que Israel também prende e tortura crianças palestinas, segundo a Anistia Internacional, e alguns órgãos palestinos afirmam que há centenas de crianças presas. Israel também se dá o direito de invadir território palestino e destruir casas e comércios de pessoas que sejam parentes de "homens-bomba" ou de "suspeitos" envolvidos em ataques contra o país.
Raízes da discórdia
A história mostra que esse conflito começou lá atrás desde a criação do Estado de Israel em 1948 em que os países árabes foram contra e entraram em guerra contra o estado judeu. A guerra dos seis dias em 1967 foi decisiva para que Israel anexasse mais territórios palestinos e ainda as colinas de Golan da Síria. Nessa guerra e após também o que aconteceu na região foi a expulsão de milhares de palestinos, os quais estão em campos de refugiados até hoje, na base da extrema violência por parte de Israel. Houve casos de tentativas de limpeza étnica em algumas cidades, antes palestinas e agora israelenses como Ashkelon, onde o que foi praticado foi puro genocídio. Os palestinos também são ignorados por outros países árabes como Egito e Jordânia que são coniventes com Israel. Vale lembrar que os países árabes da região são ditaduras brutais, mas a maioria conta com apoio dos EUA , devido à muitos terem petróleo, e tudo fica como está.
Imprensa
A imprensa ocidental é um caso à parte nesse conflito, pois sempre foi pró-Israel e tenta sempre minimizar as consequências das ações militares israelenses, embora na atual situação a imprensa , pelo menos do Brasil, finalmente está mostrando o lado palestino. Essa tendência da mídia é reforçada por usar como fonte apenas o que é passado pelo governo ou pelo exército israelense. Por exemplo, quando Israel lança ataques esporádicos sobre a população palestina e assassinam várias pessoas, a informação passada em todo o mundo é que são "assassinatos cirúrgicos" e que todos os mortos eram "militantes" segundo fontes israelenses, e fica por isso mesmo. Na questão militar a imprensa israelense quase que totalmente apóia as ações do governo. Há um ótimo texto publicado na revista piauí sobre isso que é de autoria de Yonatan Mendel que pode ser acessado no Observatório da Imprensa nesse endereço:
Esse texto diz tudo sobre a questão da imprensa israelense e como isso reflete para o resto do mundo. Nessa questão é bom observar que qualquer um que seja crítico das ações militar de Israel já é tachado de "anti-semita", "terrorista" e outros adjetivos que a direita, que sempre está do lado israelense, gosta de colocar. Infelizmente os que tentam mostrar apoio à ação de Israel repetem sempre a mesma coisa dizendo que Israel nunca ataca, mas só se defende e também que tudo é culpa do Hamas, do Hizbollah ou até do Irã. O governo de Israel sempre é "vítima" e "obrigado" a tomar essas decisões visando somente "proteger" a população israelense. Segundo estes, as vítimas civis palestinas são justificadas pois os foguetes palestinos eventualmente matam civis em Israel. Já que querem comparar essa barbaridade, esquecem que agora, por enquanto, de cada 1 israelense morto 100 palestinos são assassinados.
Situação atual
A imprensa internacional agora sente na pele a arrogância, prepotência e autoritarismo do governo de Israel, pois não estão permitindo jornalistas estrangeiros entrar em Gaza. Os jornalistas estão tendo acesso somente ao que é conveniente ao governo israelense divulgar, embora já seja comum isso, mas com todos esses mortos do lado palestino é difícil tentar tapar o sol com a peneira.
Na guerra do Líbano em 2006 Israel assassinou cerca de 1.200 pessoas, sendo a maioria de civis e até agora matou mais de 500 em Gaza sendo também a maioria civis, pois o lugar é densamente povoado. O que está acontecendo em Gaza é massacre, genocídio e qualquer nome que se dê ao assassinato em massa de uma população como forma de punição coletiva. O que os palestinos fizeram de errado perante a comunidade internacional foi eleger o Hamas. Ora, eles foram eleitos democraticamente e o resto do mundo condenou isso. Perante Israel, todos os palestinos são terroristas em potencial e ainda mais os de Gaza que confiaram o poder ao Hamas. Isso é mais um motivo para Israel tentar justificar a carnificina e de olho nas eleições do mês que vem, o atual governo quer mostrar para a população que pode ser tão pior quanto os que almejam chegar ao poder com o ultra-fundamentalista Binyamin Netaniahu, o qual consegue ser pior que Ariel Sharon. Se Netaniahu chegar ao poder, o projeto "Grande Israel" pode começar a ser posto em prática efetivamente. Esse projeto é antigo e baseado em aspirações religiosas, pois como eles acreditam que aquela terra foi concedida por Deus à eles, então defendem a expulsão de todos os palestinos e deportação dos árabes que vivem em Israel.
Depois de uma trégua com o Hamas, Israel diz que esse a violou lançando foguetes. Só que Gaza está sitiada desde que o Hamas expulsou o Fatah (facção palestina rival). A partir disso Israel fechou sua fronteira, cortou o fornecimento de água, eletricidade e de alimentos e não parou com a perseguição e assassinato de palestinos. Agora, além de a imprensa internacional estar sendo proibida de relatar o que realmente está acontecendo, Israel não deixa chegar perto nem observadores internacionais e ajuda humanitária. Hospitais estão lotados de feridos e não têm como atendê-los e alguns estão sendo bombardeados junto com escolas, universidades e mesquitas. Tudo isso para acabar com a infra-estrutura do Hamas, ou seja, da população inteira da Faixa de Gaza. Israel quer levar isso até as últimas consequência nem que extermine os 1,5 milhão de palestinos que vivem confinados naquela pequena região. Acho que mesmo que isso ocorresse, eles iriam estar "argumentando" que fizeram isso para se defender e que foi tudo culpa do Hamas e com certeza os EUA apoiariam e a ONU e o resto do mundo iriam lamentar e ensaiar alguma resolução que nunca seria seguida por Israel e ficaria por isso mesmo.
Enquanto os palestinos não tiverem direito à um estado autônomo e Israel não parar de construir assentamentos ilegais, confiscar terras palestinas e ainda construir um muro segregacionista a situação tende sempre a ficar pior. A paz é uma utopia no mundo de hoje, pois todo esse conflito que têm raízes políticas e religiosas satisfaz e enriquece cada vez mais a indústria armamentista, da qual no caso, Israel também faz parte.
Obs: Agradeço ao Érich da tribuna que publicou esse artigo na edição revista do jornal A Tribuna e pode ser acessado nesse endereço:


Share/Bookmark

17.12.08

Imprensa Piracicabana não dá notícia sobre a multa de Barjas (obs:não irei me calar)

Recentemente, em virtude do meu último artigo publicado aqui no blog e no jornal A Tribuna, recebi informações de que alguém da Prefeitura de Piracicaba estava querendo me processar por causa desse artigo. Não sei o que viram no artigo para poder entrar com um processo, por isso consultei um amigo que é advogado e professor de história para saber sobre o que a Constituição Brasileira diz sobre a liberdade de expressão. Reproduzo alguns trechos do e-mail que ele mandou:
"Diz o inciso IV do artigo 5º da Constituição: "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato." É um direito fundamental individual, básico em qualquer regime democrático." "Diz ainda o artigo 220 da Constituição, no capítulo sobre a "Comunicação Social": "A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição."
Se alguém da prefeitura não gostou do meu artigo que use o direito de resposta ou publique um outro artigo rebatendo minhas idéias. Ora, até a secretaria da educação do estado de São Paulo respondeu um outro artigo meu no próprio jornal!. Esse tipo de atitude que a prefeitura quis tomar é autoritário e demonstra que opiniões divergentes dos próprios cidadãos, como eu, que questionem a atual administração não podem ser publicadas. Só querem elogios e "baba-ovos" na seção de cartas de leitores. No Jornal de Piracicaba, quando leitores reclamam da prefeitura, já quase no outro dia tem algum secretário rebatendo as críticas para dizer que não há nada de errado na cidade e que tudo está perfeito, mas ainda ai é melhor do que processar alguém por ter opinião diferente.
Minha indignação aumenta ao ver que boa parte da imprensa aqui da cidade é barjista e muitas vezes não publica nada sobre o prefeito. Um exemplo disso é a reportagem que eu vi em um jornal televisivo à noite sobre uma ação da AGU (Advocacia-Geral da União) para recuperar cerca de R$ 200 milhões desviados por corrupção. Os reponsáveis por essa corrupção são vários políticos e altos servidores públicos e dentre os quais a reportagem destacou ninguém menos que o prefeito de Piracicaba Barjas Negri. O prefeito, segundo a AGU, junto com mais 10 acusados serão multados em mais de R$ 300 mil por desvio de pouco mais de R$ 165 mil em um convênio feito com uma Associação Beneficente Cristã (ABC) quando Barjas era ministro da saúde. Essa reportagem eu vi essa semana e foi veiculada em cadeia nacional, mas parece que por aqui algumas redações não assistem telejornais ou têm memórias seletivas para assuntos envolvendo o prefeito. Esse convênio foi investigado durante a operação da policia federal chamada Operação Sanguessuga. Alguém lembra? Aqui em Piracicaba acho que não, pois quando a IstoÉ saiu trazendo a reportagem sobre os empresários Vedoin que relatavam a suposta relação de Barjas com esquemas de liberação de emendas e ligação com o empresário (já falecido) Abel Pereira, a revista, que é publicada nacionalmente, surpreendetemente sumiu das bancas da cidade com exceção de apenas uma que tinha alguns poucos exemplares, mas o resto não tinha. Até hoje essa edição da IstoÉ é peça rara aqui na cidade. Abaixo está o link dde uma das reportagens da revista:
http://www.terra.com.br/istoe/1932/brasil/1932_abel_nao_se_explica.htm
Agora, porque essa notícia sobre a multa do prefeito ainda não ganhou sequer uma linha dos jornais da cidade? Não há interesse público na matéria?
Quem quiser ler a reportagem sobre isso está nesse endereço:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/12/08/agu_quer_recuperar_cerca_de_200_milhoes_desviados_por_corrupcao-586891429.asp
Se alguém quiser me processar pelo que eu escrevi aqui, então sugiro que entre com ação primeiro contra a revista IstoÉ e as organizações Globo. Aliás, a reportagem da Globo procurou o prefeito e este não foi encontrado e a mídia local parece não querer que a população piracicabana saiba disso.
Não entendo essa intenção da prefeitura em querer me calar, pois o prefeito foi reeleito com mais de 80% dos votos válidos, sua popularidade é alta, têm uma imprensa pouco questionadora e bastante bajuladora, têm a Câmara de Vereadores quase inteira (exceção de 1 vereador apenas) do seu lado e ainda quer que ninguém se manifeste contrariamente suas ações ou que as questione? O que um artigo simples de um cidadão mal empregado, mal pago e sem vínculos políticos, como eu, pode causar? Será que tentarão impor a ditadura do pensamento único, onde se você não aderir ao barjismo você será excluído? Espero que não.
A consolidação da democracia ainda engatinha aqui no Brasil e muitos acham que temas como liberdade de expressão são suprimidos apenas nos rincões do país, mas aqui no estado mais desenvolvido também acontece isso. Meu colega de blog Paulo Corrêa (http://www.pautalivri.blogger.com.br/) está sendo processado pelo prefeito de Limeira e isso caracteriza cada vez mais uma tentativa dos poderosos em calar a verdadeira opinião pública. Hoje até as propostas curriculares das escolas estaduais orientam os professores a estimular o pensamento crítico dos alunos, mas parece que aqui no interior do estado, isso só pode se não entrar na política local.
PS: Agradeço à todos aqueles que me apoiaram a ficar firme nessa tentativa de intimidação da prefeitura contra mim. Agradeço também aos frequentadores dos outros blogs que se manifestaram aqui e também os blogueiros que me responderam e se colocaram a disposição de ajudar caso houvesse a ação, como o Renato Rovai da revista Fórum, Eduardo Guimarães do blog Cidadania, Paulo Corrêa e Humberto Capellari. Obrigado à todos.◦
Share/Bookmark

19.11.08

Em Piracicaba, o Barjismo domina

Faz tempo que não escrevo aqui no blog e deixei a poeira das eleições municipais abaixar para fazer algum comentário. Aqui em Piracicaba o resultado já era esperado para prefeito, mas a eleição da Câmara dos Vereadores me deixou apreensivo com o futuro cenário político da cidade. Durante esse primeiro mandato a tropa barjista se fortaleceu e arrasou o que sobrou da "oposição" e se já estava ruim ficou pior. Nas propagandas do TSE na televisão dizia que a Câmara dos Vereadores de uma cidade têm como um dos objetivos fiscalizar as ações da prefeitura. Se nesse primeiro mandato, Barjas Negri aprovou o que quis, agora com uma Câmara quase 100% governista ( 15 governistas contra 1 de "oposição") não precisará de nenhum esforço para fazer o que bem entende. Alguns dos motivos que levou a Câmara a esse cenário foi o esfacelamento do PT da cidade como força política, pois nem José Machado que foi prefeito duas vezes não deu as caras por aqui. Outra foi a adesão da maioria dos partidos à campanha de Barjas que contaram com a máquina de propaganda, a qual dava a impressão que todos os candidatos a vereador estavam apoiando o prefeito. Barjas com sua alta popularidade parecia com o Lula em alguns lugares do Nordeste, onde todos os candidatos queriam aparecer na foto ao seu lado para poder angariar votos. É curioso atentar ao fato de que alguns aqui quando escrevem sobre os eleitores que elegeram e reelegeram Lula com ampla maioria, rasgam críticas de cunho até racista para explicar o fenômeno. Mesmo quando citada a alta popularidade do presidente a explicação é sempre a "ignorância" do povo e que esse é iludido com obras, que no caso federal é sempre eleitoreira, e com as bolsas. Aqui a alta popularidade de Barjas é atribuída ao pragmatismo, a inteligência, a determinação do prefeito e a maioria dos eleitores que deram mais um mandato à ele o fizeram porque todos são inteligentes e muito bem informados e que sentiram que todas as obras feitas na cidade eram necessárias.
A prefeitura se gaba de suas obras (que aqui não são eleitoreiras), mas segue um modelo de urbanização que está levando as cidades brasileiras ao colapso. Aqui, casas populares são construídas em lugares muito distantes, bairros públicos conseguem virar condomínios fechados, grandes empreendimentos de luxo são prontamente atendidos com obras de melhorias nos seus entornos e ainda garantem mais lucros conseguindo trocas de áreas institucionais por outros terrenos e construção de ponte. Melhoria da saúde, transporte público e saneamento básico podem sempre ficar para o ano que vem, pois todo mundo têm plano de saúde particular, carro e não dá a mínima para onde vai o lixo desde que não fique na porta da sua casa.
Outro dado ruim é o baixo índice de renovação dos vereadores, pois é um absurdo um candidato ficar se reelegendo durante anos e faz disso apenas uma carreira profissional. Há certos candidatos que ocupavam cargos administrativos na prefeitura que passaram 4 anos fazendo propaganda deles mesmos e conseguiram uma vaga para "fiscalizar" a administração municipal da qual fez parte.
O único trabalho que o prefeito terá de fazer agora é garantir as "trocas de favores" daqueles que o apoiaram e que foram eleitos. É a típica barganha da política brasileira, que embora alguns achem que aqui é diferente, mas não é. Caminhamos para um reinado tucano e direitista de mais oito anos pelo menos, onde a corrupção (outra coisa que muitos acham que não existe aqui) poderá intensificar-se e ficará oculta, pois com essa Câmara Barjista, ausência de oposição e a maior parte da imprensa chapa-branca nada chegará aos nossos olhos e ouvidos.
Obs: Esse artigo foi publicado no jornal A Tribuna de Piracicaba e está disponível também nesse endereço: http://www.tribunatp.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=329
Share/Bookmark

3.9.08

Dia do Biólogo

Hoje é o Dia Nacional do Biólogo e foi em um 3 de setembro no ano de 1979 que foi sancionada a Lei 6.684. Essa lei regulamentou a profissão de Biólogo e criou o Conselho Federal de Biologia (CFBio). Geralmente, o biólogo é identificado como alguém que gosta de animais e plantas ou que fica o dia todo em um laboratório de genética, mas não é só isso. A biologia é uma parte da ciência que congrega uma rede de assuntos amplos e complexos que são estudados. Por isso, os profissionais das Ciências Biológicas atuam em várias áreas como meio ambiente, saúde, agricultura, educação, entre outras.A biologia também possui uma interdisciplinaridade que faz com que o profissional, principalmente da educação, tenha conhecimento de outras matérias como química, matemática, física e até geografia. Infelizmente, a área da educação para o biólogo não é atraente e geralmente os estudantes escolhem como última opção ser professor de ensino médio ainda mais no setor público. É pouco atraente, pois além do baixo salário, há poucas aulas no ensino médio – somente duas aulas por semana – e também o estresse cotidiano que os professores suportam.Os biólogos que atuam nas outras áreas sofrem concorrência direta e às vezes injusta de outras profissões. Muitas vagas em empresas e no setor público que poderiam ser estritamente para os biólogos são oferecidas para biomédicos, agrônomos, engenheiros ambientais, químicos e outros. Não se trata aqui de ranço com alguma dessas profissões, mas é uma reclamação recorrente de muitos biólogos que são impedidos de disputar vagas que estariam plenamente aptos para exercerem.A pesquisa parece ser geralmente o objetivo da maioria dos iniciantes da graduação de ciências biológicas, mas ainda é para poucos, pois a dedicação tem que ser exclusiva e as bolsas de estudo ainda são insuficientes e de baixo valor. O governo federal concedeu um reajuste pífio, pois há mais de 10 anos o valor das bolsas de iniciação científica estava praticamente congelado. Já que estou falando do Dia do Biólogo, não poderia deixar de mencionar a minha formação que foi feita na Unimep. Infelizmente, essa passa por uma crise financeira e vejo com muita tristeza uma instituição do nível da Unimep perder alunos para universidades de “fundo de quintal” que fazem da educação apenas um negócio. Sempre fiz muitas críticas à universidade, mas reconheço o esforço de muitos coordenadores, professores e alunos que fizeram a Unimep alcançar o patamar de uma das melhores do Brasil. No país, o ensino superior é ainda para poucos e a maioria das vagas é oferecida por instituições particulares de ensino e muitas se tornaram apenas máquinas de diploma, suprindo uma demanda crescente que o governo não atende. Bolsas como o ProUni são importantes, mas em vez de destinar dinheiro somente às universidades particulares, deveria ampliar as vagas nas públicas.Recentemente, o CFBio rejeitou diploma de alunos de cursos à distância em Biologia, o que eu considerei uma decisão acertada. Acho que cursos superiores como Biologia, Agronomia e Farmácia, por exemplo, têm nas suas grades curriculares muitas matérias práticas que não podem ser substituídas por tele-aulas com monitores técnicos. Nas aulas teóricas, o contato com o professor é essencial e também valoriza esse profissional que se dedica à vida acadêmica. Ensino à distância deveria ser muito bem elaborado para determinadas áreas e não liberalizar geral fazendo com que muitos acreditem e gastem dinheiro em cursos com qualidade duvidosa e sem o respaldo de seus conselhos como ocorreu com o de Biologia.Enfim, parabéns a todos os biólogos, os quais merecem o reconhecimento da sociedade sobre os avanços tecnológico-científicos e do conhecimento que essa mesma usufrui.
OBS: Esse texto foi publicado no jornal A Tribuna - Piracicaba e está disponível no site:
http://www.tribunatp.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=207
Share/Bookmark

25.8.08

Mais uma ponte desnecessária em Piracicaba

A administração Barjas Negri (PSDB) aqui em Piracicaba faz a cabeça da classe média e deixa contente o setor imobiliário e da construção civil com as inúmeras obras pela cidade, quase todas relacionadas ao trânsito. Algumas necessárias, mas outras parecem piada, como é o caso de mais uma ponte que está sendo construída na Avenida Vollet Sachs entre o terminal do Piracicamirim e o clube Cristóvão Colombo. Como mostra a foto abaixo (retirada do Google), essa ponte será erguida no meio de outras duas pontes já existentes e que distanciam uma da outra aproximadamente 100 metros. Será que uma ponte ali é tão necessária assim?Qualquer pessoa que passar por ali verá a inutilidade da obra, pois quem está indo do lado direito da avenida pode retornar para o outro lado tanto pela Ponte 2 (como mostra a foto acima) quanto pela Ponte 1(foto acima) que fica um pouco a frente. O tráfego do lado esquerdo pode retornar ao outro lado tanto pela Ponte 1 quanto pela rotatória que há poucos metros depois da Ponte 2. Não dá pra entender o porquê de se construir uma ponte no meio de outras duas.
O pior é que essa obra consumirá do dinheiro dos contribuintes piracicabanos quase meio milhão de reais, ou exatos R$ 458.843,27 como diz a placa de mais uma "obra social". Aqui até instalação de poste em ruas desabitadas têm placas como "obra social". As datas de início e término da obra também foram bem pensadas, pois compreende exatamente o período eleitoral. Barjas se reelegerá no 1º turno e pra iniciar a segunda fase de sua administração já irá inaugurar mais uma ponte para satisfazer os olhos dos barjistas. Como não há oposição, pois essa aderiu ao barjismo, a câmara de vereadores piracicabana não segue o seu propósito de fiscalizar o prefeito e sua administração. A câmara é mais uma casa de barganhas onde o apoio dado ao prefeito é para atender interesses privados e partidários, mas não públicos.

Como sou teimoso e ainda pensando do porquê dessa "magnífica" ponte, eu percebi que do lado esquerdo da avenida e bem próximo a nova ponte está sendo anunciado a construção de um clube e condomínio, que está nessa foto acima. Será que é mais uma ponte para atender os anseios de mais uma minoria? Será que é pra ter acesso direto à avenida Vollet Sachs sem ter que pegar a rotatória que quase sempre está congestionada? Digo isso, pois há um outro condomínio de luxo que será construído na estrada do bongue, onde a prefeitura prontamente atendeu aos pedidos dos empresários responsáveis pelo empreendimento, duplicando a estrada. E através de um projeto de lei votado e aprovado pelos vereadores (vendidos), a prefeitura cederá um terreno, que por lei seria municipal, em troca de uma ponte no local. A ponte será no meio de outras duas também, mas que ficam um pouco mais distantes e será orçada em 2 milhões de reais. Já os terrenos que a prefeitura cedeu "gentilmente" em troca dessa ponte, vão valer muito mais que isso. Alguns especulam que o valor chegue a 9 milhões de reais. Se isso for verdade o grupo empresarial lucrará com essa "boa vontade" da prefeitura no mínimo 7 milhões. O secretário da prefeitura alegou que a ponte vai beneficiar o trânsito e a população local, mas quem conhece sabe que ali o trânsito é muito menos intenso que outros locais da cidade. A verdade é que a prefeitura duplicou a estrada do bongue para satisfazer o conforto dos novos moradores do condomínio e a nova ponte também é para eles não terem o "trabalho" de andar alguns metros a mais e pegar as pontes já construídas. Agora têm mais essa ponte sendo construída com dinheiro público bem do lado de outro condomínio que será erguido. Será coincidência?

Nessa foto, aparece o "carimbo" da campanha de Barjas Negri para sua reeleição do lado onde será a ponte. Será mais uma coincidência? A nova ponte, pelo visto, não têm uma explicação plausível e em vez de fazer essa que será para carros, a prefeitura deveria construir, ao longo desse trecho, mais pontes para pedestres, pois dessas têm poucas. Mais uma "obra social" inútil e cara.


Share/Bookmark

12.8.08

Minha Tréplica ao artigo da Secretaria de Educação

Agora a minha tréplica foi publicada hoje (12/08/08) no jornal A Tribuna Piracicabana. Agradeço mais uma vez ao Érich pelo espaço no jornal. Confiram:
Tréplica do educador paulista
A política praticada do PSDB há 14 anos evidencia o descompromisso com a qualidadeA Secretaria da Educação do Estado de São Paulo respondeu o meu artigo publicado nesse jornal no dia 25 de julho de 2008. Aproveitando o embalo dos debates das eleições faço aqui a minha tréplica. O pessoal da secretaria vive em outro mundo e parece nunca ter pisado em uma sala de aula ao afirmar que não há precariedade nas escolas e baixos salários. Acho que qualquer professor do estado que leu isso deu risada.O que se constata em muitas escolas é a falta de laboratórios, pois os que têm estão praticamente sucateados; salas sem ventilador ou com os equipamentos quebrados; salas lotadas com 40 alunos ou mais; às vezes falta giz e apagador; muitos materiais e até xerox das provas é o professor quem paga, além de inúmeros outros problemas que qualquer pessoa que visite meia dúzia de escolas estaduais evidenciará. As escolas bem conservadas geralmente têm que fazer de tudo para arrecadar dinheiro com alunos, pais e comunidades, realizando rifas e festas, pois geralmente empregam esse dinheiro pra consertar banheiros ou pintar a própria escola. Isso a secretaria parece não enxergar e muito menos a secretária Maria Helena e o governador José Serra, que só pensa naquilo... as eleições de 2010. A violência não é só física, mas também é psicológica e moral e sintomas como depressão e estresse atingem 46% dos educadores. Baixos salários não existem? A secretaria quer iludir os leitores dizendo que o salário médio do professor é de “R$ 1.840, o sétimo melhor do país”. Mesmo se fosse esse salário não é suficiente e ser o sétimo melhor do país sendo o estado que mais arrecada imposto e mais rico, não é motivo de orgulho. É só observar os holerites de qualquer professor com carga completa e verá que atinge pouco mais que R$ 1.500, pois ainda têm os descontos. O suposto aumento foi de apenas 5,41%, porque incorporou gratificação de R$ 80 que já era paga, ou seja, vai mudar de lugar no contracheque. Isso ainda que a inflação desde o último reajuste foi de 13,6%. Com isso é que se valoriza o professor? Com um salário desses alguém consegue viver em uma cidade como São Paulo, por exemplo? Com esse salário será que dá para pagar transporte, alimentação e materiais como livros específicos de cada área? E quem tem família?A política salarial praticada pelo PSDB há 14 anos evidencia o descompromisso com a qualidade do ensino e o desrespeito com aqueles que estão no dia-a-dia tentando, como podem, educar milhões de pessoas que serão o futuro do estado e do país.Sobre o 1º lugar de 5ª a 8ª séries no Ideb (Indicador de Desenvolvimento da Educação Básica), o que a secretaria deixou de explicar é que as notas do Brasil todo aumentaram, mas mesmo assim as notas são baixas. Segundo esse indicador, o estado paulista está junto com o catarinense com nota de 4,3 e houve uma melhora de apenas 0,1 ponto nessas séries. Já no ensino médio, São Paulo é o 6º do ranking. Por que a secretaria não usou os seus próprios dados do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo)? Nesse índice aparece a real situação do estado, onde de 0 a 10 a média do ensino médio foi de 1,4. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54. Dados oficiais de 2007 ainda mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração. O governo estadual coloca esses dados como culpa dos professores, mas se esquece do seu papel fundamental que é dar condições decentes de trabalho e remuneração digna.Acho que as “três mil propostas” enviadas por professores não deram muito certo, isso ainda que a rede conte com mais de 200 mil docentes. As propostas curriculares foram muito criticadas e contém inúmeros erros. Por exemplo, no caso da Biologia, a genética não está na grade curricular do 3º ano do ensino médio e foi transferida para o 2º ano. Outro exemplo é a grade de Ciências do ensino fundamental que foi toda misturada, fazendo com que matérias de séries anteriores tenham que ser dadas novamente. Não só os docentes reclamaram, mas também alunos que acharam absurdo aprender o que já foi aprendido. O tempo para aplicar as atividades propostas no caderno do professor é insuficiente, além de essas atividades estarem fora da realidade escolar. Portanto, a secretaria deveria ouvir mais as críticas para tentar melhorar essas novas propostas e parar de tapar o sol com a peneira com relação aos salários.
Obs: Esse texto está no site do jornal: http://www.tribunatp.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=167
Share/Bookmark

Secretaria Estadual de Educação de SP responde meu artigo

A secretaria de educação no dia 27/07/08 respondeu no jornal A Tribuna Piracicabana ao meu artigo publicado no mesmo, dia 25/07/08. Vejam as barbaridades que eles escreveram!!
"Esclarecimento da Secretaria de Estado da Educação"
" A Guia Curricular assegura que o conhecimento seja passado ao alunoA respeito de artigo publicado na sexta-feira, 25 de julho, "A situação dos professores estaduais paulistas", a Secretaria de Estado da Educação esclarece que, diferentemente do afirmado, não há situação de “precariedade da maioria das escolas” tampouco “baixos salários”. A Secretaria não “começou mal” lançando as propostas curriculares. A Guia Curricular assegura que o conhecimento seja passado ao aluno com continuidade. Veio ao encontro de anseios dos próprios educadores que, devido ao absenteísmo de professores em algumas escolas, viam o conteúdo programático prejudicado. O projeto não foi “mal elaborado” e diferentemente do afirmado contou, sim, com a participação de professores. A Secretaria recebeu mais de três mil propostas de professores, muitas delas incorporadas no projeto. Não há “atestado de incompetência”. Há preocupação com a continuidade do conteúdo. Outro erro: São Paulo está entre os líderes no ranking nacional de aprendizado. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2007, produzido pelo governo federal, São Paulo está em 1º lugar (5ª a 8ª série) entre as redes estaduais brasileiras.Não é verdade que São Paulo pague um dos piores salários do Brasil. Muito longe disso. Segundo estudo do Ministério da Educação, o professor da rede estadual paulista tem salário médio de R$ 1840, o sétimo melhor do país. Vale lembrar que este resultado é obtido de maneira diferente de alguns Estados que estão à frente de São Paulo, que ainda recebem auxílio do governo federal para este fim ou têm uma folha de aposentados extremamente menor que a paulista. O governo do Estado investe R$ 13,8 bilhões na Educação, com 80% deste gasto na folha de pagamento. O Governo do Estado definiu reajuste de até 12,2% no salário-base dos profissionais da rede estadual de Educação, a ser pago já em agosto. Diferentemente do afirmado, o aumento definido é para servidores da ativa e também para aposentados. Nunca a Secretaria de Estado da Educação mentiu sobre salários. O aumento é, sim, de até 12% do salário-base, já que houve aumento de 5% em cima da incorporação de gratificação. A incorporação é pedido dos próprios professores e é prova da valorização do professor, porque todos os aumentos que virão incidirão sobre o salário base. A “ilusão” do bônus, como diz o autor do texto, não existe. A Secretaria acredita na política de valorização do professor. A incorporação da gratificação beneficia ainda os aposentados. Esta pasta tem trabalhado pensando nos dois grupos: professores da ativa e aposentados.Não há situação de violência generalizada nas escolas. Os números caem ano a ano, e os casos são pontuais. Sobre as críticas sobre aprovação em concurso longe de casa, é justamente por isso que o decreto 53.037 prevê a regionalização dos concursos. Os professores vão poder prestar para a região em que querem trabalhar. Sobre as afirmações a favor da paralisação, a pasta acredita que, embora legítimas e de direito do trabalhador, a interrupção da jornada de trabalho dos professores acaba gerando enorme prejuízo aos alunos e, portanto, a pasta defende a importância de negociação constante com os sindicatos da categoria como uma ferramenta democrática mais eficiente.Este texto da Secretaria de Estado da Educação é em resposta ao artigo ‘A situação dos professores estaduais paulistas’, de José Humberto Venturini, professor de Biologia na rede de ensino, publicado na sexta-feira, 25, em A Tribuna Piracicabana."
Quem quiser ver está no site: http://www.tribunatp.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=146
Share/Bookmark