13.4.10

Fatos sobre a perseguição de Serra contra os professores (atualizado em 15/04/10)

A foto acima foi registrada pela agência Estado durante a repressão feita pela polícia militar (PM) contra os professores perto do Palácio dos Bandeirantes no dia 26/03/10. Aliás, esse terrível episódio eu relatei no artigo anterior. A agência disse no primeiro momento que o rapaz era um professor carregando uma policial supostamente ferida. Depois de divulgada a foto, o comando da PM divulgou nota dizendo que o rapaz não era manifestante, mas sim um policial militar do serviço reservado, chamado de P2. Ainda disseram - o que ficou mais ridículo ainda - que o policial estava apenas passando por ali naquela hora. Quanta coincidência!. Professores de Osasco disseram que este policial embarcou no ônibus deles para ir até a manifestação naquele dia, mas não conseguiram identifica-lo. Isso tudo comprova a desconfiança de muitos de que havia agentes infiltrados. Infiltrar agentes do estado em movimento grevista não era visto desde a época da ditadura militar no país. A policial carregada na foto foi atendida no hospital Albert Einstein, pois segundo a PM esta teria levado uma “paulada” na cabeça. Pela foto não dá para saber, então a equipe do jornalista Luiz Carlos Azenha apurou com o hospital. Lá disseram que a policial deu entrada e foi liberada minutos depois. Um médico do hospital disse à reportagem que se a policial tivesse levado uma paulada na cabeça, eles teriam que ter feito mais exames e fazer uma tomografia, o que levaria muito mais tempo. Então parece que não foi tão grave assim como disse a nota da PM. Também houve relatos de caravanas de professores do interior que foram parados pela polícia em praças de pedágios antes de chegar em São Paulo. Isso foi filmado pela caravana de Ourinhos que foi retida por mais de meia hora no pedágio de Barueri no dia 19/03/10. Como mostra o vídeo, policiais ainda filmaram e tiraram fotos dos ônibus e de seus ocupantes. Mais uma prova da perseguição da polícia, a mando de Serra, contra o movimento grevista. Aliás, a PM além de perseguir e agredir, também mentiu sobre as manifestações. No dia 19/03/10, por exemplo, havia no mínimo 50 mil pessoas na passeata, mas o comando policial disse que só havia 8 mil.
Olhando a foto dá pra ver a mentira da polícia. Assim também mentiu o governo tucano dizendo que só havia 1% dos docentes parados, pois só no dia dessa manifestação havia no mínimo 25% da categoria parada. É só saber fazer conta, pois arredondando o número de docentes para 200 mil, o 1% alegado pelo governo seriam 2 mil professores, ou seja, até a conta mentirosa da PM desmente esse 1% alegado pelo Serra. Outra, a PM e o governo de São Paulo alegaram que a repressão do dia 26/03/10 teve que ser feita devido a uma lei (típica de regimes ditatoriais) que proíbe manifestações na frente do Palácio dos Bandeirantes. Aliás, essa lei foi procurada pelo professor David, o qual relata em seu blog que não conseguiu achar a tal Resolução 141 de 20/10/1987. Estranho né? Já que essa lei é de 1987, então o que vale é a Constituição Federal de 1988. No artigo 5º da Constituição de 1988 diz: "XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;" . Outra, área de segurança não proíbe automaticamente manifestações pacíficas e como diz a lei federal, é só avisar as autoridades antes (o que foi feito) e o governo não tem o poder de autorizar ou não. Incrivelmente uma semana depois na despedida do Serra, o PSDB organizou uma festa e levou algumas centenas de “militantes” na frente do Palácio. Ainda instalaram dois telões para transmitir o seu discurso eleitoral e depois Serra foi para fora do prédio saúda-los. Por que a lei não foi aplicada pela polícia nesse caso? Quer dizer, quando é a favor pode.
Nesse mesmo dia da despedida do ex-governador, houve mais uma manifestação de professores na Paulista e a polícia mais uma vez tentou esvazia-la. Dessa vez, eles não deixaram o caminhão do sindicato chegar na avenida Paulista, pois ameaçaram o motorista de levar 17 multas. Mais uma prova de pura perseguição do governo Serra revelando o seu perfil autoritário e anti-democratico.
Tudo isso que foi relatado, não ganhou manchetes e indignações da grande imprensa brasileira, ou melhor, das Organizações Serra de Jornalismo. Imagino que se tudo isso tivesse acontecido na Venezuela contra o Chávez ou contra o Lula, ai sim a mídia alardearia para todos que essas ações do governo contra os professores seriam típico de um regime ditatorial.
Pra quem não conhece a situação da educação e acredita na propaganda mentirosa do governo estadual (aquela dos dois professores por sala!) também é iludido pela manipulação da imprensa contra os professores. Somos tachados de baderneiros, por exemplo, como fez o membro do conselho editorial do jornal Folha de S.Paulo e puxa-saco do Serra, Gilberto Dimenstein. Esse sujeito sem vergonha ganhou de 2006 até hoje a quantia de R$ 3.725.222,74 da prefeitura de São Paulo (Kassab) e do governo estadual paulista (Serra). Incrivelmente essa montanha de dinheiro público para o bolso desse cidadão, foi desembolsada devido à “projetos educacionais” dos governos com a sua organização chamada Associação Cidade Escola Aprendiz e foi descoberto pelo excelente blog NaMaria News. Por isso que o nobre “educador” escreve artigos parabenizando o governador e chamando os professores de baderneiros. Os xingamentos e generalizações a categoria é ainda pior no jornalismo de esgoto como a revista Veja e seus articulistas/blogueiros que são os assessores de imprensa do Serra e de seu partido. Para esses e seus seguidores (os ratos de esgoto) nós somos retratados como pessoas perigosas, sindicalistas e adjetivos chulos que não valem a pena repetir aqui. O que eles não sabem é que a maioria dos docentes que estavam nas manifestações representa o perfil médio da categoria, ou seja, eram mulheres de meia-idade, cansadas de anos de salário baixo e condições precárias de trabalho. Essas fotos abaixo ilustram os professores “baderneiros” e “perigosos” que oferecem tanto perigo para os fortes esquemas de segurança montados durante as assembléias e a repressão policial.



Vejam que são pessoas que representam séria ameaça à ordem e a segurança pública do estado. São essas pessoas que o Serra disse que não se reunia pessoalmente, pois fazem parte de uma categoria de trabalhadores “mal vistos pela sociedade”. São essas pessoas que o ex-governador prefere mandar a polícia jogar bombas a recebê-las para negociar. Os fascínoras de plantão que adoram ver tudo isso e acha normal e ainda pede punições contra os grevistas podem ficar mais felizes, pois o governo tucano já toma as atitudes ditatoriais que estes gostam e almejam em um governo. Infiltrar agentes em movimentos sociais e grevistas, prender pessoas que protestam democraticamente em eventos públicos (como fizeram com 4 professores em Franco da Rocha), usar a pura repressão contra passeatas perto da sede de governo, mentir e ocultar tudo isso com o apoio da grande imprensa são típicos de governos tucanos. A charge abaixo é para finalizar, pois exemplifica muito bem como Serra e seu partido tratam a educação.

PS: A foto abaixo é da turma de Piracicaba que foi em todas as manifestações em São Paulo. Abraço a todos.
PS 2: Esse artigo foi publicado no Jornal A Tribuna Piracicabana. Agradeço enormemente o Erich.◦
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27.3.10

O autoritarismo e violência de José Serra contra os professores

Nesta tarde de sexta-feira (26/03/2010) presenciei o horror que é a repressão policial a manifestações. Foi na Assembléia dos Professores Estaduais de São Paulo que ocorreu na frente do estádio do Morumbi, onde o intuito era chegar à frente do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual paulista). A movimentação da polícia militar (PM) era intensa e esta colocou barricadas nas ruas que levavam a sede do governo para impedir qualquer um de se aproximar do local. Depois de tomar uma chuva intensa e após começar a assembléia, nós começamos a subir outra rua, mas havia uma barreira de policiais do choque para impedir todos de passarem. Em outra rua adjacente também estava formada outra barreira de policiais da Rocam, ou seja, eles cercaram todos os acessos. Ai que entra o maior erro que é do governo em não garantir o direito democrático de ir e vir dos cidadãos, mesmo em uma passeata. Era uma manifestação de professores, pacífica e não de vândalos. Onde está a democracia? É democrático impedir uma manifestação de chegar perto da sede de um governo? Então começou haver uma aglomeração do lado da barreira do choque. A tensão estava no ar e muitos membros do sindicato estavam alertando todos para não haver qualquer confronto ou provocação. Mas a polícia ja parecia pré-disposta para o confronto. Eu estava chegando perto e sabia que qualquer pequeno motivo, ou seja, qualquer "palito" que fosse jogado contra a polícia seria o motivo para esses começarem com a violência. Foi o que aconteceu, pois quando cheguei perto pude ver alguns policiais espirrando spray de pimenta, descendo o cassetete em cima dos manifestantes e também já começaram a jogar bombas de gás lacrimogêneo e atirar balas de borracha. O estouro das bombas era ensurdecedor e o pior era o gás que intoxicava todos e fazia arder os olhos fortemente. Muitos se feriram gravemente com as balas de borracha, o que foi uma atitude covarde por parte da polícia. Teve até uma bomba, que não era de gás lacrimogêneo, que estourou perto de mim que estilhaçou para todo lado. Foi um absurdo ver professoras e professores de idade que estavam ali saírem correndo como se fossem marginais. Ai alguns começaram a revidar jogando qualquer coisa contra os policiais e o confronto se intensificou. A maioria que começou a jogar pedras não eram professores, mas estudantes universitários que apoiavam a greve. Na rua adjacente os policiais estavam mais exaltados atirando e trocando xingamentos com alguns manifestantes que começaram a jogar pedras. Os policiais correram em direção a estes e partiram para a agressão pura. Nesta hora, consegui ficar atrás dos policias junto com um cinegrafista da Bandeirantes, o qual estava perplexo e fez comentário assim pra mim: “ Esse Serra é um filhodaputa mesmo!”. Consegui filmar esse momento e também em seguida a prisão arbitrária e truculenta de um professor. Este além de algemado, recebeu socos e chutes dos policiais enquanto estava sentado no chão. Nessa hora eu estava tirando uma foto quando fui abordado de forma agressiva por um policial que chegou me empurrando, perguntando de onde eu era e mandou eu descer. E não deixou eu tirar fotos. Isso lembra muito uma ditadura e a cena da prisão deste professor e essa abordagem que eu recebi caracterizou bem isso. Também tirei foto de um policial que sacou a arma e se escondia atrás de uma árvore. Infelizmente a mídia, como sempre, deturpou novamente os fatos e reverberou e acatou somente a versão da polícia militar. Desde as outras manifestações a polícia mente sobre o número de manifestantes, pois na de hoje parecia ter umas 15 mil pessoas, mas a PM disse que eram apenas 3 mil. Na sexta-feira passada em frente ao Masp, eram no mínimo umas 40 mil e a PM disse que tinha apenas 8 mil. Nessa última manifestação, a PM fechou o espaço aéreo a maior parte do tempo, mas não sei se haveria muito interesse das emissoras em mostrar a multidão. Eu vi somente uma repórter do SBT que estava muito assustada e sua equipe também estava sofrendo com as bombas de gás. Do resto, só fotógrafos das principais agências e umas 3 jornalistas que pareciam umas “patricinhas” que também estavam assustadas com a violência da polícia, mas não viam problemas dessa em impedir a passagem dos manifestantes por uma rua. Por isso acharam que a culpa foi dos professores. Depois de chegar em casa, fui ver os telejornais e portais da internet, onde o que estava dominando a pauta das reportagens era o caso da Isabella Nardoni. Pude confirmar aquilo que eu sempre critico que é a manipulação das notícias na grande imprensa. O cinegrafista da Band filmou tudo, mas ele não edita as imagens e no jornal da noite não vi nada sobre a manifestação. Mesmo nos outros jornais a notícia foi rápida e mostrou como se nós fossemos os agressores. Nos portais e na TV disseram que os policiais “reagiram” e apenas e mostraram alguns professores feridos. Houve policiais também feridos, mas lá no meio eu vi muitos deles passando mal devido as próprias bombas de gás jogadas pelos outros colegas que estavam mais acima. A mídia, em geral, está apoiando Serra contra os docentes do estado. Boicotam a greve e dão pouco destaque as manifestações e ainda deturpam o sentido destas fazendo coro com o governo de que tudo é eleitoral. Garanto que se essa manifestação fosse na Venezuela de professores contra o Hugo Chávez, ai sim toda a imprensa iria repetir as imagens retratando os professores como vítimas de um regime ditatorial e a polícia truculenta. Mas como é o Serra, então não podem fazer muitas manchetes e reportagens negativas a seu respeito. É a mídia e o Serra trabalhando juntos para elegê-lo. No final, o governo não negociou e atrelou uma possível negociação somente com a paralisação da greve. Isso demonstrou o descaso do governo do PSDB com a educação. Faz 16 anos que estão no poder e não fizeram nada para melhorar não só o ensino, mas principalmente a situação das escolas e os baixos salários dos professores. É uma vergonha! Eles apenas investem bem nas propagandas mentirosas – essas sim eleitorais- do governo do estado de São Paulo. Também é lamentável a truculência da PM contra os professores, pois eles também recebem tão mal quanto nós. Na conversa informal com vários policiais que acompanharam a manifestação de forma pacifica semana passada e hoje, eles relatam a precariedade da situação deles. Muitos têm mais de um emprego para ter um salário mais digno no final do mês. Infelizmente a atitude da PM paulista é a repressão contra os mais fracos, ou seja, daqueles que não têm recursos pra se defender. Não tem nem um espaço na imprensa para fazer isso. É só ver como ambulantes, moradores de favelas e de terrenos ocupados, estudantes universitários e professores são tratados nas manifestações. É assim a política de negociação do (des)governo tucano com esses setores da sociedade paulista, ou seja, é na base da repressão.

Para finalizar deixo essa foto de uma professora depois da violência sofrida por ela e outros tantos que ali estavam somente reivindicando seus direitos e uma situação melhor de trabalho. Olhe bem para ela e verá que esse é o perfil da maioria do corpo docente estadual paulista. Será que ela representa uma ameaça a ordem pública? Parece ser uma “baderneira” ou vândala? Não, ela é uma professora, assim como todos nós, cansada de ser enganada e humilhada todos os dias quando enfrenta salas lotadas, sem condições de trabalho e no final receber uma mixaria. Como dizia o personagem - professor Raimundo - do Chico Anysio que naquela época já sabia: “ e o salário ó!” Abaixo os vídeos que fiz durante a manifestação:

Esse primeiro vídeo é o início da confusão:

Esse segundo vídeo são os policiais partindo violentamente para cima de alguns manifestantes:

Nesse terceiro vídeo mostra como é a ditadura do Serra contra seus opositores:

Depois dessa cena, esse professor foi obrigado a sentar no chão algemado e foi chutado e levou socos dos policiais numa atitude extremamente covarde por parte destes.


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24.2.10

Petkovic – Agente comunista disfarçado?

Parem tudo, pois a direitalha tupiniquim está com a razão. Estamos diante de um golpe para levar o Brasil a um regime socialista ou até comunista. A prova disso tudo é a propaganda favorável do jogador do Flamengo, Petkovic, ao regime socialista vivido por ele quando morava no seu país de origem: a antiga Iugoslávia. Ele disse isso no programa “cultural” da apresentadora Ana Maria Braga.Vejam:

“Viram? Que medo! Chamem a CIA, os militares, convoquem a marcha da TFP! Esse Petkovic é um agente comunista disfarçado no país para fazer propaganda socialista! Também, já tem sobrenome de comunista. Predam-no e o deportem para o seu país, hoje a Sérvia! É uma estratégia do Lula para a campanha da Dilma para implantar o regime socialista, pois o jogador é do time que tem a maior torcida do Brasil. Logo, ele convencerá esses a votarem na Dilma, pois como ela pretende impor um regime socialista, tudo vai ser como ele disse. Ta vendo. Tudo se encaixa.”
Isso que acabei de escrever é o que passa pela cabeça dos direitóides com suas paranóias delirantes. Se isso for escrito pelo blogueiro esgoto da Veja, pelos sites ultra-direitistas (se é que não escreveram) ou rodar os e-mails através daquelas correntes imbecis sobre conspirações do governo, com certeza muita gente acreditaria. Esses que acreditariam vão escrever o de sempre: que os regimes comunistas mataram 100 milhões de pessoas, como se todos fossem uma coisa só e como sempre misturar alhos com bugalhos.Para finalizar vão dizer que é conspiração do Lula e a Dilma. Agem sempre por instinto.

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18.2.10

Que Serra nos Arruda?

O escândalo envolvendo o governador do distrito federal, José Roberto Arruda (ex-DEM) e sua base de apoio de deputados distritais, atingiu o seu ápice com a prisão inédita do governador. As gravações em vídeo da corrupção, onde aparece diretamente Arruda recebendo dinheiro, chocaram o país, mas infelizmente todos sabem que isso não é exclusividade de Brasília. Logicamente que por causa disso não justifique a ação criminosa do bando de Arruda, mas seria ótimo que aparecessem mais gravações de tantas outras administrações públicas do país por ai. Geralmente esses escândalos têm interesses por trás que envolvem políticos, empresários e a imprensa. No caso do distrito federal, pode ser que haja uma mãozinha do ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), o qual é tão corrupto quanto Arruda.
O ex-partido de Arruda, Democratas (antigo PFL), que na esfera federal é oposição radical ao governo Lula não demonstrou o mesmo ímpeto “ético” que tenta passar nos escândalos que atingem o governo federal. No começo tentaram afasta-lo, mas Arruda ameaçou e com isso obrigou-os a um acordo e ele deixou a legenda. José Roberto Arruda não era nenhum “zé ninguém” dentro do partido e tinha influência com os coronéis. Já era considerado o político mais proeminente do partido, pois era o único governador eleito pela legenda, e era muito cotado para ser vice em uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, José Serra. Até 2001, Arruda era do PSDB e foi líder do governo FHC. No vídeo abaixo, Serra declara essa chapa fazendo até uma brincadeira dizendo: “vote em um careca e ganhe dois”.

Esse video foi pouco divulgado pela imprensa brasileira, pois como já citei em outro artigo, nessas eleições a grande imprensa se torna as Organizações Serra de Jornalismo, onde o intuito é blindar o governador para tentar elege-lo esse ano. Mesmo com Arruda a mídia de certa forma está “pegando leve” com as denúncias e ainda tentam colar nesse escândalo a imagem do presidente Lula. As manchetes sempre tentam jogar que Lula esta sendo conivente com o caso. Já os ex-colegas de partido que alguns defendem e outros fazem de conta que querem a punição do governador é muito pouco explorado. As manifestações contrárias ao governador em Brasília foram reprimidas violentamente pela polícia e a maior parte da imprensa fez pouco caso disso. Nas gravações também há empresas envolvidas no escândalo, as quais mantêm contratos milionários com o governo estadual paulista e o governo do município de São Paulo como mostra essa reportagem da revista Carta Capital publicada no site do jornalista Luiz Carlos Azenha.
É sempre bom fazer uma reflexão do contrário, ou seja, de como seria o comportamento dessa imprensa e a repercussão se esse escândalo atingisse o PT. A mídia corporativa tem um ranço com o PT e quase sempre qualquer minúcia envolvendo o partido é superescandalizado. Se o caso envolvesse um possível candidato a chapa de Dilma e que este já tivesse sido do PT e líder do governo Lula, ai teríamos uma superexploração do caso. Com certeza iriam fazer todas as possíveis ligações da rede de corrupção com políticos do PT, iriam repetir incansavelmente o vídeo de Dilma brincando com uma possível chapa com o corrupto e a repressão contra os manifestantes seriam tachadas de “policia stalinista” ou “bolchevique” ou ainda um prenúncio de uma ditadura contra os direitos civis em mais um governo petista. Como tudo isso envolve um político de oposição e vinculado a Serra, então o caso é individualizado e suas ramificações são muito pouco exploradas.
Aliás, essa imprensa, especificamente a “revista” Veja, pouco antes de estourar esse caso elogiava Arruda e sua gestão “eficiente”. É o que se vê nessa foto retirada das páginas amarelas da Veja onde diz que ele é o governador que deu a volta por cima.
Coincidentemente, como também mostra a nota do diário oficial do estado nessa foto, o governo de Arruda brindou a editora Abril com a assinatura da “revista” Veja totalizando cerca de R$ 450 mil em contrato de um ano.
Alem de Arruda, José Serra também gosta de ajudar financeiramente, ou melhor, retribuir o favor que seus amigos da mídia fazem para ele. De acordo com o diário oficial do estado de São Paulo, entre 2007 e julho de 2009, Serra gastou cerca de R$ 76 milhões em assinaturas sem licitação de publicações de grandes corporações midiáticas. Todas foram direcionadas para a educação, como a revista Nova Escola (editora Abril) que foi distribuida a todos professores da rede. No ano passado, já mais perto das eleições, o governo estadual paulista assinou para as escolas a revista Veja, a revista IstoÉ, o jornal O Estado de S.Paulo e o jornal Folha de S.Paulo. Tudo sem licitação e com dinheiro público financiando aqueles que fazem campanha para ele. Esse vídeo exemplifica um pouco isso. É mais um incentivo de Serra para os amigos, mas para a educação são migalhas que enfeitam a propaganda enganosa de seu governo.
José Serra tem um perfil autoritário e não gosta de ser questionado. Quando isso é feito (o que é raro) ele não responde ou responde de maneira grosseira. Ele fez isso quando um repórter da TV Brasil perguntou sobre a falta de água que afetava quase 800 mil pessoas em plena cidade de São Paulo, pois a Sabesp (que é vinculada ao estado) tinha responsabilidade. Serra foi ríspido na resposta e reclamou da pergunta, ou seja, tem seguir o manual que a grande imprensa segue quando o entrevista não fazendo nenhuma pergunta incômoda. O vídeo pode ser visualizado aqui. Dias depois, quando a cantora Madonna veio ao Brasil e foi recebida por ele e seu “secretário da educação” no Palácio dos Bandeirantes, ai ele falou bastante quando foi perguntado sobre o que conversou com ela. Serra disse que a cantora vai tocar um projeto voltado para a educação, onde o estado de São Paulo não irá gastar nada e vai “entrar apenas com as crianças”. Investir em educação não é plano de governo dele nem do seu partido.
Para finalizar e exemplificar como o governador se preocupa com o interesse público, o vídeo abaixo mostra que ele faz por merecer o apelido que ganhou na internet: Zé Pedágio. Os pedágios são as verdadeiras políticas de governo do PSDB no estado de São Paulo e as empresas certamente garantem uma boa ajuda para estes durante a eleição. Vale lembrar que além de pagarmos o IPVA mais caro do Brasil, também temos que arcar com os pedágios mais caros do país. A implantação de praças de pedágios está a todo vapor e cada vez mais está ilhando cidades inteiras. Só a região de Campinas é cercada por 22 pedágios. É a sanha privatista entreguista de Zé Pedágio.

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5.2.10

As Organizações Serra de Jornalismo

Esse ano eleitoral de 2010 vai mostrar mais uma vez a parcialidade partidária e ideológica da grande imprensa brasileira. As principais corporações midiáticas brasileiras (Globo, Grupo Folha, Estado, Grupo Abril e Bandeirantes) manipulam informações para atender interesses de classe, empresariais e políticos. Em 1964, por exemplo, esta deu apoio ao golpe de estado e hoje é comprometida politicamente com partidos políticos de espectro ideológico de direita.
Desde que Luís Inácio Lula da Silva foi eleito em 2003, a imprensa não se conformou de esse governo não ter feito o que eles esperavam, ou seja, ser um desastre econômico e social. Com isso, esta passou a atuar em conjunto com a oposição contra o governo Lula, transformando-se quase em um partido político. Há os que chamam a grande imprensa brasileira de Partido da Imprensa Golpista ou PIG e as corporações de porcorações mafio-midiáticas, as quais refletem bem o que estes são hoje em dia. Vale lembrar que no caso do Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT), a grande imprensa sempre trabalhou contra os seus candidatos, sendo a eleição de 1989 com a manipulação do debate entre Collor e Lula pela Globo, emblemática. Muitos estudos de observação das notícias favoráveis e contrárias dos jornais durante as eleições revelam essa parcialidade partidária, onde os candidatos petistas, por exemplo, sempre tem índices de noticias negativas bem superiores ao dos adversários.
O ativismo político da mídia não se manifesta apenas em período eleitoral, pois desde a eleição e reeleição de Lula, isso se tornou permanente. Obviamente há candidatos e partidos que tem certa preferência pelas grandes corporações midiáticas que no caso atual é o PSDB e o governador José Serra. Isso se evidencia pela falta de investigação, cobrança e críticas as ações do governo estadual e ao contrário, o que se vê geralmente em editoriais é elogios e apoio. No estado de São Paulo, a mídia fecha os olhos para os problemas e quase nunca relaciona fatos negativos com o partido que governa o estado e muito menos o governador. As “crises” que a mídia propaga são só federais, as quais muitas vezes não passam de factóides, e em São Paulo são problemas localizados. Só para lembrar, tem o escândalo Alstom que é a investigação pelo Ministério Público da Suíça sobre o pagamento de propina a políticos tucanos, o qual rendeu algumas reportagens, mas ninguém na imprensa saiu atirando e tachando o PSDB de corrupto. As diferenças de tratamento de escândalos e relaciona-los a políticos e partidos também é grande. Por exemplo, no chamado “mensalão” de 2005, ficou tachado como “mensalão do PT” e quando se verificou que o esquema começou com um tucano em Minas Gerais, isso foi apelidado de “mensalão mineiro”. Outros acontecimentos no estado que foram relativizados pela imprensa, além dos já citados: abertura da cratera do metrô e as suspeitas de superfaturamento de obras como o Rodoanel; briga campal e ao vivo das duas polícias do estado; reivindicação de melhores salários de professores e policiais e a farra dos preços abusivos dos pedágios no estado. O acontecimento mais recente são as constantes enchentes, principalmente na cidade de São Paulo, que já matou mais de 60 pessoas e desabrigou outras milhares no estado. Tudo isso não é cobrado do governador pela imprensa, pois tucanos não gostam de perguntas incômodas e geralmente os jornalistas obedecem isso, com poucas exceções. Se Serra é questionado, geralmente ele coloca a culpa no PT e pronto. Agora, se o governador fosse petista, ai a mídia cairia em cima e investigaria todas as minúcias para acusar o partido e o governante de algo. Um exemplo é quando a cidade de São Paulo era governada pela petista Marta Suplicy. Nessa época, as enchentes da cidade eram todas culpa da Marta, mas agora a culpa é de São Pedro e, segundo o Serra, somente do povo. Hoje, o governo Serra nem é responsabilizado pela falta de manutenção do desassoreamento do rio Tietê. Quando houve um dos piores alagamentos em São Paulo no começo de dezembro do ano passado, Serra e Kassab estavam sendo premiados em uma festa de celebridades do Luciano Huck. Não vi nenhuma manchete sobre isso, mas lembro de uma da Folha, durante a gestão Marta, reclamando que enquanto a cidade sofria com alagamentos ela estava em Paris. Atualmente a colunista do mesmo jornal Eliane Cantanhêde questionou onde estava o governador do Rio de Janeiro quando ocorreram as enchentes e desabamentos no estado, mas aqui ela não faz o mesmo com Serra.
Desde que Dilma Roussef foi definida como preferida de Lula para sua sucessão, essa passou a ser o alvo preferido da imprensa. Exemplo disso foi a manipulação descarada do jornal da Band e seu polêmico e preconceituoso âncora Boris Casoy ontem (04/02/10) no jornal da noite. Depois de uma reportagem sobre a polêmica da compra dos caças franceses e outra sobre o balanço do PAC, Boris atacou o governo com suas ilações costumeiras, geralmente as mesmas da oposição, e finalizou comparando Dilma com José Serra. Quando se referiu a José Serra, além de exibir um grande sorriso, Casoy destacou trecho da revista The Economist, a qual elogiava Serra por sua gestão no estado e que seria uma pena o país perder de eleger um ótimo governante. Em seguida uma reportagem sobre os dois novos ocupantes da justiça eleitoral em São Paulo, onde um deles elogia o governador e depois ele é entrevistado pelo jornal, fechando o bloco. Foi uma manobra jornalística clara em favorecer o governador. Interessante que o Lula foi e é elogiado pelo seu governo e tido como estadista não só pela The Economist, mas também pelas maiores e melhores publicações do mundo e nunca vi nem Boris e nenhum outro jornalista da grande imprensa fazer referencia a essas publicações quando essas citaram o presidente. Mais uma vez, se o presidente fosse tucano e o Brasil estivesse nas mesmas condições de hoje, certamente a abordagem midiática seria totalmente chapa-branca. Iriam fazer estardalhaço com todos os índices positivos, tanto econômicos quanto sociais, e exaltariam o presidente tucano como o maior estadista de todos os tempos. Mas isso não aconteceu então todos os avanços econômicos e sociais do atual governo é devido as políticas tomadas pelo governo anterior, que era tucano. É isso que a grande imprensa tenta afirmar e no jogo do poder ela entra firme e ativa em apenas um dos lados. É incrível, mas quando vejo noticias sobre outros países, há sempre uma tal “mídia de oposição”. Lógico que isso geralmente só ocorre em países onde a esquerda governa. Só aqui que a imprensa diz ser imparcial e honesta. Nesse ano eleitoral, a mídia vai trabalhar mais firmemente para eleger seu candidato que é o José Serra. Com isso, esta se transforma nas Organizações Serra de Jornalismo.

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2.2.10

Rap do Boris - Direto de Piracicaba


Esse vídeo-clipe do rapper piracicabano Daniel Garnett ou Daniel Epô está circulando na internet, inclusive em sites como do jornalista Luiz Carlos Azenha. O vídeo e a música são sobre a humilhação que o Boris Casoy fez com os garis naquele episódio grotesco, o qual já foi comentado aqui no blog. A música é perfeita e uma verdadeira bofetada na cara do jornalista e daqueles que concordam com ele. Pelo myspace do rapper, percebe-se que o cara é um talento e muito criativo. O clipe da música “Isso é uma vergonha” já está conhecido como “Rap do Boris” e mostra muitas imagens de Piracicaba. No começo o rapper aparece no rio Piracicaba e ao fundo a cachoeira conhecida como “Véu da Noiva”. Em seguida as imagens são do Engenho Central e do cara fazendo malabares entre a avenida Armando Salles e a Rua Prudente de Moraes. É muito satisfatório ver conterrâneos com senso crítico e criatividade em expressar a revolta e indignação de todos que condenaram o ato de Boris CCCasoy. Parabéns ao Daniel Garnett “Epô”.


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28.1.10

Tragédia, Preconceito e Interesses no Haiti

A tragédia causada pelo terremoto no Haiti matou até agora cerca de 100 mil pessoas e desabrigou 3 milhões. Uma catástrofe sem precedentes e que gerou mobilização mundial, de líderes políticos até artistas, para a causa humanitária desesperadora que passa o país. Mesmo que muitos usem isso, principalmente artistas, para fachada ou para atrair holofotes, toda a ajuda é bem vinda. O Brasil tem papel importante no país, pois está desde 2004 cumprindo missão de paz e estabilização pela ONU, os quais também sofreram baixas. O que foi pouco divulgado e discutido foi o histórico de invasão e manipulação política-econômica que os EUA exerceram no Haiti. Divulgam a história bonita que é ser o primeiro país a abolir a escravidão em 1794 e posteriormente derrotou os franceses, mas pouco falam sobre o bloqueio imposto pelos países escravistas por 60 anos devido a esse ato de "rebeldia". Os norte-americanos invadiram o país em 1915 e ficaram no poder até 1934 para cobrar dividas do Citibank e mudar a lei para permitir a venda das plantations aos estrangeiros, conforme revela o escritor Eduardo Galeano em seu excelente texto intitulado “ A história do Haiti é a história do racismo na civilização ocidental”. Além disso, os norte-americanos apoiaram diretamente as ditaduras mais sangrentas, como a dos Duvallier e o terror dos Tonton Macoutés e colocaram e retiraram Jean- Bertrand Aristides do poder. O terror e miséria do país é conseqüência direta da intervenção e imposição dos interesses dos EUA no país e ainda há os que reclamem da ajuda tanto humanitária quanto mais monetária que os países estão mandando. É triste ver como há pessoas sem um pingo de humanidade não quererem que seus países ajudem financeiramente o Haiti. É o que ocorre tanto nos EUA como no Brasil em muitas manifestações que tem na base o preconceito religioso e o racismo. O próprio cônsul do Haiti no Brasil expôs isso na Televisão sem saber que estava sendo filmado e pelo mesmo caminho grotesco foi o pastor evangélico da TV norte-americana Pat Robertson. Ambos enveredaram pelo mesmo “argumento” de que o desastre também teria sido conseqüência dos rituais de Vodu seguidos pela maioria dos haitianos. No caso desse pastor e outros conservadores dos EUA, eles apelaram em rede nacional para que a população dos EUA não doasse nada para o Haiti para não favorecer as políticas do Obama. Nesse aspecto, os conservadores de lá tem muitas semelhanças com os daqui, pois aqui não perderam tempo em criticar o governo Lula pela ajuda de cerca de 300 milhões de reais para o Haiti. O Brasil também esta passando por tragédias naturais como as enchentes que já mataram e desalojaram muitas pessoas, mas não se compara com o que ocorreu no Haiti. Aqui o governo esta ajudando e já anunciou ajuda as famílias afetadas, mas o oportunismo político para atacar Lula não é desperdiçado, como é o caso desse infeliz da RBS TV do Rio Grande do Sul chamado Lasier Martins. Clique aqui e veja o quanto uma pessoa pode ser ridícula e sem-vergonha e como pode ser manipulador um jornal. Aliás, no caso das enchentes aqui em São Paulo ninguém questiona ou critica o governador José Serra, que nessas horas some e aparece em situações estratégicas para os holofotes da mídia.
Uma outra noticia, que saiu no jornal britânico The Guardian e traduzida pelo site do jornalista Luiz Carlos Azenha, me deixou estarrecido. Há apenas 90 quilômetros do desastre no norte do Haiti, precisamente em Labadee, transatlânticos luxuosos ainda atracam em praias alugadas pelas grandes companhias de cruzeiro para os seus passageiros nadarem, andarem de jet ski e curtirem aprazivelmente o lugar bonito cheio de florestas. Essas praias são praticamente privatizadas e são seguras por homens fortemente armados, ou seja, ninguém quer ver haitianos famintos “invadindo” esses lugares que se tornaram “privados”. Aliás, o mesmo ocorre em muitas praias onde há resorts aqui no Brasil. A desculpa das empresas e autoridades haitianas, certamente corruptas, é de que investiram milhões para reformar o lugar e dão empregos há alguns haitianos, ou seja, como sempre retribuem com migalhas ao povo. Isso sim é um absurdo e mostra que mesmo um país que já passou por muitas tragédias, sendo essa a pior, os intere$$e$ acabam prevalecendo.
OBS: Este texto foi publicado no jornal A Tribuna de Piracicaba.

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14.1.10

O passado de Boris CCCasoy e o PIG

Em 1968, precisamente dia 9 de outubro, a revista O Cruzeiro ( a qual não existe mais) publicou uma reportagem sobre o movimento Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O repórter se encontra com alguns de seus integrantes e traça o perfil de cada um deles, de acordo com o que viu e ouviu dos próprios membros do grupo. Esse grupo de cunho nazista era formado supostamente por personalidades como o âncora do jornal da Band Boris Casoy. Sim, aquele preconceituoso e racista que humilhou e debochou de humildes garis com seus coleguinhas de estúdio. Há outros também que supostamente faziam parte do bando e colaboram hoje na grande imprensa brasileira como: o advogado Roberto Ulhoa Cintra, que hoje é colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e escreve artigos para o mesmo; o outro advogado Lionel Zaclis, o qual é articulista da Folha de S. Paulo. Há também o caso de outro suposto membro do CCC, Cássio Scatena que também é advogado, teria assassinado o operário Nelson Pereira de Jesus por reclamar do salário.
Portanto, esse é um pouco do perfil atual desses que teriam sido membros do CCC. A reportagem completa da revista está abaixo e é só clicar na imagem para ampliá-la.





Essa reportagem foi achada pelo blog hilário e crítico Cloaca News, o qual também refez o cartaz da revista sobre os integrantes do CCC e trocou com os atuais membros de outra organização que se transformou em partido político que é o Partido da Imprensa Golpista (PIG). Esse termo surgiu ma internet e é usado para denominar a grande imprensa brasileira. O "novo" cartaz está abaixo e também é só clicar para ampliá-lo.


Abaixo os nomes dos membros do PIG:
Primeira fila - Otávio Frias Filho, Mônica Waldvogel, Ricardo Boechat, Reinaldo Azevedo, Nélson Sirotsky, Arnaldo Jabor, Fernando Mitre
Segunda fila - Diogo Mainardi, Eliane Cantanhêde, Alexandre Garcia, William Waack, William Bonner, Lucia Hippolito, Josias de Souza
Terceira fila - Augusto Nunes, José Nêumane Pinto, Joelmir Betting, Merval Pereira, Clóvis Rossi, Miriam Leitão, Carlos Alberto SarDEMderg
Quarta fila - Boris Casoy, Renato Machado, Roberto Civita, Ricardo Noblat, Ali Kamel (o ator)


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13.1.10

O avanço da democracia – PNDH-3

O lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) pelo governo federal provocou a ira dos setores mais retrógrados e conservadores da sociedade brasileira: conservadores políticos, ruralistas, a grande imprensa e suas entidades patronais e os militares. Como se pode observar é uma minoria que esta fazendo um alarmismo infantil em torno das questões sérias que são trazidas pelo programa, ou seja, atira primeiro pra depois perguntar. Eu sempre enfatizo que se esses setores estão contra, então pode ter certeza que vai ser bom para o país.
O PNDH-3 nada mais é do que diretrizes para orientar a atuação do poder público perante as questões dos direitos humanos, o qual é bastante abrangente, e segue todas as convenções internacionais sobre os direitos humanos. A elaboração deste começou em 1996 com a publicação do PNDH-I e revisado em 2002 com o PNDH-II no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Portanto, não é um programa do governo Lula, mas sim um programa de estado. Isso representa um avanço enorme no amadurecimento da democracia no país, pois traz a tona diversas questões polêmicas para serem debatidas pela sociedade para que essas não sejam escondidas ou simplesmente esquecidas como querem os críticos do programa.
Já era de se esperar que os militares iriam chiar contra o programa, pois esse traz o assunto sobre as torturas e assassinatos do período militar e indica que esses devem ser apurados. Ora, o Brasil ainda tem centenas de desaparecidos políticos desse período e houve tortura e assassinato pelo poder militar na época o que não é passível de anistia, segundo a Corte Internacional Penal. Então os fatos devem ser apurados e é isso que o PNDH sugere. Mas os militares, assim como seus ventríloquos na mídia e parte mínima da sociedade, alardeiam que o documento quer punir os crimes da época e acabar com a lei da anistia, o que não é verdade. Seria bom se esse documento pudesse fazer isso, pois a países como Argentina, Uruguai, Chile e Espanha estão fazendo isso e o Brasil está atrasado nessa questão.
Sobre a questão das ocupações de terra, o documento sugere que sejam feitas audiências dessas para diminuir a violência no campo. Isso é bom e positivo, pois vai ouvir o outro lado que nunca é ouvido e diminuir os conflitos agrários, os quais provocam a morte de muitas pessoas, que em sua maioria são: pobres do campo, integrantes de movimentos sociais, indígenas, quilombolas, religiosos ou qualquer um que questione os “poderosos” do campo. Essas audiências poderão também finalmente verificar o que os movimentos sociais estão denunciando nessas ocupações, pois é fato que a maioria dessas grandes “propriedades” não cumprem sua função social e boa parte dessas são griladas. As entidades ruralistas e seus representantes no Congresso, como a histriônica senadora Kátia Abreu, estão esperneando contra isso, pois são os maiores responsáveis pela: violência no campo, devastação dos biomas e a degradação do trabalhador rural. Há a questão do trabalho escravo, o qual esses também são contrários às fiscalizações e possíveis punições. Os ruralistas querem é que a política no campo seja a da violência empregada pela polícia nas reintegrações de posse e que o estado brasileiro deixe-os empregar trabalhadores da maneira que eles bem entenderem.
O pior é o que a grande imprensa está fazendo sobre o assunto e está cometendo uma das mais graves manipulações nas reportagens sobre o assunto para tentar enganar a população. Dissimulam e traz de volta velhos clichês da época da guerra fria para tachar o documento de ideológico e tem até aqueles (os mais loucos e paranóicos) que identificam no programa uma preparação para a instalação de uma “ditadura comunista”. Destaque para os jornais televisivos da Globo e Bandeirantes, pois quando o assunto é apurar o que houve no regime militar, estes sabem muito bem que além de apoiarem o golpe, também foram coadjuvantes nas ações dos torturadores e assassinos do estado. Vale ressaltar que o grupo Folha cedia suas peruas para transporte de presos políticos aos centros de tortura e a Globo foi a maior beneficiada com as concessões durante a ditadura, o que fez com que a sua transmissão cobrisse todo o país. A mídia brasileira é por natureza antidemocrática, ou seja, não é aberta a diversidade de opinião e pensamento. Para elaborar as “reporcagens” e “debates”sobre o assunto, são pinçados seletivamente “especialistas”, ou seja, somente aqueles que vão dizer o que previamente eles querem. É o que aconteceu com o jornal da Band com o âncora preconceituoso declarado Boris Casoy, onde a reportagem simplesmente inventou coisas que não há no programa e para “certa”legitimidade foi ouvir um “especialista” da “sociedade civil”, que nesse caso foi o tributarista Ives Gandra Martins. Esse é um notório reacionário direitista que sempre é chamado para dar sua “opinião” na grande imprensa, assim como outros “imparciais” como Bolívar Lamounier que é militante tucano. É assim que é na imprensa brasileira, onde esses tipos de “reporcagens” ou “debates” parecem mais um jogo de futebol com um time só jogando, onde um jogador cruza para o outro somente cabecear e fazer o gol. O jornal da noite da Globo do “assustador” William Waack tentou distinguir o PNDH do Lula com o de FHC. Pinçou algumas minúcias, ou seja, pequenas palavras diferentes para somente atacar o governo Lula para fazer o jogo da oposição nesse ano eleitoral. Aliás, o real motivo dessa histeria da imprensa são as eleições deste ano, pois ela se calou e até foi favorável a esse programa quando foi lançado em 2002 durante o governo FHC, como demonstra o jornalista Marcelo Salles aqui. Recomendo o ótimo texto do ex-governador de São Paulo e professor Cláudio Lembo (filiado ao DEM) publicado no Terra Magazine intitulado "Vá á fonte". Admiro o Cláudio Lembo pela independência nas suas opiniões e além de tudo é coerente com o que pensa, embora não pense igual a ele. É raro ver na direita alguém assim, pois ele até já enfrentou os coronéis do seu partido e não cede ao jogo político e sujo nas suas observações e críticas.Quem quiser seguir o conselho dele e ir direto a fonte clique aqui para baixar o documento. Há raras exceções na imprensa que às vezes esses não conseguem esconder, como a entrevista da CBN com o formulador do segundo PNDH no governo FHC, Paulo Ségio Pinheiro. Este passou um sabão no repórter e na imprensa em geral e sua entrevista é esclarecedora. Quem quiser ouvir é só clicar abaixo:

Portanto, parabenizo o Paulo Vannuchi e todos que colaboraram para a formulação desse PNDH - 3, essencial para a sociedade e que finalmente norteia o estado brasileiro a agir a favor dos direitos humanos.

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8.1.10

A Música Clássica na Rússia Stalinista

Outro dia assisti um documentário chamado “Cenas da Vida Musical na Rússia Stalinista” no canal Eurochannel. O filme mostra grandes músicos que despontaram antes e depois da revolução bolchevique em 1917, sendo que alguns já eram consagrados como os maestros Rachmaninoff e Prokofiev. É abordado as dificuldades e condições impostas aos músicos e maestros pelo regime soviético, o qual teve o período mais violento na era Stalinista. Mesmo assim, surgiram músicos e canções fascinantes naquele período como o maestro Gennady Rozhdestvensky , o qual é entrevistado. O documentário me despertou curiosidade, pois gosto bastante de música clássica, embora não seja um especialista, pois toco um pouco de piano e adoro as principais obras dos autores clássicos mais famosos como Chopin, Mozart, Beethoven, Bach dentre outros. Não conhecia esses maestros e músicos russos e fiquei impressionado de ver alguns vídeos disponibilizados na internet de apresentações destes e também mostrados no documentário. As canções clássicas da Rússia feitas na época eram de grande intensidade, começando pelo belo hino soviético que é o mesmo da Russia atual, com modificações em partes da letra, as quais foram retiradas menções ao comunismo. Também tem a cantata de Prokofiev feita em comemoração ao 60º aniversário de Stalin chamada Zdravitsa, que é uma composição muito bonita, mas infelizmente sobre um ditador sanguinário que foi esse líder soviético.
Por isso reproduzo três vídeos para quem tiver paciência e gostar de apreciar a música clássica.
O primeiro vídeo é do excelente pianista ucraniano Richter,onde parece estar um pouco acelerado, mas mesmo assim revela a técnica e precisão que ele tinha. A obra parece ser de Schubert:

O segundo video é do pianista russo Gilels tocando um prelúdio lindo de Rachmaninoff:

O terceiro e ultimo vídeo é um vídeo amador de uma apresentação da orquestra de Moscou executando uma canção patriótica soviética muito bonita chamada “Sacred War” composta por Alexander Alexandrov em 1941, o mesmo compositor do hino da União Soviética:

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6.1.10

Isso sim é uma Vergonha, Casoy!

Boris Casoy, âncora do jornal da Bandeirantes, deixou cair a sua máscara em um áudio vazado durante o final da reportagem e o intervalo, como mostra o vídeo acima. Ele debocha dos trabalhadores da limpeza pública por estarem “eles” desejando feliz ano-novo e ainda diz que são “o mais baixo da escala do trabalho”. O tom com que proferiu essas frases mostrou a sua arrogância e prepotência com que humilhou os garis e depois tentou se retratar com um pedido bem fajuto de desculpas no outro dia. Quem conhece essa figura que é Boris Casoy, sabe que ele é um ultra-reacionário e que emite as opiniões mais estapafúrdias e estúpidas na televisão brasileira. Aliás, Boris fez até escola, tanto que outros como o âncora do jornal do SBT Carlos Nascimento tenta ser pior que ele. Na verdade, essa fala do Casoy apenas evidencia o sentimento que a nossa grande imprensa tem com o povo pobre trabalhador brasileiro: nojo. É isso! Não foi um pequeno “escorregão”, “deslize” ou “gafe” do jornalista, mas é o que não só ele pensa, mas também como a maioria dos que fazem parte da grande mídia. Quando William Bonner está elaborando a pauta do Jornal Nacional, ele se refere ao telespectador como “Homer” (Homer Simpson), ou seja, são idiotas ignorantes. É esse sentimento de nojo e desprezo que estes têm não só com os garis, mas com todos os pobres que ocupam, segundo Boris Casoy, “o mais baixo da escala do trabalho”. Se o trabalhador for pobre e integrante de movimentos sociais, como os sem-terra e sem-teto por exemplo, ai o preconceito e virulência nas críticas são piores ainda. O grupo Bandeirantes ainda demonstrou mais preconceito e arrogância ao não atender e nem aceitar a entrega de uma carta do Sindicato dos Garis de São Paulo. Infelizmente, hoje em dia, os grandes meios de comunicação contam apenas com jornalistas que tem esse mesmo “senso” do Boris Casoy e William Bonner. O jornalista e escritor norte-americano Gay Talese disse em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura que hoje os jornalistas não são mais aqueles provenientes da classe trabalhadora ou chamada “classe mais baixa” como era no tempo dele. Hoje a maioria é proveniente da mesma classe dos que ocupam o poder político e empresarial, por isso têm praticamente os mesmos "pré-conceitos". Segundo ele, se perdeu o contato com o dia a dia do povo do qual ele também fazia parte. Isso cabe perfeitamente para a imprensa brasileira e explica o sentimento rancoroso de parte dessa com os pobres.

OBS: Esse desenho é do excelente Latuff.

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29.12.09

O empresariado nacional e a ditadura brasileira


Esse é o trailer de um documentário chamado “Cidadão Boilesen” que mostra a cooperação financeira e física que o industrial dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Boilesen deu aos torturadores e assassinos da ditadura militar brasileira. O filme é dirigido por Chaim Litewski, o qual fez um trabalho minucioso com entrevistas, trechos de filmes e outros recursos para traçar o perfil sádico desse empresário, o qual foi assassinado pela guerrilha em 1971. Isso revela como a ditadura obteve apoio de alguns empresários, tanto pela simpatia ao regime quanto pela coerção. No caso de Boilesen, ele se aproximou do regime e arrecadou fundos de outros empresários para sua sanha anticomunista na época, tanto que participava das sessões de tortura e ainda ajudou a sofisticar os métodos de tortura do DOI-Codi. Outros empresários também foram entusiastas e colaboracionistas do regime e também estavam marcados para morrer como: Pery Igel (dono do grupo Ultra) e Sebastião Camargo (fundador da empreiteira Camargo Corrêa).
O golpe de 1964 foi uma tragédia na história do Brasil, pois solapou as instituições democráticas e torturou e assassinou aqueles que achavam ser “subversivos” ou colaboracionistas destes. Além de fazer alianças com outras ditaduras sul-americanas através da Operação Condor, a qual resultou entre tantos assassinatos, na morte do presidente deposto João Goulart (Jango). Mas o golpe militar brasileiro não foi um clamor da sociedade como dizem alguns que querem reescrever a história com essa falácia, os mesmos que agora tentam dar legitimidade ao golpe em Honduras. Documentos secretos dos EUA liberados há pouco tempo revelaram que o golpe foi financiado pela CIA e apoiado militarmente pelo país. Lógicamente tudo isso se deu no clima da guerra fria. O embaixador Dr. Gordon em 1976 admitiu que o governo norte-americano estava pronto para intervir militarmente no país, caso a esquerda alcançasse o poder. Por isso, sem o apoio dos EUA o golpe de 64 não existiria.


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22.12.09

Papai Noel velho batuta

Sempre achei contraditório uma data que para os cristãos comemora-se o nascimento de Jesus Cristo com esse frenesi consumista e adoração ao Papai Noel, o qual foi criado pela propaganda de refrigerante. No Brasil, país tropical e extremamente quente nessa época do ano, imitamos os irmãos do norte e colocamos em casa uma árvore que nem é da nossa flora e ainda acrescentamos algodão para parecer neve. Os shopping centers viram um lugar sagrado, mais do que as igrejas, e exibem decorações q fazem parecer que você está na Europa.
Para não dizer que não entrei no "espírito natalino", posto esse vídeo de uma canção linda de natal. Essa bela música é da banda punk Garotos Podres e a letra é bem sarcástica, assim como todas as letras deles. Confiram:


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21.12.09

Democratização do meios de comunicação e a Confecom

Começou na segunda-feira (14/12/2009) a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em Brasília, promovida pelo governo federal para finalmente democratizar o setor de comunicações. O evento envolve sociedade civil organizada, setor empresarial e poder público, com debates e votações de pautas para organizar políticas públicas que equilibrem muitos aspectos negativos desse setor, como por exemplo, a concentração das concessões de rádio e televisão nas mãos de poucos grupos empresariais e políticos. Esses grupos são controlados por verdadeiras famiglias (em alusão ao sentido de “famiglia mafiosa”)que se tornaram dinastias no setor e atuam não apenas no campo da comunicação, mas também no campo político-empresarial. As dinastias midiáticas são principalmente: Famiglia Marinho (Organizações Globo), Famiglia Civita (Editora Abril – Veja), Famiglia Frias (Grupo Folha), Famiglia Mesquita (Grupo Estado), Famiglia Saad (Grupo Bandeirantes). Embora agora também tenha outros grupos como a Rede TV e a Record que estão crescendo, mas ainda não tem o poder dos grupos citados.
No campo político é óbvio e claro o partidarismo e engajamento político da grande imprensa em favorecer alguns políticos, como estão fazendo com o José Serra, e alguns partidos, como o PSDB, por exemplo. No espectro ideológico são identificados com a direita e até a extrema-direita (caso da revista Veja) e com isso fazem uma “seleção” de notícias e censuram aqueles que não pensam da mesma maneira. Mas perante a opinião pública dizem que são “imparciais”, “ a favor do Brasil”, “com rabo preso com o leitor” dentre outras mentiras. Não há diversidade de opinião na grande imprensa, assim como não há debate com posições antagônicas (com raras exceções), mas apenas um monólogo e um discurso único. A verdade factual e apuração dos fatos, que são essenciais na prática de um verdadeiro jornalismo, passam longe das reportagens da mídia empresarial. Ainda na política, os principais meios de comunicação se tornam verdadeiros partidos políticos atuando como apêndice ou até liderando setores empresariais e políticos contra seus adversários. No campo empresarial, um exemplo didático é a defesa por parte da mídia do banqueiro condenado Daniel Dantas, pois esse tem boa parte desta trabalhando a seu favor e consegue angariar setores do governo e oposição.
Os empresários da comunicação reclamam do governo, mas querem que as gordas verbas de publicidade pública sejam destinadas somente à eles. O governo Lula fez certo ao desconcentrar a verba que era quase que inteiramente destinado a grande imprensa e afiliados, pois não alterou a quantia de dinheiro e distribuiu esse para diversos ramos e veículos menores da comunicação. Lógicamente que a mídia chiou e acusou o governo de “financiar” os que eram supostamente favoráveis ao governo e que isso era tentativa de “asfixiar” o “jornalismo independente”. Não sei de onde tiram esse tal “independente”. Quando isso não basta, começam a dizer também que o governo quer calar a imprensa, inclusive com a convocação da Confecom. Já é um discurso batido que não corresponde aos fatos e muito menos a realidade. São pretextos falsos para esses grupos fazerem alarde com aquilo que eles acham que é certo. Uma prova disso é que seis entidades patronais do setor de comunicação abandonaram a Confecom: Associação Brasileira de Emissoras de Radio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Internet (Abranet), Associação Brasileira de TV por Assinatura, Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Brasil, Associação Nacional dos Editores de Revistas e Associação Nacional de Jornais (ANJ). Alegaram o bla bla bla de sempre dizendo que a Confecom era jogo marcado e dominado por sindicalistas, terceiro setor e governo. Pura mentira para não ter que dialogar e ser criticada durante a conferência, pois os grupos de trabalhos (GT) foram assim divididos:
1) Sociedade civil tem 40% dos delegados e poderá aprovar 4 propostas em cada GT
2) Empresários têm 40% dos delegados e poderão aprovar 4 propostas em cada GT
3) Poder público tem 20% dos delegados e poderá aprovar 2 propostas em cada GT

Isso revela a face autoritária e antidemocrática dos empresários, pois eles acham que somente eles têm o direito de decidir sobre o setor. Dizem defender a liberdade de imprensa, mas no fundo querem somente a liberdade de empresa.
A sociedade poderá perceber os frutos dessa conferência quando: não tiver mais somente 4 ou 5 canais para assistir na TV aberta; não tiver que agüentar canais com pastores evangélicos dia e noite pregando nos poucos canais que restam; puder assistir diferentes jogos de futebol em canais diferentes; não ver a mídia local ou regional nas mãos de políticos da sua cidade; puder ter uma programação televisa diversa no domingo sem ter que optar entre Faustão ou Gugu, quando as opiniões de leitores que discordam da revista ou do jornal forem publicadas ou de ver debates com pessoas com pontos de vistas contrários, ouvir rádios comunitárias que não precisem ficar na clandestinidade, puder ouvir rádios sem o jabá, etc. Será que existe alguém que gosta dessas situações?
Tudo isso poderá mudar com a Confecom por isso ela é importantíssima para a democratização dos meios de comunicação. Para isso deve contar com todos os setores dialogando e tentando chegar a consensos mínimos para garantir a verdadeira liberdade de imprensa e de expressão. Isso poderá levar a sociedade brasileira a mudar, questionar e não ter medo de fazer isso. É uma oportunidade que não deve ser desperdiçada, mas sim ampliada e ser um instrumento de toda a sociedade e não apenas uma pequena parte desta.

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19.12.09

Manifestação a favor do câncer de pele

Sim, o título está correto, pois foi o que aconteceu em Porto Alegre e São Paulo em protestos contra a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de proibir o uso das câmaras de bronzeamento artificial. A foto mostra bem a cara desse Brasil reacionário e ignorante e são os mesmos que se julgam a “parte informada e pensante do país”. A agência segue uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde), onde ficou provado que a quantidade de raios ultravioletas que saem das câmaras artificiais é 8 vezes maior do que aquela emitida pelo sol em horário de risco. A chance de desenvolver câncer de pele é 75% maior e segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que apóia a decisão da Anvisa, o uso indiscriminado leva ao envelhecimento precoce da pele. Mesmo assim, os manifestantes parecem que não sabem que vivem em um país onde o sol não falta e preferem os raios ultravioletas cancerígenos. O impressionante é ler o conteúdo dos cartazes, pois a alienação vai tão longe que escrevem Brasil com “z”, como mostra a foto. Tem mais, dizem que o país voltou a ditadura, amam o bronzeamento e que o “Lula colocou um ditador na Anvisa”. Mais uma vez, como escreve muito bem o blog da Classe Média, a culpa sempre é do Lula. Lógicamente essa decisão vai afetar um pouco o lucro das clínicas de estéticas do país e isso alimenta ainda mais o ódio e preconceito contra o governo. Vale lembrar que o câncer de pelo é o de maior incidência no Brasil e responsável por 25% dos registros de tumores malignos. É uma decisão importantíssima, além de estimular a prevenção sobre o uso de protetor solar e evitar (se puder) a exposição da pele ao sol em horários críticos (geralmente entre as 10:00 h e 16:00 h ). Essas câmaras de bronzeamento tiveram uma expansão indiscriminada pelo país e algumas, depois de velhas, continuam sendo usadas emitindo mais radiação. Mas isso não interessa as dondocas e reacionários de plantão que em decisões de saúde pública como essa quer tirar proveito político disso e insistir na ignorância.

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8.12.09

Arrependimento de um Ex-direitista

Faz pouco mais de dois anos, escrevi um artigo no meu blog e publiquei no Centro de Mídia Independente (CMI)sobre a visita que George W. Bush iria fazer ao Brasil. No artigo eu escrevi que os melhores recepcionistas ao presidente seriam os colunistas gurus da extrema-direita brasileira: Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Quem quiser ler esta aqui. Os dois escrevem para a revista Veja e praticam o jornalismo de esgoto. Mainardi é um playboy que conseguiu uma coluna na revista pagando para isso, pelo menos é o que dizem, e o segundo é considerado o cão raivoso da extrema-direita, o qual utiliza uma linguagem truculenta contra aqueles que consideram seus adversários, pois não rezam a sua cartilha. Reinaldo Azevedo ataca aqueles que se dirigem contrários a ele de forma pejorativa e extremamente preconceituosa. Ele tem um desafeto que é o blogueiro e economista Luís Nassif, o qual ele apelida de “mão peluda”. Também teve o caso de leitores da Folha de S.Paulo que criticaram um artigo dele e ele teve o “trabalho” de procurar o nome de cada um na internet para atacá-los pelo lado pessoal e até profissional. Nada ético pra quem quer se mostrar como pessoa séria e profissional.
Enfim, esse artigo rendeu muitos comentários no site e boa parte deles defendendo o guru. Eis que, há dois meses, recebo um e-mail de um desses que criticaram o artigo e defenderam o “esgoto”, o qual reproduzo aqui mantendo o nome dele em sigilo:

“Meu caro João,
Chamo-me ####### ###### ##### e, certa vez, escrevi um comentário a respeito de um texto de tua autoria, que tratava do Reinaldo Azevedo. Se não me engano, Reinaldo Azevedo: Pit-bull de extrema direita. Então, à epoca, eu, ingenuamente, era afinado com os ditames a direita (pois é, coisas da juventude). Escrevi coisas elogiosas ao senhor Reinaldo, esse pit-bull de extrema direita, e, automaticamente contra a Esquerda. Enfim, o que acontece hoje é que não tenha a menor afinidade com a direita, muito menos com reinaldo azevedo, sujeito que me decepcionou muito, assim como qualquer direitista. Entrei na Faculdade de Jornalismo e, incrível, minha mente abriu. Então, como se você colocar meu nome no google, vai aparece lá , na página do CMI Brasil, meu cometário associado ao nome de reinaldo azevedo. Aquilo me entristece muito. Ter meu nome associado ao dele, me entristece muito. Gostaria de saber se você tem como me ajudar a tirar meu comentário, que está postado no fórum CMI Brasil. Aquilo é uma mácula no currículo de qualquer um.
Aguardo resposta.
Abraço.”

Isso me surpreendeu, pois é muito comum ver ex-esquerdistas transformarem-se nos reacionários mais extremos. Isso ocorre, pois é muito mais fácil ser de direita, pois para isso é só aceitar todos os preconceitos existentes e acha-los normais, generalizar tudo e ver as relações sociais, econômicas e políticas de maneira simplista. É assim que a maior parte da direita age, ou melhor, agem por instinto. Por isso que sempre brinco dizendo que os súditos do blog do pit-bull da extrema-direita são os poodles adestrados que apenas repetem o que ele acha.
Para terminar, mandei e-mail agradecendo á ele e perguntei o porque dessa desilusão com o guru. Eis a resposta:

“Beto, a decepção veio em vários aspectos. Não cabe elencar. Por motivos muito importantes e particulares, não posso expor meu nome.Esse é um dos motivos para eu tentar tirar aquele texto do CMI, além da desonra de ter meu nome associado "àquele".”

Portanto, é assim que as pessoas quando adquirem senso crítico e começam a enxergar as manipulações mentirosas desses “formadores de opinião” da grande imprensa brasileira se sentem: com vergonha de ver seus nomes associados aos desses trogloditas.

OBS: O desenho acima representa bem o guru esgoto que cito no texto.

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1.12.09

O filho de FHC: pesos e medidas diferentes

Finalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) reconheceu o filho dele com a jornalista da Rede Globo Miriam Dutra. O fato espanta não por FHC reconhecer o filho somente após 18 anos, mas sim o silêncio complacente da imprensa brasileira. Alguns vão dizer que isso é pessoal e não deveria ser explorado pela imprensa e nem politicamente. Também acho, só que isso não acontece, pois é só lembrar dois casos: a filha do Lula na eleição com o Collor e o mais emblemático é o filho do senador Renan Calheiros com uma também jornalista Mônica Velloso. Parece que a promiscuidade da imprensa com os políticos é bem mais forte do que se imagina. No caso do Lula o caso foi explorado pela mídia na época e politicamente pela campanha do Collor. Em editorial, o jornal O Globo escreveu que a população tinha o direito de saber sobre o caso do Lula. O segundo caso, do Renan Calheiros, foi explorado mais o caso do filho dele com a jornalista do que as denúncias contra as empreiteiras. Por que será? Será que é devido todas as siglas partidárias terem o rabo preso com as empreiteiras? Por que a grande imprensa brasileira silenciou todos esses anos sobre esse filho do FHC?
Lembro que apenas a revista Caros Amigos denunciou o fato e pra quem eu dizia isso, achavam que era teoria da conspiração, pois como sempre afirmo se não sai na Veja ou não passa no Jornal Nacional, então não é verdade.
O caso ocorreu quando FHC era senador em 1992 e já era casado com Dona Ruth, a qual ficou mal nessa história, mesmo que pos-mortem. A repórter-mãe do filho de FHC foi “exilada” fora do país pela Globo. Nas eleições para a sua presidência, FHC amigo das famiglias que formam o oligopólio da imprensa brasileira, conseguiu o silêncio destes. Parece que o próprio Lula não deixou isso ser usado politicamente nas suas campanhas contra FHC. Alguns dizem ainda que a mídia cobrou FHC depois quando ele aprovou emenda constitucional permitindo a entrada de até 30% de capital estrangeiro nas mídias brasileiras, após a desvalorização do real.
Agora algumas perguntas: Por que a Globo defendia que o caso da filha do Lula era de interesse público e o filho do FHC não? Imaginem se a repórter da Globo resolvesse escancarar o negócio e fazer algo parecido como que fez a jornalista Mônica Velloso? Com certeza, FHC não seria eleito, pois ele teve até que mentir e dizer na época que não era mais ateu, pois sabia que essas coisas influenciam (infelizmente) na eleição. Prova disso é o caso da Marta Suplicy que ficou estigmatizada por ter se divorciado do marido e casado com outro, o que influenciou na sua derrota para a prefeitura na época.
No caso Renan Calheiros, o qual foi aliado de FHC e também líder do seu governo, foi relevado que um lobista pagava a pensão do filho dele. Quem pagava a pensão do filho do FHC? Até agora a imprensa não se debruçou sobre isso e nem vai faze-lo, pois no caso do Renan o que importava era atingir o governo Lula custasse o que for. Por que Renan Calheiros nunca foi incomodado pela imprensa quando era aliado de FHC? O pior é que mesmo agora com FHC reconhecendo o filho, a mídia está tentando retrata-lo como um “pai pródigo”, o qual visitava o fiho uma vez por ano e até foi na sua formatura. Que história linda! Sem contar que há o caso da filha "oficial" de FHC que era empregada no gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM, ex-PFL), recebia 7 mil reais por mês e não comparecia no gabinete. Sobre isso também nenhum alarde da mídia e nem aqueles moralistas de plantão falaram algo sobre o assunto. É o peso e medidas diferentes que a imprensa brasileira usa todos os dias nos assuntos políticos do país. A balança sempre pende favoravelmente para o lado tucano. Por que será?
Para demonstrar esse total engajamento político da grande mídia tupiniquim destaco uma ótima observação do jornalista Luiz Antonio Magalhães no seu blog Entrelinhas sobre a manchete do sábado (14/11/09) do portal UOL, que é parceiro da Folha de S. Paulo:
“Rodoanel (SP): Petistas usam acidente para atacar José Serra”
Aliás, o Serra mesmo depois desse acidente, autorizou cobrar pedágio no Rodoanel! Esses tucanos devem ter algum fetiche com pedágio, não é possível. Ou será que os pedágios são uma grande fonte de caixa dois do partido?
Agora pergunto: Alguém viu alguma manchete dizendo : “Apagão: Tucanos usam blecaute para atacar Dilma Roussef”?
Com certeza não, pois a campanha eleitoral já começou e a imprensa participa ativamente do jogo político e age como assessores do candidato José Serra. É a Organizações Serra em ação tentando (mas não consegue) fazer uma imagem ruim do Brasil enquanto a imprensa séria lá fora como a The Economist, traz capa dizendo que o Brasil decola.

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11.11.09

A situação da saúde pública em Piracicaba

A situação da saúde pública em Piracicaba esta sendo o calcanhar de aquiles do prefeito Barjas Negri. O prefeito, que é ex-ministro da saúde, é um prefeito popular na cidade, pois conquistou muitos votos e eleitorado fazendo obras, em especial as relacionadas ao trânsito. Isso parece ser prioridade para a prefeitura, pois enquanto isso não só a saúde vai mal, mas também outros serviços essenciais como a coleta de lixo e transporte público.
A situação do lixo na cidade se arrasta faz alguns anos, pois tem que exporta-lo para Paulínia e com isso se gasta mais dinheiro e também não há uma política séria sobre a reciclagem.
O transporte público é caro, pois a passagem para aquele que tem o cartão TIP (Terminal Integrado de Piracicaba) custa R$ 2,30 e para quem compra a bordo, custa R$ 2,55! É um absurdo, pois não há cobradores nos ônibus e a condição de boa parte da frota é antiga e precária.
Já a saúde não é de hoje que é motivo de reclamação por parte da população piracicabana. Há falta de médicos nos pronto-socorros e esses estão travando uma briga com a prefeitura, pois denunciam as más condições para o exercício da medicina, como por exemplo, alegam que um médico com 12 horas de plantão chega a fazer 120 atendimentos. A prefeitura já acusa os médicos de serem os culpados pela situação por faltarem e o prefeito até ameaçou de colocar na internet o nome dos médicos que faltassem. A culpa é de todos, pois há médicos “folgados” que negligenciam atendimento e enrolam muitos pacientes que esperam horas nas unidades de pronto-atendimento e a prefeitura também é inepta, pois não oferece plano de carreira decente e salários mais compatíveis e a gestão da pasta deixa muito a desejar. Portanto, não é colocando a população contra os médicos que a situação melhorará, pois o poder público também tem uma parte significativa nesse processo. Acho que o prefeito Barjas deveria aproveitar e colocar o nome e horário daqueles que ocupam cargos de confiança não só da pasta da saúde, mas de toda a prefeitura.
A imprensa da cidade cobre discretamente esse embate, mas é estranho que os articulistas e editorialistas façam pouco caso, pois, a maioria nem comenta esses assuntos aqui, pois parecem ter medo. A situação dos serviços públicos poderá mudar quando, pelo menos, todos os políticos forem obrigados a usá-los. Na educação, os filhos destes deveriam ser matriculados somente em escolas públicas e na saúde, só poderiam usar o serviço público. Garanto que o prefeito, seus secretários e funcionários, inclusive os da pasta da saúde, e todos os políticos da cidade não utilizam os pronto-socorros. Quem sabe se eles fossem usuários desse sistema público a situação não seria diferente.
As melhores reportagens que eu vi até agora, por incrível que pareça, foram feitas pela EPTV Campinas sobre a situação da saúde pública piracicabana. A primeira reportagem foi questionadora e pegou de surpresa os funcionários e a prefeitura e na segunda a equipe voltou em dia de semana e constatou a mesma situação do final de semana. Ouviu todos os lados e fez jornalismo mesmo. Assista aos vídeos abaixo, pois são esclarecedores.
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