6.1.10

Isso sim é uma Vergonha, Casoy!

Boris Casoy, âncora do jornal da Bandeirantes, deixou cair a sua máscara em um áudio vazado durante o final da reportagem e o intervalo, como mostra o vídeo acima. Ele debocha dos trabalhadores da limpeza pública por estarem “eles” desejando feliz ano-novo e ainda diz que são “o mais baixo da escala do trabalho”. O tom com que proferiu essas frases mostrou a sua arrogância e prepotência com que humilhou os garis e depois tentou se retratar com um pedido bem fajuto de desculpas no outro dia. Quem conhece essa figura que é Boris Casoy, sabe que ele é um ultra-reacionário e que emite as opiniões mais estapafúrdias e estúpidas na televisão brasileira. Aliás, Boris fez até escola, tanto que outros como o âncora do jornal do SBT Carlos Nascimento tenta ser pior que ele. Na verdade, essa fala do Casoy apenas evidencia o sentimento que a nossa grande imprensa tem com o povo pobre trabalhador brasileiro: nojo. É isso! Não foi um pequeno “escorregão”, “deslize” ou “gafe” do jornalista, mas é o que não só ele pensa, mas também como a maioria dos que fazem parte da grande mídia. Quando William Bonner está elaborando a pauta do Jornal Nacional, ele se refere ao telespectador como “Homer” (Homer Simpson), ou seja, são idiotas ignorantes. É esse sentimento de nojo e desprezo que estes têm não só com os garis, mas com todos os pobres que ocupam, segundo Boris Casoy, “o mais baixo da escala do trabalho”. Se o trabalhador for pobre e integrante de movimentos sociais, como os sem-terra e sem-teto por exemplo, ai o preconceito e virulência nas críticas são piores ainda. O grupo Bandeirantes ainda demonstrou mais preconceito e arrogância ao não atender e nem aceitar a entrega de uma carta do Sindicato dos Garis de São Paulo. Infelizmente, hoje em dia, os grandes meios de comunicação contam apenas com jornalistas que tem esse mesmo “senso” do Boris Casoy e William Bonner. O jornalista e escritor norte-americano Gay Talese disse em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura que hoje os jornalistas não são mais aqueles provenientes da classe trabalhadora ou chamada “classe mais baixa” como era no tempo dele. Hoje a maioria é proveniente da mesma classe dos que ocupam o poder político e empresarial, por isso têm praticamente os mesmos "pré-conceitos". Segundo ele, se perdeu o contato com o dia a dia do povo do qual ele também fazia parte. Isso cabe perfeitamente para a imprensa brasileira e explica o sentimento rancoroso de parte dessa com os pobres.

OBS: Esse desenho é do excelente Latuff.

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3 comentários:

Bruno disse...

O texto faz uma crítica à representação de classes nos grandes meios de comunicação brasileiros, onde figura a manipulação e o domínio ideológicos sobre as classes populares. É lamentável que apresentadores famosos ou personalidades do ramo jornalístico brasileiro visualizem as desigualdades sociais e de trabalho dessa maneira no nosso país. Se o deslize revela pensamentos desse tipo, que nenhum jornalista cogitaria expor enquanto estivesse falando "no ar" ou "ao vivo", imagine o que não estaria velado da opinião dessas pessoas quando as câmeras estão desligadas. A opinião que se exibe na televisão pode ser muito diferente da que o jornalista sustenta. Isso mostra que os preconceitos se perpetuam na sociedade brasileira e a desconfiança aumenta. Parabéns, Beto, por divulgar notícias e artigos sobre temas importantes e de interesse geral da população.

Gleison disse...

Caça às bruxas?
texto no blog:
http://servtjsp.blogspot.com/
A ofensiva contra o serviço público não para!
abraços

Thomas disse...

Muito bom o blog, Beto... tentei te responder no msn mas as mensagens voltavam. Me mantenha informado quando tiver novidades. Abraços e boa sorte.