25.5.10

A hipocrisia dos EUA e da imprensa sobre o Irã

Como já se esperava, a grande imprensa brasileira (PIG) agiu de forma infantil e subserviente sobre o acordo mediado pelo Brasil e pela Turquia para a destinação do urânio produzido pelo Irã. O Brasil agiu corretamente e com muita soberania nessa questão e conseguiu se afirmar como um país sério que está disposto a participar cada vez mais de negociações e decisões de diversos assuntos. O Brasil passa a ocupar um posto jamais conquistado anteriormente e isso se deve a competência e seriedade do atual governo nas relações internacionais, principalmente na figura do chanceler Celso Amorim. Isso tudo é insuportável para a elite e sua imprensa que nunca imaginou um ex-metalúrgico sendo tratado de igual para igual com os lideres das nações mais poderosas e ainda sendo elogiado muito por estes. Para isso, a dobradinha oposição/PIG mais uma vez entra em cena para tentar desconstruir essa imagem para manipular o povo brasileiro. Utilizam recursos que remetem até a guerra fria, tentando associar as relações internacionais do país com um suposto laço ideológico com algumas nações consideradas, segundo sempre o consenso de Washington, “perigosas”, “mal vistas” ou pertencentes ao tal “eixo do mal”. Com certeza muitas dessas e outras são perigosas, mais internamente, mas a seletividade com apenas algumas é que demonstra a falsidade e hipocrisia não só da dobradinha oposição/PIG, mas principalmente do país que estes são e sempre foram súditos: os Estados Unidos da América (EUA). No atual imbróglio sobre o Irã, os EUA e Israel querem fazer de tudo para tentar justificar uma ação militar contra o país. Eles tentam, inclusive com apoio da maioria da imprensa ocidental, fazer a pior imagem possível do Irã, usando inclusive as questões religiosas e de comportamento internas que vigoram no país. Sobre isso, é detestável ver como a falta de liberdade individual, de expressão e de imprensa no Irã revelam essa face autoritária do regime dos aiatolás, mas não justifica as sanções que os EUA querem impor ao país. Se for assim, porque não impor sanções contra a China? a Arábia Saudita? o Paquistão? Lógicamente porque estes países são aliados tanto comerciais, como é o caso da China, quanto militares, como é o caso do Paquistão e Arábia Saudita, dos EUA. São ditaduras também e são até piores internamente que o Irã. Os EUA também não têm moral para cobrar direitos humanos de nenhum país, pois os desrespeita com suas bases de tortura e pris clandestinas pelo mundo afora, pelas invasões não autorizadas e destruição dos países invadidos e a morte de milhares de civis destes.
Já a tal ameaça iraniana ao mundo que tanto falam EUA e a imprensa não é bem assim. O Irã não é a ameaça, mas sim o ameaçado nessa questão. Se olharmos para o mapa, veremos que o país está cada vez mais cercado por inimigos, pois Afeganistão e Iraque foram invadidos militarmente pelos EUA que estão lá até hoje. Há também o Paquistão, que é aliado militar dos EUA. Aliás, esse país sim é preocupante, pois já possui bomba atômica e não faz parte de nenhum tratado internacional, é inimigo histórico da Índia (que também possui a bomba atômica) e possui várias células de grupos extremistas islâmicos. Sobre isso a imprensa pouco fala. E a verdadeira ameaça não só ao Irã, mas à todo o Oriente Médio é Israel. Esse país possui diversas armas nucleares, químicas e biológicas. Além disso, não faz parte de nenhum tratado internacional sobre armas nucleares, não admite que as tenham e por isso não permite nenhum tipo de inspeção internacional sobre suas instalações militares. Constantemente, o governo israelense se coloca sempre como suposta vítima ou ameaçado pelo Irã, sempre com o apoio incondicional dos EUA. Para isso, a imprensa ocidental é essencial na fabricação de um consenso em torno da figura do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Com certeza suas declarações sobre o holocausto são deploráveis, pois coloca em dúvida a ocorrência deste, mas ao mesmo tempo membros do governo israelense também dão declarações racistas e preconceituosas contra os muçulmanos e árabes que não são repercutidas com a mesma intensidade que fazem com Ahmadinejad. O ministro das relações exteriores de Israel – Avigdor Lieberman - é adepto do projeto higienista e segregacionista chamado Grande Israel, o qual propõe a expulsão de todos os árabes de Israel e da Palestina. Com o Ahmadinejad, a imprensa sempre repete que ele quer “varrer Israel do mapa”, mas não fazem o mesmo quando citam o Lieberman. Aliás, essa declaração de Ahmadinejad é contestada por especialistas em persa de que isso foi traduzido falsamente para tentar dar “razão” á sanha militar israelense. Uma análise sobre isso pode ser lido aqui.
Enfim, a hipocrisia dos EUA e Israel em tentar mostrar o Irã como um possível agressor, não passa de cortina de fumaça para mais uma vez imporem a força a mudança de um governo e regime. Portanto, o Irã tem todo o direito de buscar a auto-defesa diante dessas ameaças e está sendo até benevolente demais devido ao enorme arsenal nuclear de Israel. O Irã deveria condicionar o acordo à uma adesão de Israel à tratados internacionais sobre armas nucleares e eliminação destas para abandonar seu projeto nuclear. Como Israel não admite e não está nem ai, o Irã esta certo em insistir em seu programa nuclear. A diplomacia brasileira busca através desse acordo se colocar como um país que busca o diálogo e ganha projeção internacional reafirmando independência e soberania em relação ao EUA. O PIG aqui tenta alardear que isso fez o Brasil ficar mal-visto pelos norte-americanos e adoraram as declarações da Hillary Clinton. Os alienados aqui até ficaram com medo de irritar os todos poderosos norte-americanos e como o PIG almeja, quer tentar usar isso politicamente para usar contra Lula e sua candidata Dilma Roussef. Isso demonstra que estes ainda são guiados pela ideologia da época da guerra-fria e torcem intensamente para o fracasso do acordo. Agora, o acordo parece que vai mesmo vingar e países como a França e a China que tem poder de veto no conselho de segurança, demonstraram apoio.
Para os que ainda tem dúvidas sobre o assunto, sugiro que vejam o vídeo abaixo com a entrevista na GloboNews do diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa. É uma entrevista didática sobre as questões políticas e técnicas sobre o acordo e o contexto da questão nuclear iraniana. Inclusive, pode-se perceber que o entrevistado frustra os jornalistas da Globo, pois achavam que ele iria bater na mesma tecla em condenar o acordo e o Irã. Confiram:


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20.5.10

Ei J. Hawilla, Vai toma no ..!!!

Não se assustem com o título chulo deste texto, mas é o que merece o autor dessa pérola que reproduzo abaixo:

“A turma que vai à geral ficará assistindo só na tevê. É gente que não consome nada, depreda e mata no metrô. Não interessa mais ao futebol. Dá orgulho ver o público pagar R$ 300 pelo ingresso. Não defendo a elitização. Mas o futebol precisa de dinheiro.”

Essa frase foi pronunciada por um ser chamado José Hawilla ou como é mais conhecido, J. Hawilla. Ele é um empresário que possui jornais no interior de São Paulo, é dono do jornal Diário de S.Paulo e preside a Traffic. Pelo jeito ele não deve gostar muito do nome José, pois deve ser muito “povão” para ele. Imagina ele ser chamado de “Zé” e ser identificado com um “zé ninguém”, aquele que “não consome nada”. O blogueiro Leonardo Sakamoto sempre comenta esse tipo de frase que define como: “Frases para entender o Brasil”. Essas frases geralmente são ditas por empresários, políticos, celebridades ou membros da chamada “alta sociedade”, aquela que sai nas colunas sociais. Todas as declarações têm a mesma semelhança, pois demonstram como essa turma é elitista, classista, racista e preconceituosa. Essa frase do Hawilla consegue reunir todos esses componentes e demonstra como realmente pensa a elite do país e também os chamados “emergentes” que pensam que são ricos, mas são ainda classe me(r)dia. Essa elitização dos espaços públicos faz tempo que vem ocorrendo e é uma segregação de classe disfarçada. É aquela coisa de “selecionar” que sempre ouvimos sobre pagar caro para entrar em festas, bares e casas noturnas. Em outro artigo eu coloquei um vídeo que tratava disso e mostrava a playboyzada paulista queimando dinheiro e dizendo que gostava dali porque era selecionado, pois só tinha membros da sua classe. Em casas de show e shows de grande porte, a parte VIP privilegia os selecionados com a frente do palco. Estes são cercados do resto, que sempre é maioria, os quais ficam bem atrás destes que pagaram o dobro do valor da pista normal.
Nos estádios de futebol de grandes clubes começou também o espaço VIP, pois querem como o Hawilla disse, que o perfil do torcedor seja daquele que paga “R$ 300” e não o da “ralé” que é a maioria. Os clubes se associam geralmente com empresas de cartões para reservar a melhor parte da arquibancada para os clientes destes, onde o preço é também o dobro do ingresso normal. Foi o que ocorreu no estádio Palestra Itália do Palmeiras, por exemplo, pois a parte da geral que ficava no meio do campo foi reservada somente aos torcedores que possuem cartão VISA e se dispõem a pagar até R$ 80 dependendo do jogo. Ali ficava a maior parte da torcida, que é geralmente mais pobre, e esta hoje é obrigada a ficar espremida atrás do gol. Infelizmente esse crápula do J.Hawilla se diz “palmeirense” e a Traffic (nome sugestivo não?) possui uma influência enorme no futebol e detém o passe de diversos jogadores que atuam em vários clubes. Para a minha tristeza, a Traffic é parceira do meu time, o Palmeiras, e terá o direito de comercialização da nova Arena que construirão. Se com um espaço da geral colocaram o preço lá em cima só porque instalaram umas cadeiras na arquibancada, imagina quanto custará depois de construída a nova arena? Será que o espaço para os torcedores comuns vai diminuir mais ainda nos estádios? Com esse pensamento, Hawilla quer que o futebol volte aos primórdios, onde só a elite assistia aos jogos.
O futebol é do povo, da maioria que fez esse esporte se tornar mundial e também extremamente lucrativo para empresários como Hawilla, que hoje generaliza todos com base no seu preconceito e nojo.
Por isso todos devem estar atentos a declarações como esta, pois a Copa 2014 será aqui e todas essas reformas e construções de estádios vão utilizar muito dinheiro público. Se nós que ficamos na geral vamos ter que assistir aos jogos apenas pela TV, significa que todo esse dinheiro público usado para a Copa vai ser usufruído apenas pela turma que paga os “R$ 300 pelo ingresso”. E vai ser muito bom também para a emissora que monopoliza há anos as transmissões dos jogos e faz, com o consentimento dos governos, todos os torcedores de palhaços. Não é a toa que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acatou a vontade da emissora e não do público ao vetar a lei que impedia que jogos fossem realizados depois das 21: 30hs.
Hoje em dia, nos jogos de futebol, é comum a torcida, quando está insatisfeita geralmente com arbitragens, iniciarem um coro que todos nós deveríamos entoar depois de ler as declarações reproduzidas no ínicio e é título deste texto:

- Ei J. Hawilla, Vai toma no (você sabe o resto)!!

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11.5.10

Como entrevistar um tucano

Como todos já sabem, o Partido da Imprensa (PIG) segue geralmente uma cartilha quando entrevista candidatos do PSDB. As perguntas não devem ser incômodas como àquelas que tratam de denúncias contra seus governos e nunca devem constrangê-los. Se isso acontecer, tucanos costumam agir de maneira truculenta, não respondem e se possível abandonam a entrevista. Em outros artigos já mostrei como José Serra é estúpido e revela sua face anti-democrática contra jornalistas que fazem as perguntas “proibidas” .
Infelizmente o exemplo de como entrevistar um político vem da imprensa estrangeira. Nesse primeiro vídeo, é um clássico, pois mostra finalmente um entrevistador colocando Fernando Henrique Cardoso (FHC) contra a parede. É um programa da BBC chamado “Hard Talk” e esse não tem como os direitóides tacha-los de petistas e outras baboseiras do tipo.





Uma entrevista como essa, com o FHC (o sociólogo-príncipe do PIG), nunca fizeram aqui no Brasil e lógicamente a mesma não foi comentada pelos articulistas de jornais e revistas do PIG. Aliás, se alguém observar uma entrevista no Roda Viva, por exemplo, com o Alckmin, Serra ou FHC, verá que parece que estão em uma mesa de bar de amigos. É sempre os tais entrevistadores praticamente “jogando a bola” para o entrevistado “cortar”.

O próximo vídeo, que também foi feito por equipe estrangeira, é com o Alckmin na época dos ataques atribuídos ao PCC e mostram o despreparo do então candidato e sua tendência autoritária, pois abandona a entrevista quando o entrevistador insiste nas perguntas “proibidas”. Vejam:



Uma entrevista como essa, se fosse feita com o Lula nessa época da eleição, por exemplo, teria rendido capas de revistas e jornais, análises delirantes dos articulistas do PIG e chamadas no Jornal Nacional. Mas foi com o candidato da época do PIG, então foi abafado.
A reportagem do vídeo mostra como os tucanos aparelharam totalmente o estado nesses 16 anos de (des)governo no estado de São Paulo. Aliás, esse discurso, eles e o PIG, tentam colar somente no PT, mas as secretarias do estado de São Paulo, por exemplo, mostram que eles fazem o mesmo. Nesse caso da segurança todos sabem da corrupção desenfreada e a intervenção política que corre nessa secretaria. Só que isso é pouco investigado pela imprensa, é claro, pois qualquer rebelião ou ataques de uma organização criminosa como o PCC são prontamente minimizadas pelas “autoridades” tucanas e são politizadas por estes. O clichê usados por eles é o velho costume de colocar a culpa sempre no PT e na CUT, dizendo que eles estão por trás. Nada melhor para o PIG reverberar isso como verdade absoluta e desviar o foco da gestão corrupta e ineficaz deles na área de segurança. E ainda vem o Serra dizendo que vai “criar” o ministério da segurança. Em São Paulo, a polícia cada vez mata mais e sofre com a desvalorização típica de governos tucanos, pois recebem um salário baixo e humilhante, assim como outros profissionais do estado como os professores e médicos.
Para finalizar, deixo um exemplo de “ato falho” do PIG em assumir Serra como seu candidato. Ouçam, pois Heródoto no programa da CBN chama o Serra de “nosso candidato”, ou seja, o candidato oficial do partido da imprensa.

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3.5.10

A dobradinha PIG/PSDB na campanha eleitoral

O Partido da Imprensa (ou PIG, como é chamado na internet) está dando cada vez mais exemplos do seu partidarismo com a manipulação de notícias para beneficiar o candidato deles: José Serra (PSDB). A Globo com a vinheta em comemoração dos seus 45 anos é exemplar, como já escrevi no texto anterior, mas esse 45 que aparece no final da propaganda é muito parecido com o do slogan tucano.

A capa da Veja com o Serra (a da mãozinha no rosto) foi copiada da revista norte-americana Time (aquela que elegeu Lula um dos mais influentes líderes do mundo) e para ajudar mais ainda colocou essa edição como propaganda da “revista” nas bancas de jornais. Na verdade a propaganda é para o Serra, mas a “revista” insiste na falácia da imparcialidade. Os ingênuos e tapados que dizem que a Veja também deu capa para a Dilma Roussef, não percebem a diferença das duas capas. Na da Dilma, a capa está em preto, branco e vermelho e com cara séria. Já na do Serra, rosto sorrindo, mão no rosto e uma mensagem explícita na capa dizendo que ele será o presidente. Essas duas capas foram muito bem analisadas pelo mestre em comunicação, Washington Araújo, no site do Observatório da Imprensa e pode ser visualizado aqui.
O candidato José Serra é hoje um candidato de mídia, pois se sustenta somente pelo apoio incondicional desta as propagandas enganosas e mentirosas do governo do estado de São Paulo, do qual era governador. Não há críticas e questionamentos e se há algo é deixado para rodapé de página na mídia escrita. Já na televisiva não há nenhum questionamento. Qualquer declaração de Serra já é prontamente reverberada pela imprensa, com direito a opinião de especialistas para fazer o jogo político antes mesmo da campanha oficial, como mostra essa capa do jornal O Globo:

Notícias positivas sobre a conjuntura nacional são também deixadas geralmente para segundo plano e quando são comentadas, tentam fazer o mínimo de correlação possível entre o governo Lula e as manchetes. Notícias como menor nível de desemprego e criação recorde de empregos formais são minimizadas, mas se estivéssemos sendo presididos ainda pelos tucanos, com certeza o Partido da Imprensa estaria fazendo estardalhaço com essas notícias. Endeusariam mais ainda os tucanos e seus líderes seriam tidos como os maiores estadistas que o país teve e os melhores do mundo. O PSDB no poder é garantia de uma imprensa chapa-branca e não investigativa, pois é só ver como atuava a imprensa na era FHC. Era uma imprensa morna, que deixava passar quase tudo e os apoiava em quase tudo também e de vez em quando para garantir audiência noticiavam um escândalo ou outro, mas não passava de fachada. Isso quando não era usada pelos caciques partidários, como fez ACM e Jader Barbalho com a Veja e a IstoÉ, para se atacarem.
Se não bastasse ter o partido da imprensa e grupelhos reaças que se dizem “apartidários” trabalhando a seu favor, os tucanos partiram para a guerra suja na internet. Estão utilizando “crackers” para atacar sites e blogs, como fizeram com o site do PT. Descobriu-se que o comandante dessas operações é o tesoureiro nacional do PSDB e ex-secretário-geral do governo FHC, Eduardo Graeff. Inclusive o site oficial do partido traz o link de um outro site criado pelo partido para acusar e difamar Lula e Dilma. Isso foi denunciado pelo deputado Brizola Neto (PDT) no seu blog aqui.
Outro episódio que expôs mais uma vez como são ridículos alguns membros da oposição é o site do histriônico deputado federal José Carlos Aleluia (PFL, vulgo DEM) que trouxe um texto falso atribuído a apresentadora Marília Gabriela. Ela desmentiu a autoria e deixou claro como alguns opositores fazem de tudo para enganar e fazer o jogo político sujo e rasteiro.


Para finalizar, deixo um vídeo deboche que mostra hilariamente como age um típico reaça, ainda mais os condicionados e doutrinados pelo blogueiro esgoto da Veja. Confiram, pois é muito bom:


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21.4.10

A Imprensa Brasileira “sai do armário”

Ultimamente a expressão “sair do armário” virou moda depois que o cantor e ex-menudo Rick Martin assumiu ser gay. Não é objetivo deste artigo discutir sobre o preconceito, muito menos o cantor. Essa expressão representa que alguém se assumiu ou simplesmente “tirou a máscara”, ou seja, revelou aquilo que todos já sabiam. Com a grande imprensa brasileira aconteceu a mesma coisa quando há algumas semanas a presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e executiva do jornal Folha de S. Paulo, Maria Judith Brito, deu a seguinte declaração ao jornal O Globo:
"E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”
Essa frase representa o que muitos já sabiam, ou seja, que a grande imprensa no Brasil se tornou um verdadeiro partido político. Os principais membros desse partido são verdadeiros grupos mafio-midiáticos controlados por famiglias poderosas como: Abril(Civita), Estado (Mesquita), Folha (Frias) e Globo (Marinho). Esse partido da imprensa, o qual é chamado também de PIG (Partido da Imprensa Golpista), atua geralmente como porta-voz da oposição e ás vezes como um partido apêndice destes. Ora a imprensa reverbera e apóia incondicionalmente todas as acusações da oposição ao governo Lula (atuando como porta-voz desta), ora escandaliza qualquer coisa e produz factóides para a oposição explorar e assim faz uma “dobradinha” oposicionista (atuando como partido apêndice). Antes de o Lula ser eleito, a imprensa apoiou o governo tucano durante os 8 anos do “reinado FHC” e já era partidária, mas ainda não agia como um partido. Depois da eleição e reeleição do presidente Lula começou a radicalização e transformação do partido da imprensa. Estes ficaram decepcionados com a oposição PSDB/PFL (atual “DEM”) não ter dado o golpe e tirado Lula do poder em 2005.
Fazer papel de oposição não é função da imprensa em um regime democrático, pois investigar as ações de um governo não significa manipular informações e mentir para beneficiar um grupo político. Infelizmente é isso que a imprensa faz, pois usa pesos e medidas diferentes no campo político. No Brasil, as notícias a serem destaques e a produzir escândalos referem-se quase que exclusivamente ao PT. Mesmo com o atual escândalo envolvendo o “ex”- partido do Arruda, o PFL (vulgo DEM), a mídia restringiu o escândalo ao “DEM de Brasília”. O resto do partido não sabia nada e o fato de ele ser preterido na chapa com José Serra nunca é lembrado pela imprensa. O que não ocorreria se ele fosse possível vice da Dilma Roussef (PT). Mesmo no caso do chamado “mensalão do PT”, quando viram que o operador Marcos Valério tinha feito o mesmo esquema com o PSDB de Minas Gerais anos antes, a imprensa perdeu o interesse no assunto e chamou o caso de “mensalão mineiro” e não “mensalão tucano”.
Organizações Serra de Jornalismo
Atualmente o partido da imprensa anda preocupado e nessas eleições vai jogar todas as cartas para eleger o candidato deles, o José Serra (PSDB). O terreno vem sendo preparado desde que Serra se elegeu governador do estado, descumprindo um compromisso público de não deixar a prefeitura de São Paulo. A mesma mídia que diz “investigar” minúcias do governo federal, não tem nenhum empenho em investigar as ações dos governos estadual e municipal de São Paulo. Um exemplo didático é como foi retratada as tragédias causadas pelas chuvas aqui, pois para a mídia a culpa foi exclusivamente das chuvas e de São Pedro. Já no Rio de Janeiro a culpa foi inteiramente do governo federal, como mostra essa figura da capa da revista Veja, a qual representa o jornalismo de esgoto do país.
Lógicamente que tudo isso não é culpa somente das chuvas, mas também por ocupações irregulares (tanto pobres como ricos), lixo, falta de fiscalização e falta de políticas públicas voltadas para habitação e infra-estruturas por parte dos governos. É uma ação conjunta e o que ocorre hoje é resultado também da omissão dos governos anteriores. Ou seja, a imprensa fez o jogo político em cima desses fatos, quando que era para cobrar de todos os governantes.
A radicalização do partido da imprensa se intensificou após verem que a candidata Dilma havia crescido bastante nas pesquisas eleitorais e convocaram um Fórum sobre “democracia e liberdade de expressão” por um tal de Instituto Millenium. O evento reuniu os principais representantes desse partido e foi realizado em um hotel de luxo e quem se inscreveu “só” desembolsou R$ 500,00 para ouvir figuras como o blogueiro e colunista da “revista” Veja, Reinaldo (Esgoto) Azevedo e o verdadeiro “chearleader tucano” da televisão, Arnaldo Jabor. Ali o partido praticamente revelou as diretrizes a serem seguidas nessa campanha eleitoral e despejaram os chavões mais delirantes e paranóicos como a manutenção do PT no poder e o perigo (será que vão chamar de novo a Regina Duarte para propagar o medo) de a Dilma implantar um “regime stalinista” no país. A liberdade só virá com o Serra e disseram que festejarão quando ele ganhar. Jabor expôs o verdadeiro stalinismo quando disse que o “pensamento de uma velha esquerda não deveria mais existir”, ou seja, essa é a liberdade de imprensa que ele, seu patrão e colegas de partido querem e praticam hoje no Brasil: aquela que censura a diversidade de opiniões cerceando a liberdade de expressão que tanto falam, mas na verdade desprezam. Aliás, eventos parecidos com este foram feitos pela mesma imprensa antes do golpe de 64, o que revela a face golpista destes. Até o momento vários exemplos da partidarização midiática estão cada vez mais evidentes nas revistas, jornais, rádios e televisão.
Partido da "massa cheirosa"
Começo com a jornalista da Folha, Eliane Catanhêde (Tucanhêde), que estava super animada e empolgada no lançamento da candidatura do Serra.


O vídeo acima mostra bem isso e depois ela diz que a festa tucana estava tão cheia de gente, que parecia um partido de “massas”. Mas, segundo ela, um alto membro do tucanato disse que era uma “massa cheirosa”! Ou seja, o PSDB é o partido da massa cheirosa. Ela, no mínimo, fez as palavras do suposto tucano as dela e expôs todo o preconceito de classe não só pessoal, mas do partido que representa.
Os jornalões paulistas, Estadão e Folha, são tão tucanos que até as brigas internas do partido eles são usados para mandar recado. Faz uns dois anos, o jornal Estado de Minas e o Estadão trocaram ofensas em editoriais porque um ofendeu o governador do estado do outro, no caso Serra e Aécio. Recentemente a Folha (porta-voz do Serra) e o Estadão (porta-voz do FHC) também fizeram algo semelhante como mostra o jornalista Rodrigo Vianna.


Outro exemplo foi a briga dos institutos de pesquisa, onde o Datafolha se destacou pela discrepância dos seus resultados com outros dois institutos, o Sensus e o Vox Populi. O pior foi o Datafolha atacar diretamente seus concorrentes com várias acusações e parece desperado para fazer a candidatura Serra alavancar de vez. Isso expôs como esses institutos são usados politicamente e podem ser manipulados, mas é difícil imaginar que a pesquisa do Vox Populi, que foi encomendada pela Bandeirantes (do âncora Boris Casoy), tenha sido manipulada para beneficiar a Dilma. Não dá para acreditar que de repente Boris Casoy e CIA aderiram ao lulismo. Já o Ibope que é da Globo vai fazer a dobradinha com o Datafolha na campanha para o Serra.

Globo e PSDB: tudo a ver!




Para finalizar os exemplos, mostro esse vídeo da recente propaganda da Rede Globo que foi ao ar no último domingo. É muita “coincidência” que o slogan da propaganda da emissora seja idêntico ao slogan lançado pela campanha do Serra (“o Brasil pode mais”) e ainda no final ter o número 45 representando o tempo de sua existência parecidíssimo com o 45 da legenda tucana. Deve ser uma coincidência pelo fato do Serra ter feito “acordo” com a Globo, sobre o terreno público que a emissora usou durante 11 anos como privado, com a construção de uma escola técnica de áudio e vídeo. Ou também pelo fato do pupilo do Serra, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, ter vetado a proposta que mudava os horários dos jogos em São Paulo. E agora, os tucanos deram mais um presente para a emissora, assinando a revista da editora Globo, Terra da Gente, para todas as escolas do estado de São Paulo. Aliás, esse tipo de agrado os tucanos gostam de fazer para o partido da imprensa, pois desde o ano passado, Serra assinou as revistas Escola e Veja da editora Abril e também os jornais Folha e Estadão para todas as escolas do estado.
Tudo isso exemplifica como o partido da imprensa vai atuar nessas eleições, ou seja, vai ser guerra suja contra os candidatos que não apóiam. Na verdade, isso sempre ocorreu, mas agora está acontecendo uma radicalização. Por exemplo, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma ficha falsa da Dilma (a qual rodou por algumas correntes de e-mail) e tentou culpar diretamente Lula pelas tragédias aéreas acusando-o de “assassinato” dessas pesssoas. Outro exemplo é a Veja dar uma capa ao Serra com mãozinha no rosto e super feliz e colocando essa capa como propaganda da revista nas bancas, sendo que fez o mesmo com o Alckmin em 2006, mas na época foi mais ousada e expôs outdoors em São Paulo com essa capa. Também recorreu até a astrologia para dizer que o Serra vai ser eleito. É a propaganda política pura e suja do partido da imprensa.

Enfim, a atitude da Dona Judith em assumir a partidarização da imprensa foi corajosa e deveria ser seguida e assumida de vez por todos os grupos de comunicação. Isso seria bom para a democracia no país, pois deixaria explícito de vez os motivos de apoiarem tal candidato. Em vez disso, preferem se esconder atrás de um manto falso de imparcialidade e “independência” que alegam possuir e ao mesmo tempo praticam a censura prévia de opiniões em suas publicações, tanto de leitores quanto de jornalistas.

OBS: Esse artigo foi publicado no Observatório da Imprensa aqui.


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13.4.10

Fatos sobre a perseguição de Serra contra os professores (atualizado em 15/04/10)

A foto acima foi registrada pela agência Estado durante a repressão feita pela polícia militar (PM) contra os professores perto do Palácio dos Bandeirantes no dia 26/03/10. Aliás, esse terrível episódio eu relatei no artigo anterior. A agência disse no primeiro momento que o rapaz era um professor carregando uma policial supostamente ferida. Depois de divulgada a foto, o comando da PM divulgou nota dizendo que o rapaz não era manifestante, mas sim um policial militar do serviço reservado, chamado de P2. Ainda disseram - o que ficou mais ridículo ainda - que o policial estava apenas passando por ali naquela hora. Quanta coincidência!. Professores de Osasco disseram que este policial embarcou no ônibus deles para ir até a manifestação naquele dia, mas não conseguiram identifica-lo. Isso tudo comprova a desconfiança de muitos de que havia agentes infiltrados. Infiltrar agentes do estado em movimento grevista não era visto desde a época da ditadura militar no país. A policial carregada na foto foi atendida no hospital Albert Einstein, pois segundo a PM esta teria levado uma “paulada” na cabeça. Pela foto não dá para saber, então a equipe do jornalista Luiz Carlos Azenha apurou com o hospital. Lá disseram que a policial deu entrada e foi liberada minutos depois. Um médico do hospital disse à reportagem que se a policial tivesse levado uma paulada na cabeça, eles teriam que ter feito mais exames e fazer uma tomografia, o que levaria muito mais tempo. Então parece que não foi tão grave assim como disse a nota da PM. Também houve relatos de caravanas de professores do interior que foram parados pela polícia em praças de pedágios antes de chegar em São Paulo. Isso foi filmado pela caravana de Ourinhos que foi retida por mais de meia hora no pedágio de Barueri no dia 19/03/10. Como mostra o vídeo, policiais ainda filmaram e tiraram fotos dos ônibus e de seus ocupantes. Mais uma prova da perseguição da polícia, a mando de Serra, contra o movimento grevista. Aliás, a PM além de perseguir e agredir, também mentiu sobre as manifestações. No dia 19/03/10, por exemplo, havia no mínimo 50 mil pessoas na passeata, mas o comando policial disse que só havia 8 mil.
Olhando a foto dá pra ver a mentira da polícia. Assim também mentiu o governo tucano dizendo que só havia 1% dos docentes parados, pois só no dia dessa manifestação havia no mínimo 25% da categoria parada. É só saber fazer conta, pois arredondando o número de docentes para 200 mil, o 1% alegado pelo governo seriam 2 mil professores, ou seja, até a conta mentirosa da PM desmente esse 1% alegado pelo Serra. Outra, a PM e o governo de São Paulo alegaram que a repressão do dia 26/03/10 teve que ser feita devido a uma lei (típica de regimes ditatoriais) que proíbe manifestações na frente do Palácio dos Bandeirantes. Aliás, essa lei foi procurada pelo professor David, o qual relata em seu blog que não conseguiu achar a tal Resolução 141 de 20/10/1987. Estranho né? Já que essa lei é de 1987, então o que vale é a Constituição Federal de 1988. No artigo 5º da Constituição de 1988 diz: "XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;" . Outra, área de segurança não proíbe automaticamente manifestações pacíficas e como diz a lei federal, é só avisar as autoridades antes (o que foi feito) e o governo não tem o poder de autorizar ou não. Incrivelmente uma semana depois na despedida do Serra, o PSDB organizou uma festa e levou algumas centenas de “militantes” na frente do Palácio. Ainda instalaram dois telões para transmitir o seu discurso eleitoral e depois Serra foi para fora do prédio saúda-los. Por que a lei não foi aplicada pela polícia nesse caso? Quer dizer, quando é a favor pode.
Nesse mesmo dia da despedida do ex-governador, houve mais uma manifestação de professores na Paulista e a polícia mais uma vez tentou esvazia-la. Dessa vez, eles não deixaram o caminhão do sindicato chegar na avenida Paulista, pois ameaçaram o motorista de levar 17 multas. Mais uma prova de pura perseguição do governo Serra revelando o seu perfil autoritário e anti-democratico.
Tudo isso que foi relatado, não ganhou manchetes e indignações da grande imprensa brasileira, ou melhor, das Organizações Serra de Jornalismo. Imagino que se tudo isso tivesse acontecido na Venezuela contra o Chávez ou contra o Lula, ai sim a mídia alardearia para todos que essas ações do governo contra os professores seriam típico de um regime ditatorial.
Pra quem não conhece a situação da educação e acredita na propaganda mentirosa do governo estadual (aquela dos dois professores por sala!) também é iludido pela manipulação da imprensa contra os professores. Somos tachados de baderneiros, por exemplo, como fez o membro do conselho editorial do jornal Folha de S.Paulo e puxa-saco do Serra, Gilberto Dimenstein. Esse sujeito sem vergonha ganhou de 2006 até hoje a quantia de R$ 3.725.222,74 da prefeitura de São Paulo (Kassab) e do governo estadual paulista (Serra). Incrivelmente essa montanha de dinheiro público para o bolso desse cidadão, foi desembolsada devido à “projetos educacionais” dos governos com a sua organização chamada Associação Cidade Escola Aprendiz e foi descoberto pelo excelente blog NaMaria News. Por isso que o nobre “educador” escreve artigos parabenizando o governador e chamando os professores de baderneiros. Os xingamentos e generalizações a categoria é ainda pior no jornalismo de esgoto como a revista Veja e seus articulistas/blogueiros que são os assessores de imprensa do Serra e de seu partido. Para esses e seus seguidores (os ratos de esgoto) nós somos retratados como pessoas perigosas, sindicalistas e adjetivos chulos que não valem a pena repetir aqui. O que eles não sabem é que a maioria dos docentes que estavam nas manifestações representa o perfil médio da categoria, ou seja, eram mulheres de meia-idade, cansadas de anos de salário baixo e condições precárias de trabalho. Essas fotos abaixo ilustram os professores “baderneiros” e “perigosos” que oferecem tanto perigo para os fortes esquemas de segurança montados durante as assembléias e a repressão policial.



Vejam que são pessoas que representam séria ameaça à ordem e a segurança pública do estado. São essas pessoas que o Serra disse que não se reunia pessoalmente, pois fazem parte de uma categoria de trabalhadores “mal vistos pela sociedade”. São essas pessoas que o ex-governador prefere mandar a polícia jogar bombas a recebê-las para negociar. Os fascínoras de plantão que adoram ver tudo isso e acha normal e ainda pede punições contra os grevistas podem ficar mais felizes, pois o governo tucano já toma as atitudes ditatoriais que estes gostam e almejam em um governo. Infiltrar agentes em movimentos sociais e grevistas, prender pessoas que protestam democraticamente em eventos públicos (como fizeram com 4 professores em Franco da Rocha), usar a pura repressão contra passeatas perto da sede de governo, mentir e ocultar tudo isso com o apoio da grande imprensa são típicos de governos tucanos. A charge abaixo é para finalizar, pois exemplifica muito bem como Serra e seu partido tratam a educação.

PS: A foto abaixo é da turma de Piracicaba que foi em todas as manifestações em São Paulo. Abraço a todos.
PS 2: Esse artigo foi publicado no Jornal A Tribuna Piracicabana. Agradeço enormemente o Erich.◦
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27.3.10

O autoritarismo e violência de José Serra contra os professores

Nesta tarde de sexta-feira (26/03/2010) presenciei o horror que é a repressão policial a manifestações. Foi na Assembléia dos Professores Estaduais de São Paulo que ocorreu na frente do estádio do Morumbi, onde o intuito era chegar à frente do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual paulista). A movimentação da polícia militar (PM) era intensa e esta colocou barricadas nas ruas que levavam a sede do governo para impedir qualquer um de se aproximar do local. Depois de tomar uma chuva intensa e após começar a assembléia, nós começamos a subir outra rua, mas havia uma barreira de policiais do choque para impedir todos de passarem. Em outra rua adjacente também estava formada outra barreira de policiais da Rocam, ou seja, eles cercaram todos os acessos. Ai que entra o maior erro que é do governo em não garantir o direito democrático de ir e vir dos cidadãos, mesmo em uma passeata. Era uma manifestação de professores, pacífica e não de vândalos. Onde está a democracia? É democrático impedir uma manifestação de chegar perto da sede de um governo? Então começou haver uma aglomeração do lado da barreira do choque. A tensão estava no ar e muitos membros do sindicato estavam alertando todos para não haver qualquer confronto ou provocação. Mas a polícia ja parecia pré-disposta para o confronto. Eu estava chegando perto e sabia que qualquer pequeno motivo, ou seja, qualquer "palito" que fosse jogado contra a polícia seria o motivo para esses começarem com a violência. Foi o que aconteceu, pois quando cheguei perto pude ver alguns policiais espirrando spray de pimenta, descendo o cassetete em cima dos manifestantes e também já começaram a jogar bombas de gás lacrimogêneo e atirar balas de borracha. O estouro das bombas era ensurdecedor e o pior era o gás que intoxicava todos e fazia arder os olhos fortemente. Muitos se feriram gravemente com as balas de borracha, o que foi uma atitude covarde por parte da polícia. Teve até uma bomba, que não era de gás lacrimogêneo, que estourou perto de mim que estilhaçou para todo lado. Foi um absurdo ver professoras e professores de idade que estavam ali saírem correndo como se fossem marginais. Ai alguns começaram a revidar jogando qualquer coisa contra os policiais e o confronto se intensificou. A maioria que começou a jogar pedras não eram professores, mas estudantes universitários que apoiavam a greve. Na rua adjacente os policiais estavam mais exaltados atirando e trocando xingamentos com alguns manifestantes que começaram a jogar pedras. Os policiais correram em direção a estes e partiram para a agressão pura. Nesta hora, consegui ficar atrás dos policias junto com um cinegrafista da Bandeirantes, o qual estava perplexo e fez comentário assim pra mim: “ Esse Serra é um filhodaputa mesmo!”. Consegui filmar esse momento e também em seguida a prisão arbitrária e truculenta de um professor. Este além de algemado, recebeu socos e chutes dos policiais enquanto estava sentado no chão. Nessa hora eu estava tirando uma foto quando fui abordado de forma agressiva por um policial que chegou me empurrando, perguntando de onde eu era e mandou eu descer. E não deixou eu tirar fotos. Isso lembra muito uma ditadura e a cena da prisão deste professor e essa abordagem que eu recebi caracterizou bem isso. Também tirei foto de um policial que sacou a arma e se escondia atrás de uma árvore. Infelizmente a mídia, como sempre, deturpou novamente os fatos e reverberou e acatou somente a versão da polícia militar. Desde as outras manifestações a polícia mente sobre o número de manifestantes, pois na de hoje parecia ter umas 15 mil pessoas, mas a PM disse que eram apenas 3 mil. Na sexta-feira passada em frente ao Masp, eram no mínimo umas 40 mil e a PM disse que tinha apenas 8 mil. Nessa última manifestação, a PM fechou o espaço aéreo a maior parte do tempo, mas não sei se haveria muito interesse das emissoras em mostrar a multidão. Eu vi somente uma repórter do SBT que estava muito assustada e sua equipe também estava sofrendo com as bombas de gás. Do resto, só fotógrafos das principais agências e umas 3 jornalistas que pareciam umas “patricinhas” que também estavam assustadas com a violência da polícia, mas não viam problemas dessa em impedir a passagem dos manifestantes por uma rua. Por isso acharam que a culpa foi dos professores. Depois de chegar em casa, fui ver os telejornais e portais da internet, onde o que estava dominando a pauta das reportagens era o caso da Isabella Nardoni. Pude confirmar aquilo que eu sempre critico que é a manipulação das notícias na grande imprensa. O cinegrafista da Band filmou tudo, mas ele não edita as imagens e no jornal da noite não vi nada sobre a manifestação. Mesmo nos outros jornais a notícia foi rápida e mostrou como se nós fossemos os agressores. Nos portais e na TV disseram que os policiais “reagiram” e apenas e mostraram alguns professores feridos. Houve policiais também feridos, mas lá no meio eu vi muitos deles passando mal devido as próprias bombas de gás jogadas pelos outros colegas que estavam mais acima. A mídia, em geral, está apoiando Serra contra os docentes do estado. Boicotam a greve e dão pouco destaque as manifestações e ainda deturpam o sentido destas fazendo coro com o governo de que tudo é eleitoral. Garanto que se essa manifestação fosse na Venezuela de professores contra o Hugo Chávez, ai sim toda a imprensa iria repetir as imagens retratando os professores como vítimas de um regime ditatorial e a polícia truculenta. Mas como é o Serra, então não podem fazer muitas manchetes e reportagens negativas a seu respeito. É a mídia e o Serra trabalhando juntos para elegê-lo. No final, o governo não negociou e atrelou uma possível negociação somente com a paralisação da greve. Isso demonstrou o descaso do governo do PSDB com a educação. Faz 16 anos que estão no poder e não fizeram nada para melhorar não só o ensino, mas principalmente a situação das escolas e os baixos salários dos professores. É uma vergonha! Eles apenas investem bem nas propagandas mentirosas – essas sim eleitorais- do governo do estado de São Paulo. Também é lamentável a truculência da PM contra os professores, pois eles também recebem tão mal quanto nós. Na conversa informal com vários policiais que acompanharam a manifestação de forma pacifica semana passada e hoje, eles relatam a precariedade da situação deles. Muitos têm mais de um emprego para ter um salário mais digno no final do mês. Infelizmente a atitude da PM paulista é a repressão contra os mais fracos, ou seja, daqueles que não têm recursos pra se defender. Não tem nem um espaço na imprensa para fazer isso. É só ver como ambulantes, moradores de favelas e de terrenos ocupados, estudantes universitários e professores são tratados nas manifestações. É assim a política de negociação do (des)governo tucano com esses setores da sociedade paulista, ou seja, é na base da repressão.

Para finalizar deixo essa foto de uma professora depois da violência sofrida por ela e outros tantos que ali estavam somente reivindicando seus direitos e uma situação melhor de trabalho. Olhe bem para ela e verá que esse é o perfil da maioria do corpo docente estadual paulista. Será que ela representa uma ameaça a ordem pública? Parece ser uma “baderneira” ou vândala? Não, ela é uma professora, assim como todos nós, cansada de ser enganada e humilhada todos os dias quando enfrenta salas lotadas, sem condições de trabalho e no final receber uma mixaria. Como dizia o personagem - professor Raimundo - do Chico Anysio que naquela época já sabia: “ e o salário ó!” Abaixo os vídeos que fiz durante a manifestação:

Esse primeiro vídeo é o início da confusão:

Esse segundo vídeo são os policiais partindo violentamente para cima de alguns manifestantes:

Nesse terceiro vídeo mostra como é a ditadura do Serra contra seus opositores:

Depois dessa cena, esse professor foi obrigado a sentar no chão algemado e foi chutado e levou socos dos policiais numa atitude extremamente covarde por parte destes.


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24.2.10

Petkovic – Agente comunista disfarçado?

Parem tudo, pois a direitalha tupiniquim está com a razão. Estamos diante de um golpe para levar o Brasil a um regime socialista ou até comunista. A prova disso tudo é a propaganda favorável do jogador do Flamengo, Petkovic, ao regime socialista vivido por ele quando morava no seu país de origem: a antiga Iugoslávia. Ele disse isso no programa “cultural” da apresentadora Ana Maria Braga.Vejam:

“Viram? Que medo! Chamem a CIA, os militares, convoquem a marcha da TFP! Esse Petkovic é um agente comunista disfarçado no país para fazer propaganda socialista! Também, já tem sobrenome de comunista. Predam-no e o deportem para o seu país, hoje a Sérvia! É uma estratégia do Lula para a campanha da Dilma para implantar o regime socialista, pois o jogador é do time que tem a maior torcida do Brasil. Logo, ele convencerá esses a votarem na Dilma, pois como ela pretende impor um regime socialista, tudo vai ser como ele disse. Ta vendo. Tudo se encaixa.”
Isso que acabei de escrever é o que passa pela cabeça dos direitóides com suas paranóias delirantes. Se isso for escrito pelo blogueiro esgoto da Veja, pelos sites ultra-direitistas (se é que não escreveram) ou rodar os e-mails através daquelas correntes imbecis sobre conspirações do governo, com certeza muita gente acreditaria. Esses que acreditariam vão escrever o de sempre: que os regimes comunistas mataram 100 milhões de pessoas, como se todos fossem uma coisa só e como sempre misturar alhos com bugalhos.Para finalizar vão dizer que é conspiração do Lula e a Dilma. Agem sempre por instinto.

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18.2.10

Que Serra nos Arruda?

O escândalo envolvendo o governador do distrito federal, José Roberto Arruda (ex-DEM) e sua base de apoio de deputados distritais, atingiu o seu ápice com a prisão inédita do governador. As gravações em vídeo da corrupção, onde aparece diretamente Arruda recebendo dinheiro, chocaram o país, mas infelizmente todos sabem que isso não é exclusividade de Brasília. Logicamente que por causa disso não justifique a ação criminosa do bando de Arruda, mas seria ótimo que aparecessem mais gravações de tantas outras administrações públicas do país por ai. Geralmente esses escândalos têm interesses por trás que envolvem políticos, empresários e a imprensa. No caso do distrito federal, pode ser que haja uma mãozinha do ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), o qual é tão corrupto quanto Arruda.
O ex-partido de Arruda, Democratas (antigo PFL), que na esfera federal é oposição radical ao governo Lula não demonstrou o mesmo ímpeto “ético” que tenta passar nos escândalos que atingem o governo federal. No começo tentaram afasta-lo, mas Arruda ameaçou e com isso obrigou-os a um acordo e ele deixou a legenda. José Roberto Arruda não era nenhum “zé ninguém” dentro do partido e tinha influência com os coronéis. Já era considerado o político mais proeminente do partido, pois era o único governador eleito pela legenda, e era muito cotado para ser vice em uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, José Serra. Até 2001, Arruda era do PSDB e foi líder do governo FHC. No vídeo abaixo, Serra declara essa chapa fazendo até uma brincadeira dizendo: “vote em um careca e ganhe dois”.

Esse video foi pouco divulgado pela imprensa brasileira, pois como já citei em outro artigo, nessas eleições a grande imprensa se torna as Organizações Serra de Jornalismo, onde o intuito é blindar o governador para tentar elege-lo esse ano. Mesmo com Arruda a mídia de certa forma está “pegando leve” com as denúncias e ainda tentam colar nesse escândalo a imagem do presidente Lula. As manchetes sempre tentam jogar que Lula esta sendo conivente com o caso. Já os ex-colegas de partido que alguns defendem e outros fazem de conta que querem a punição do governador é muito pouco explorado. As manifestações contrárias ao governador em Brasília foram reprimidas violentamente pela polícia e a maior parte da imprensa fez pouco caso disso. Nas gravações também há empresas envolvidas no escândalo, as quais mantêm contratos milionários com o governo estadual paulista e o governo do município de São Paulo como mostra essa reportagem da revista Carta Capital publicada no site do jornalista Luiz Carlos Azenha.
É sempre bom fazer uma reflexão do contrário, ou seja, de como seria o comportamento dessa imprensa e a repercussão se esse escândalo atingisse o PT. A mídia corporativa tem um ranço com o PT e quase sempre qualquer minúcia envolvendo o partido é superescandalizado. Se o caso envolvesse um possível candidato a chapa de Dilma e que este já tivesse sido do PT e líder do governo Lula, ai teríamos uma superexploração do caso. Com certeza iriam fazer todas as possíveis ligações da rede de corrupção com políticos do PT, iriam repetir incansavelmente o vídeo de Dilma brincando com uma possível chapa com o corrupto e a repressão contra os manifestantes seriam tachadas de “policia stalinista” ou “bolchevique” ou ainda um prenúncio de uma ditadura contra os direitos civis em mais um governo petista. Como tudo isso envolve um político de oposição e vinculado a Serra, então o caso é individualizado e suas ramificações são muito pouco exploradas.
Aliás, essa imprensa, especificamente a “revista” Veja, pouco antes de estourar esse caso elogiava Arruda e sua gestão “eficiente”. É o que se vê nessa foto retirada das páginas amarelas da Veja onde diz que ele é o governador que deu a volta por cima.
Coincidentemente, como também mostra a nota do diário oficial do estado nessa foto, o governo de Arruda brindou a editora Abril com a assinatura da “revista” Veja totalizando cerca de R$ 450 mil em contrato de um ano.
Alem de Arruda, José Serra também gosta de ajudar financeiramente, ou melhor, retribuir o favor que seus amigos da mídia fazem para ele. De acordo com o diário oficial do estado de São Paulo, entre 2007 e julho de 2009, Serra gastou cerca de R$ 76 milhões em assinaturas sem licitação de publicações de grandes corporações midiáticas. Todas foram direcionadas para a educação, como a revista Nova Escola (editora Abril) que foi distribuida a todos professores da rede. No ano passado, já mais perto das eleições, o governo estadual paulista assinou para as escolas a revista Veja, a revista IstoÉ, o jornal O Estado de S.Paulo e o jornal Folha de S.Paulo. Tudo sem licitação e com dinheiro público financiando aqueles que fazem campanha para ele. Esse vídeo exemplifica um pouco isso. É mais um incentivo de Serra para os amigos, mas para a educação são migalhas que enfeitam a propaganda enganosa de seu governo.
José Serra tem um perfil autoritário e não gosta de ser questionado. Quando isso é feito (o que é raro) ele não responde ou responde de maneira grosseira. Ele fez isso quando um repórter da TV Brasil perguntou sobre a falta de água que afetava quase 800 mil pessoas em plena cidade de São Paulo, pois a Sabesp (que é vinculada ao estado) tinha responsabilidade. Serra foi ríspido na resposta e reclamou da pergunta, ou seja, tem seguir o manual que a grande imprensa segue quando o entrevista não fazendo nenhuma pergunta incômoda. O vídeo pode ser visualizado aqui. Dias depois, quando a cantora Madonna veio ao Brasil e foi recebida por ele e seu “secretário da educação” no Palácio dos Bandeirantes, ai ele falou bastante quando foi perguntado sobre o que conversou com ela. Serra disse que a cantora vai tocar um projeto voltado para a educação, onde o estado de São Paulo não irá gastar nada e vai “entrar apenas com as crianças”. Investir em educação não é plano de governo dele nem do seu partido.
Para finalizar e exemplificar como o governador se preocupa com o interesse público, o vídeo abaixo mostra que ele faz por merecer o apelido que ganhou na internet: Zé Pedágio. Os pedágios são as verdadeiras políticas de governo do PSDB no estado de São Paulo e as empresas certamente garantem uma boa ajuda para estes durante a eleição. Vale lembrar que além de pagarmos o IPVA mais caro do Brasil, também temos que arcar com os pedágios mais caros do país. A implantação de praças de pedágios está a todo vapor e cada vez mais está ilhando cidades inteiras. Só a região de Campinas é cercada por 22 pedágios. É a sanha privatista entreguista de Zé Pedágio.

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5.2.10

As Organizações Serra de Jornalismo

Esse ano eleitoral de 2010 vai mostrar mais uma vez a parcialidade partidária e ideológica da grande imprensa brasileira. As principais corporações midiáticas brasileiras (Globo, Grupo Folha, Estado, Grupo Abril e Bandeirantes) manipulam informações para atender interesses de classe, empresariais e políticos. Em 1964, por exemplo, esta deu apoio ao golpe de estado e hoje é comprometida politicamente com partidos políticos de espectro ideológico de direita.
Desde que Luís Inácio Lula da Silva foi eleito em 2003, a imprensa não se conformou de esse governo não ter feito o que eles esperavam, ou seja, ser um desastre econômico e social. Com isso, esta passou a atuar em conjunto com a oposição contra o governo Lula, transformando-se quase em um partido político. Há os que chamam a grande imprensa brasileira de Partido da Imprensa Golpista ou PIG e as corporações de porcorações mafio-midiáticas, as quais refletem bem o que estes são hoje em dia. Vale lembrar que no caso do Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT), a grande imprensa sempre trabalhou contra os seus candidatos, sendo a eleição de 1989 com a manipulação do debate entre Collor e Lula pela Globo, emblemática. Muitos estudos de observação das notícias favoráveis e contrárias dos jornais durante as eleições revelam essa parcialidade partidária, onde os candidatos petistas, por exemplo, sempre tem índices de noticias negativas bem superiores ao dos adversários.
O ativismo político da mídia não se manifesta apenas em período eleitoral, pois desde a eleição e reeleição de Lula, isso se tornou permanente. Obviamente há candidatos e partidos que tem certa preferência pelas grandes corporações midiáticas que no caso atual é o PSDB e o governador José Serra. Isso se evidencia pela falta de investigação, cobrança e críticas as ações do governo estadual e ao contrário, o que se vê geralmente em editoriais é elogios e apoio. No estado de São Paulo, a mídia fecha os olhos para os problemas e quase nunca relaciona fatos negativos com o partido que governa o estado e muito menos o governador. As “crises” que a mídia propaga são só federais, as quais muitas vezes não passam de factóides, e em São Paulo são problemas localizados. Só para lembrar, tem o escândalo Alstom que é a investigação pelo Ministério Público da Suíça sobre o pagamento de propina a políticos tucanos, o qual rendeu algumas reportagens, mas ninguém na imprensa saiu atirando e tachando o PSDB de corrupto. As diferenças de tratamento de escândalos e relaciona-los a políticos e partidos também é grande. Por exemplo, no chamado “mensalão” de 2005, ficou tachado como “mensalão do PT” e quando se verificou que o esquema começou com um tucano em Minas Gerais, isso foi apelidado de “mensalão mineiro”. Outros acontecimentos no estado que foram relativizados pela imprensa, além dos já citados: abertura da cratera do metrô e as suspeitas de superfaturamento de obras como o Rodoanel; briga campal e ao vivo das duas polícias do estado; reivindicação de melhores salários de professores e policiais e a farra dos preços abusivos dos pedágios no estado. O acontecimento mais recente são as constantes enchentes, principalmente na cidade de São Paulo, que já matou mais de 60 pessoas e desabrigou outras milhares no estado. Tudo isso não é cobrado do governador pela imprensa, pois tucanos não gostam de perguntas incômodas e geralmente os jornalistas obedecem isso, com poucas exceções. Se Serra é questionado, geralmente ele coloca a culpa no PT e pronto. Agora, se o governador fosse petista, ai a mídia cairia em cima e investigaria todas as minúcias para acusar o partido e o governante de algo. Um exemplo é quando a cidade de São Paulo era governada pela petista Marta Suplicy. Nessa época, as enchentes da cidade eram todas culpa da Marta, mas agora a culpa é de São Pedro e, segundo o Serra, somente do povo. Hoje, o governo Serra nem é responsabilizado pela falta de manutenção do desassoreamento do rio Tietê. Quando houve um dos piores alagamentos em São Paulo no começo de dezembro do ano passado, Serra e Kassab estavam sendo premiados em uma festa de celebridades do Luciano Huck. Não vi nenhuma manchete sobre isso, mas lembro de uma da Folha, durante a gestão Marta, reclamando que enquanto a cidade sofria com alagamentos ela estava em Paris. Atualmente a colunista do mesmo jornal Eliane Cantanhêde questionou onde estava o governador do Rio de Janeiro quando ocorreram as enchentes e desabamentos no estado, mas aqui ela não faz o mesmo com Serra.
Desde que Dilma Roussef foi definida como preferida de Lula para sua sucessão, essa passou a ser o alvo preferido da imprensa. Exemplo disso foi a manipulação descarada do jornal da Band e seu polêmico e preconceituoso âncora Boris Casoy ontem (04/02/10) no jornal da noite. Depois de uma reportagem sobre a polêmica da compra dos caças franceses e outra sobre o balanço do PAC, Boris atacou o governo com suas ilações costumeiras, geralmente as mesmas da oposição, e finalizou comparando Dilma com José Serra. Quando se referiu a José Serra, além de exibir um grande sorriso, Casoy destacou trecho da revista The Economist, a qual elogiava Serra por sua gestão no estado e que seria uma pena o país perder de eleger um ótimo governante. Em seguida uma reportagem sobre os dois novos ocupantes da justiça eleitoral em São Paulo, onde um deles elogia o governador e depois ele é entrevistado pelo jornal, fechando o bloco. Foi uma manobra jornalística clara em favorecer o governador. Interessante que o Lula foi e é elogiado pelo seu governo e tido como estadista não só pela The Economist, mas também pelas maiores e melhores publicações do mundo e nunca vi nem Boris e nenhum outro jornalista da grande imprensa fazer referencia a essas publicações quando essas citaram o presidente. Mais uma vez, se o presidente fosse tucano e o Brasil estivesse nas mesmas condições de hoje, certamente a abordagem midiática seria totalmente chapa-branca. Iriam fazer estardalhaço com todos os índices positivos, tanto econômicos quanto sociais, e exaltariam o presidente tucano como o maior estadista de todos os tempos. Mas isso não aconteceu então todos os avanços econômicos e sociais do atual governo é devido as políticas tomadas pelo governo anterior, que era tucano. É isso que a grande imprensa tenta afirmar e no jogo do poder ela entra firme e ativa em apenas um dos lados. É incrível, mas quando vejo noticias sobre outros países, há sempre uma tal “mídia de oposição”. Lógico que isso geralmente só ocorre em países onde a esquerda governa. Só aqui que a imprensa diz ser imparcial e honesta. Nesse ano eleitoral, a mídia vai trabalhar mais firmemente para eleger seu candidato que é o José Serra. Com isso, esta se transforma nas Organizações Serra de Jornalismo.

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2.2.10

Rap do Boris - Direto de Piracicaba


Esse vídeo-clipe do rapper piracicabano Daniel Garnett ou Daniel Epô está circulando na internet, inclusive em sites como do jornalista Luiz Carlos Azenha. O vídeo e a música são sobre a humilhação que o Boris Casoy fez com os garis naquele episódio grotesco, o qual já foi comentado aqui no blog. A música é perfeita e uma verdadeira bofetada na cara do jornalista e daqueles que concordam com ele. Pelo myspace do rapper, percebe-se que o cara é um talento e muito criativo. O clipe da música “Isso é uma vergonha” já está conhecido como “Rap do Boris” e mostra muitas imagens de Piracicaba. No começo o rapper aparece no rio Piracicaba e ao fundo a cachoeira conhecida como “Véu da Noiva”. Em seguida as imagens são do Engenho Central e do cara fazendo malabares entre a avenida Armando Salles e a Rua Prudente de Moraes. É muito satisfatório ver conterrâneos com senso crítico e criatividade em expressar a revolta e indignação de todos que condenaram o ato de Boris CCCasoy. Parabéns ao Daniel Garnett “Epô”.


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28.1.10

Tragédia, Preconceito e Interesses no Haiti

A tragédia causada pelo terremoto no Haiti matou até agora cerca de 100 mil pessoas e desabrigou 3 milhões. Uma catástrofe sem precedentes e que gerou mobilização mundial, de líderes políticos até artistas, para a causa humanitária desesperadora que passa o país. Mesmo que muitos usem isso, principalmente artistas, para fachada ou para atrair holofotes, toda a ajuda é bem vinda. O Brasil tem papel importante no país, pois está desde 2004 cumprindo missão de paz e estabilização pela ONU, os quais também sofreram baixas. O que foi pouco divulgado e discutido foi o histórico de invasão e manipulação política-econômica que os EUA exerceram no Haiti. Divulgam a história bonita que é ser o primeiro país a abolir a escravidão em 1794 e posteriormente derrotou os franceses, mas pouco falam sobre o bloqueio imposto pelos países escravistas por 60 anos devido a esse ato de "rebeldia". Os norte-americanos invadiram o país em 1915 e ficaram no poder até 1934 para cobrar dividas do Citibank e mudar a lei para permitir a venda das plantations aos estrangeiros, conforme revela o escritor Eduardo Galeano em seu excelente texto intitulado “ A história do Haiti é a história do racismo na civilização ocidental”. Além disso, os norte-americanos apoiaram diretamente as ditaduras mais sangrentas, como a dos Duvallier e o terror dos Tonton Macoutés e colocaram e retiraram Jean- Bertrand Aristides do poder. O terror e miséria do país é conseqüência direta da intervenção e imposição dos interesses dos EUA no país e ainda há os que reclamem da ajuda tanto humanitária quanto mais monetária que os países estão mandando. É triste ver como há pessoas sem um pingo de humanidade não quererem que seus países ajudem financeiramente o Haiti. É o que ocorre tanto nos EUA como no Brasil em muitas manifestações que tem na base o preconceito religioso e o racismo. O próprio cônsul do Haiti no Brasil expôs isso na Televisão sem saber que estava sendo filmado e pelo mesmo caminho grotesco foi o pastor evangélico da TV norte-americana Pat Robertson. Ambos enveredaram pelo mesmo “argumento” de que o desastre também teria sido conseqüência dos rituais de Vodu seguidos pela maioria dos haitianos. No caso desse pastor e outros conservadores dos EUA, eles apelaram em rede nacional para que a população dos EUA não doasse nada para o Haiti para não favorecer as políticas do Obama. Nesse aspecto, os conservadores de lá tem muitas semelhanças com os daqui, pois aqui não perderam tempo em criticar o governo Lula pela ajuda de cerca de 300 milhões de reais para o Haiti. O Brasil também esta passando por tragédias naturais como as enchentes que já mataram e desalojaram muitas pessoas, mas não se compara com o que ocorreu no Haiti. Aqui o governo esta ajudando e já anunciou ajuda as famílias afetadas, mas o oportunismo político para atacar Lula não é desperdiçado, como é o caso desse infeliz da RBS TV do Rio Grande do Sul chamado Lasier Martins. Clique aqui e veja o quanto uma pessoa pode ser ridícula e sem-vergonha e como pode ser manipulador um jornal. Aliás, no caso das enchentes aqui em São Paulo ninguém questiona ou critica o governador José Serra, que nessas horas some e aparece em situações estratégicas para os holofotes da mídia.
Uma outra noticia, que saiu no jornal britânico The Guardian e traduzida pelo site do jornalista Luiz Carlos Azenha, me deixou estarrecido. Há apenas 90 quilômetros do desastre no norte do Haiti, precisamente em Labadee, transatlânticos luxuosos ainda atracam em praias alugadas pelas grandes companhias de cruzeiro para os seus passageiros nadarem, andarem de jet ski e curtirem aprazivelmente o lugar bonito cheio de florestas. Essas praias são praticamente privatizadas e são seguras por homens fortemente armados, ou seja, ninguém quer ver haitianos famintos “invadindo” esses lugares que se tornaram “privados”. Aliás, o mesmo ocorre em muitas praias onde há resorts aqui no Brasil. A desculpa das empresas e autoridades haitianas, certamente corruptas, é de que investiram milhões para reformar o lugar e dão empregos há alguns haitianos, ou seja, como sempre retribuem com migalhas ao povo. Isso sim é um absurdo e mostra que mesmo um país que já passou por muitas tragédias, sendo essa a pior, os intere$$e$ acabam prevalecendo.
OBS: Este texto foi publicado no jornal A Tribuna de Piracicaba.

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14.1.10

O passado de Boris CCCasoy e o PIG

Em 1968, precisamente dia 9 de outubro, a revista O Cruzeiro ( a qual não existe mais) publicou uma reportagem sobre o movimento Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O repórter se encontra com alguns de seus integrantes e traça o perfil de cada um deles, de acordo com o que viu e ouviu dos próprios membros do grupo. Esse grupo de cunho nazista era formado supostamente por personalidades como o âncora do jornal da Band Boris Casoy. Sim, aquele preconceituoso e racista que humilhou e debochou de humildes garis com seus coleguinhas de estúdio. Há outros também que supostamente faziam parte do bando e colaboram hoje na grande imprensa brasileira como: o advogado Roberto Ulhoa Cintra, que hoje é colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e escreve artigos para o mesmo; o outro advogado Lionel Zaclis, o qual é articulista da Folha de S. Paulo. Há também o caso de outro suposto membro do CCC, Cássio Scatena que também é advogado, teria assassinado o operário Nelson Pereira de Jesus por reclamar do salário.
Portanto, esse é um pouco do perfil atual desses que teriam sido membros do CCC. A reportagem completa da revista está abaixo e é só clicar na imagem para ampliá-la.





Essa reportagem foi achada pelo blog hilário e crítico Cloaca News, o qual também refez o cartaz da revista sobre os integrantes do CCC e trocou com os atuais membros de outra organização que se transformou em partido político que é o Partido da Imprensa Golpista (PIG). Esse termo surgiu ma internet e é usado para denominar a grande imprensa brasileira. O "novo" cartaz está abaixo e também é só clicar para ampliá-lo.


Abaixo os nomes dos membros do PIG:
Primeira fila - Otávio Frias Filho, Mônica Waldvogel, Ricardo Boechat, Reinaldo Azevedo, Nélson Sirotsky, Arnaldo Jabor, Fernando Mitre
Segunda fila - Diogo Mainardi, Eliane Cantanhêde, Alexandre Garcia, William Waack, William Bonner, Lucia Hippolito, Josias de Souza
Terceira fila - Augusto Nunes, José Nêumane Pinto, Joelmir Betting, Merval Pereira, Clóvis Rossi, Miriam Leitão, Carlos Alberto SarDEMderg
Quarta fila - Boris Casoy, Renato Machado, Roberto Civita, Ricardo Noblat, Ali Kamel (o ator)


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13.1.10

O avanço da democracia – PNDH-3

O lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) pelo governo federal provocou a ira dos setores mais retrógrados e conservadores da sociedade brasileira: conservadores políticos, ruralistas, a grande imprensa e suas entidades patronais e os militares. Como se pode observar é uma minoria que esta fazendo um alarmismo infantil em torno das questões sérias que são trazidas pelo programa, ou seja, atira primeiro pra depois perguntar. Eu sempre enfatizo que se esses setores estão contra, então pode ter certeza que vai ser bom para o país.
O PNDH-3 nada mais é do que diretrizes para orientar a atuação do poder público perante as questões dos direitos humanos, o qual é bastante abrangente, e segue todas as convenções internacionais sobre os direitos humanos. A elaboração deste começou em 1996 com a publicação do PNDH-I e revisado em 2002 com o PNDH-II no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Portanto, não é um programa do governo Lula, mas sim um programa de estado. Isso representa um avanço enorme no amadurecimento da democracia no país, pois traz a tona diversas questões polêmicas para serem debatidas pela sociedade para que essas não sejam escondidas ou simplesmente esquecidas como querem os críticos do programa.
Já era de se esperar que os militares iriam chiar contra o programa, pois esse traz o assunto sobre as torturas e assassinatos do período militar e indica que esses devem ser apurados. Ora, o Brasil ainda tem centenas de desaparecidos políticos desse período e houve tortura e assassinato pelo poder militar na época o que não é passível de anistia, segundo a Corte Internacional Penal. Então os fatos devem ser apurados e é isso que o PNDH sugere. Mas os militares, assim como seus ventríloquos na mídia e parte mínima da sociedade, alardeiam que o documento quer punir os crimes da época e acabar com a lei da anistia, o que não é verdade. Seria bom se esse documento pudesse fazer isso, pois a países como Argentina, Uruguai, Chile e Espanha estão fazendo isso e o Brasil está atrasado nessa questão.
Sobre a questão das ocupações de terra, o documento sugere que sejam feitas audiências dessas para diminuir a violência no campo. Isso é bom e positivo, pois vai ouvir o outro lado que nunca é ouvido e diminuir os conflitos agrários, os quais provocam a morte de muitas pessoas, que em sua maioria são: pobres do campo, integrantes de movimentos sociais, indígenas, quilombolas, religiosos ou qualquer um que questione os “poderosos” do campo. Essas audiências poderão também finalmente verificar o que os movimentos sociais estão denunciando nessas ocupações, pois é fato que a maioria dessas grandes “propriedades” não cumprem sua função social e boa parte dessas são griladas. As entidades ruralistas e seus representantes no Congresso, como a histriônica senadora Kátia Abreu, estão esperneando contra isso, pois são os maiores responsáveis pela: violência no campo, devastação dos biomas e a degradação do trabalhador rural. Há a questão do trabalho escravo, o qual esses também são contrários às fiscalizações e possíveis punições. Os ruralistas querem é que a política no campo seja a da violência empregada pela polícia nas reintegrações de posse e que o estado brasileiro deixe-os empregar trabalhadores da maneira que eles bem entenderem.
O pior é o que a grande imprensa está fazendo sobre o assunto e está cometendo uma das mais graves manipulações nas reportagens sobre o assunto para tentar enganar a população. Dissimulam e traz de volta velhos clichês da época da guerra fria para tachar o documento de ideológico e tem até aqueles (os mais loucos e paranóicos) que identificam no programa uma preparação para a instalação de uma “ditadura comunista”. Destaque para os jornais televisivos da Globo e Bandeirantes, pois quando o assunto é apurar o que houve no regime militar, estes sabem muito bem que além de apoiarem o golpe, também foram coadjuvantes nas ações dos torturadores e assassinos do estado. Vale ressaltar que o grupo Folha cedia suas peruas para transporte de presos políticos aos centros de tortura e a Globo foi a maior beneficiada com as concessões durante a ditadura, o que fez com que a sua transmissão cobrisse todo o país. A mídia brasileira é por natureza antidemocrática, ou seja, não é aberta a diversidade de opinião e pensamento. Para elaborar as “reporcagens” e “debates”sobre o assunto, são pinçados seletivamente “especialistas”, ou seja, somente aqueles que vão dizer o que previamente eles querem. É o que aconteceu com o jornal da Band com o âncora preconceituoso declarado Boris Casoy, onde a reportagem simplesmente inventou coisas que não há no programa e para “certa”legitimidade foi ouvir um “especialista” da “sociedade civil”, que nesse caso foi o tributarista Ives Gandra Martins. Esse é um notório reacionário direitista que sempre é chamado para dar sua “opinião” na grande imprensa, assim como outros “imparciais” como Bolívar Lamounier que é militante tucano. É assim que é na imprensa brasileira, onde esses tipos de “reporcagens” ou “debates” parecem mais um jogo de futebol com um time só jogando, onde um jogador cruza para o outro somente cabecear e fazer o gol. O jornal da noite da Globo do “assustador” William Waack tentou distinguir o PNDH do Lula com o de FHC. Pinçou algumas minúcias, ou seja, pequenas palavras diferentes para somente atacar o governo Lula para fazer o jogo da oposição nesse ano eleitoral. Aliás, o real motivo dessa histeria da imprensa são as eleições deste ano, pois ela se calou e até foi favorável a esse programa quando foi lançado em 2002 durante o governo FHC, como demonstra o jornalista Marcelo Salles aqui. Recomendo o ótimo texto do ex-governador de São Paulo e professor Cláudio Lembo (filiado ao DEM) publicado no Terra Magazine intitulado "Vá á fonte". Admiro o Cláudio Lembo pela independência nas suas opiniões e além de tudo é coerente com o que pensa, embora não pense igual a ele. É raro ver na direita alguém assim, pois ele até já enfrentou os coronéis do seu partido e não cede ao jogo político e sujo nas suas observações e críticas.Quem quiser seguir o conselho dele e ir direto a fonte clique aqui para baixar o documento. Há raras exceções na imprensa que às vezes esses não conseguem esconder, como a entrevista da CBN com o formulador do segundo PNDH no governo FHC, Paulo Ségio Pinheiro. Este passou um sabão no repórter e na imprensa em geral e sua entrevista é esclarecedora. Quem quiser ouvir é só clicar abaixo:

Portanto, parabenizo o Paulo Vannuchi e todos que colaboraram para a formulação desse PNDH - 3, essencial para a sociedade e que finalmente norteia o estado brasileiro a agir a favor dos direitos humanos.

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