29.12.07

Que abram os Arquivos da Ditadura !

A ditadura militar no Brasil durou 21 anos e perseguiu, torturou e matou pessoas, com base na paranóia anti-comunista apoiada pelos (como sempre) Estados Unidos. Naquela época, todos que discordavam do regime ou que eram "suspeitos" eram considerados "subversivos". Por isso gosto dessa palavra (subversivo), pois se o sentido da palavra "subversão" no dicionário é a insubordinação ao poder instituído, no meu caso, soma-se a insubordinação ao poder midiático empresarial.
Nesse ano de 2007 dois casos trouxeram á tona a polêmica sobre os arquivos da ditadura e também a punição dos agentes que perpetraram tais crimes. O 1º caso foi a acusação de uma família contra o coronel de São Paulo Carlos Alberto B. Ustra por seqüestro e tortura em 1972 e 1973. O 2º caso vêm agora, pois a justiça italiana emitiu mandados de prisão de acusados na participação do seqüestro e desaparecimento de dois guerrilheiros ítalo-argentinos no início da década de 80. Isso ocorreu durante a operação Condor, a qual foi uma ação conjunta das ditaduras do cone sul da época (Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) contra seus opositores.
A polêmica está lançada e mais uma vez entram em cena aqueles que consideram a ditadura militar no Brasil uma "página virada" da história e outros que querem a abertura imediata dos arquivos da ditadura e possíveis punições para os culpados. A grande imprensa brasileira se encaixa nos primeiros e com isso expõem o passado leniente e subserviente de seus donos para com os militares. O editorial de hoje da Folha de S. Paulo (29/12/07) mostra a desfaçatez daqueles que apoiaram o golpe de 1964 e hoje querem posar de "autênticos guardiões dos princípios democráticos". Diz o editorial: "O Brasil, até porque a repressão resultou em menos assassinatos e desaparecimentos do que na Argentina, no Chile ou no Uruguai, tende a ver esse capítulo como página virada. A Lei da Anistia funcionou -e ainda funciona- aqui como instrumento de conciliação nacional." Quer dizer que a Folha acha pouco as mais de 400 pessoas (os números divergem sobre o total de mortos durante a ditadura brasileira) mortas pelo regime militar e como esse número é inferior aos dos países citados, então isso é uma página virada? A Lei da Anistia é um absurdo e não tem nada a ver com conciliação nacional, mas sim com a impunidade dada aqueles que tomaram o poder ilegalmente. Mais para frente o editorial revela: "As vítimas do regime, vale lembrar, não poderiam considerar-se, na maioria dos casos, militantes da democracia. Alguns mataram inocentes em nome de um ideal que, quando realizado, nenhum respeito aos direitos humanos manifestou."
Nesse trecho o editorial deixa claro o seu apoio as execuções, torturas e perseguições dos militares, pois até hoje o jornal (e o resto da grande mídia também) escreve os mesmos bordões daquela paranóia anti-esquerda da época. Para evidenciar isso é só dar uma olhada em um discurso do deputado que apóia até hoje a ditadura, Jair Bolsonaro (PP-RJ), que está disposto no youtube e que o blog do Mello sempre faz questão de mostrar a seus leitores. Nesse discurso, o deputado lê todos os editoriais dos principais jornais (Folha, Estadão e Globo são alguns deles) do país antes do golpe, depois do golpe e após a saída dos militares do poder.Todos apoiaram incondicionalmente os militares contra o que eles achavam e acham até hoje o pior, que é o alcance do poder por pessoas e grupos de esquerda, mesmo que esses sejam eleitos. Na última frase desse trecho isso fica claro, pois como aqueles que mataram em nome de um ideal não respeitavam nenhum direito humano, mas não respeitar esses direitos é válido quando esses são combatidos.
O governo deveria ter mais coragem e iniciativa sem ceder as pressões de alguns militares e da imprensa golpista e abrir os arquivos da época de chumbo que o país viveu. Aí sim, teríamos noção do número certo de pessoas perseguidas e mortas e também saberíamos quem colaborou com o regime para que isso acontecesse. Deve ser por isso que os Frias, Mesquitas e principalmente Marinhos temem que esses arquivos sejam abertos. O envolvimento dos EUA já é fato, pois nos documentos recentes que foram divulgado pela lei, provam que os militares além de servirem aos propósitos deles ainda tornariam o Brasil em um "quintal seguro" para empresas poluidoras.
É uma pena constatar que a imprensa ainda insiste em isentar os torturadores e assassinos do regime militar.◦
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5 comentários:

Anônimo disse...

O UNICO ERRO DO REGIME MILITAR FOI TER DEIXADO DE COMPLETAR A "OBRA"...DEVERIA TER FEITO IGUAL A ARGENTINA DE VIDELLA OU O CHILE DE PINOCHET, POIS NESTAS HORAS O BRASIL NÃO ESTARIA SOB O DOMINIO DA DITADURA DO CRIME ORGANIZADO DA GANG DE LULA E DO PT ONDE GENOINO, DIRCEU,DILMA E OUTROS TERRORISTAS ESTÃO AHI POSANDO DE 'SANTINHOS" POR CONTA DA GENEROSIDADE DO REGIME MILITAR QUE OS DEIXOU LIVRES ...
MAS UM DIA A CASA CAÍ... E DESSA VEZ VAI CAIR A CIDADE INTEIRA
AGUARDE!!!

João Humberto Venturini - Beto disse...

Não sei pq vcs não se identificam? Esse comentário mostra bem a face autoritária e ditatorial dos direitóides. Exemplo clássico de uma viúva da ditadura militar. Esse anônimo parece ser mais um poodle leitor do blog do Reinaldo Azevedo. Lamentável.

Over Looka disse...

Posso dar um Palpite? Talvez esse moço do primeiro comentário o tenha encontrado pelo Blog do Josias de Souza, bem como eu!

Porém, foi justamente a sua opinião lá que me encantou e me trouxe aqui. Estou ainda mais contente por ter encontrado o teu blog, apesar de ser alienada perto de ti.

Enfim, quis apenas regristrar minha visita.

Erich Vallim Vicente disse...

Betão, concordo em gênero, número e grau sobre a necessidade, irremediável, de abrir os documentos da Ditadura. Só não concordo em dizer que 'o perigo comunista era paranóia'. Se fosse assim, não teríamos em âmbito mundial, duas potências se degladiando por espaço durante o período da Guerra Fria. E, após o golpe, não apareceriam as milícias do Partido Comunista, que foram dizimadas. Mas, sim, os arquivos têm de ser abertos, doa a quem doer. Um abraço e vamos nós outra vez em mais um ano...

Raul--Klatos disse...

Talvez voces quisessem viver como vive Cuba até hoje. Quem fala em ditadura não conhece a história sobre Cuba, Argentina, Chile, Pol Pot...

Aqui só existiu "ditadura" para se criar uma grande empresa de indenizações onde há milhares na lista aguardando o seu que sairá do meu, sendo que não chegou a 500 os mortos, isto incluindo os dois lados e os justiçamentos.