27.9.10

A irracionalidade da direita, segundo o direitista Cláudio Lembo

O embate político no Brasil se radicalizou e a imprensa se tornou de vez um partido político (PIG) engajada juntamente com a oposição contra o governo Lula e sua candidata, Dilma Roussef. Isso já é fato e qualquer um com o mínimo de senso crítico percebe isso. A imprensa e seus donos sempre foram ligados ao poder e tiveram muitos privilégios devido á isso. Radicalmente alinhada à direita, a grande imprensa brasileira participou ativamente do golpe de 1964 e agora está na linha de frente da tropa de choque como cabo eleitoral do PSDB e seu candidato Serra. Aliás, finalmente o Estadão assumiu isso, mesmo que tardiamente e todos já sabiam da militância do jornal em favorecer Serra e os tucanos.
A direita no Brasil hoje é majoritariamente representada pelo PIG e seus trogloditas que babam na TV, jornal, revistas (não preciso nem dizer qual...) e blogueiros de esgoto. Aliás, a direita daqui já está no nível baixo da direita norte-americana, a qual chega ao cúmulo de duvidar se Obama é nascido nos EUA e o tacham de terrorista muçulmano esquerdista. Já os direitóides tupiniquins já chamam a candidata Dilma de “terrorista” e agora tentam fazer um falso alarde sobre o cerceamento da liberdade de expressão e imprensa.
Mas ainda há uma direita sensata e coesa que procura debater sem ataques rasteiros e sujos, como vêm acontecendo nessas eleições. O ex-governador de São Paulo pelo PFL (atual DEM), Cláudio Lembo, é um exemplo. Ele ficou conhecido por reconhecer que o Brasil possui uma “minoria branca muito perversa” e seleciono um trecho dessa entrevista que ele declarou isso:
“Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?
Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.
Folha - Que ficou assustada nos últimos dias.
Lembo - E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar.
Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no restaurante Fasano].
Lembo - Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país.”

Quem quiser ler toda a entrevista, clique aqui.

Lembram desse movimento ridículo que foi denominado de "cansei"? Este mostra os típicos exemplares da "minoria branca perversa" que protesta em restaurantes cinco estrelas descrita por Lembo. Ele também rechaçou os ataques paranóicos e delirantes da direita e da grande imprensa em relação ao Programa Nacional de Direitos Humanos – 3 (PNDH-3). Ele reconhece o avanço do PNDH-3 para o país e como manda o título do artigo, diz a todos irem à fonte.
Agora o mais recente texto de Cláudio Lembo diz sobre o atual momento das eleições e a irracionalidade e perversidade da direita em jogar tão baixo nesse momento. Vale a pena ler esse artigo:
“Tempo de refletir
Cláudio Lembo
De São Paulo
Nesta segunda feira, cada eleitor poderá dizer: no domingo, as eleições. A campanha cívica aproxima-se de seu final. Todos os segmentos sociais e todas as idéias políticas tiveram seu espaço.
Nunca tantos partidos de esquerda ofereceram seus posicionamentos. Raras vezes, como nesta campanha, a direita mostrou todo o seu furor. Reuniu-se em pequenos grupos. Criou falsos temores.
A democracia conviveu com todos os antagonismos de forma serena e superior. Os grandes setores sociais mostraram-se críticos, sem provocar qualquer extremismo.
Um colégio eleitoral ativo, imenso como o brasileiro, tem conferido exemplos de pleno respeito aos princípios políticos democráticos. Tudo foi argüido contra este ou aquele candidato.
A sociedade assistiu impassível às múltiplas insinuações e às desconfortáveis situações. Recolheu todos os elementos em sua consciência. No próximo domingo, concederá seus votos, nos candidatos aos vários cargos eletivos, com a certeza de quem recolheu elementos para uma decisão qualificada e nítida.
Se alguma comparação fosse possível - as comparações em política sempre se apresentam insatisfatórias -, a campanha, que ora chega ao seu final, aproxima-se daquelas dos anos cinqüenta.
De um lado, um líder popular, como Getúlio naquela época, e de outra parte pequenos segmentos urbanos, politicamente marginalizados, na busca de criar imagens artificiais e, pois, sem conexão com a realidade.
A diferença básica, entre os anos cinqüenta e esta primeira década do século XXI, é a expressiva ausência de repercussão dos posicionamentos de direita no cenário político.
Por paradoxal que pareça, as personagens atuais da direita brasileira são as mesmas que combateram o nativismo dos anos sessenta, que levou a construção de grandes obras de infra-estrutura.
Não se conforma, a direita, em perder privilégios e constatar que a sociedade, desde a democratização, movimentou-se e avançou para tornar os brasileiros mais iguais, apesar das imensas diferenças ainda existentes. Aqui, como em toda a parte, a direita sempre se mostra irracional, perversa e sem nítidos posicionamentos. Quer uma ordem sem espaços para a vida. Uma lei sem possibilidades iguais para todos.
Felizmente, os pequenos movimentos de direita, apesar das muitas ampliações de suas falas, não atingiram o fundamental: a estabilidade das instituições.
Apesar das escaramuças verbais, a economia manteve-se sólida e confiante. As pessoas foram e retornaram para seus locais de trabalho com a normalidade da rotina do cotidiano.
Os meios de comunicação - agora incluída a internet e os demais veículos eletrônicos - mantiveram-se ativos e alguns contundentes. Nada foi cerceado, sequer por meio do Judiciário.
Esta semana é a última etapa de um processo eleitoral exitoso. Um exemplo para quem pretenda aprender democracia. Resta, agora, esperar o voto do eleitor. Ele apontará o melhor para a sociedade.
Os brasileiros, em todas as ocasiões, quando foram chamados a escolher o presidente da República, sempre o fizeram de acordo com as circunstâncias e com as necessidades sociais do momento.
Não será diferente nesta oportunidade. Os candidatos colocados à disposição do eleitor contam com posicionamentos bem definidos e histórias de vida repletas. Dignas de respeito.
O eleito terá pela frente, entre as tarefas rotineiras de dirigir o Estado, a missão de reconstruir as estruturas legais que suportam a vida dos partidos políticos.
Os processos de redemocratização conduzem ao aparecimento de múltiplas legendas. As democracias estáveis exigem a racionalização do quadro partidário.
A economia vai bem. Basta continuar na trilha traçada. Os costumes partidários vão mal. Exigirão atenção, cuidado e sensibilidade do futuro presidente da República.
Na hora de votar, é preciso lembrar esta exigência do nosso quadro partidário. Como está, não pode ficar.

Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de2006, quando assumiu como governador.”

O artigo original está no site do Terra aqui.


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13.9.10

Factóides da Imprensa sobre Dilma

A grande imprensa brasileira (Globo, Veja, Estadão e Folha), ou melhor, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) está fazendo de tudo e mais um pouco para ajudar Zé Pedágio (vulgo José Chirico Serra) a mudar o quadro das pesquisas eleitorais. Já tentaram manipular grosseiramente os dados das pesquisas anteriores - como foi o caso ridículo do DataFolha – e agora estão todos os dias produzindo factóides para a propaganda eleitoral do PSDB estampar suas manchetes. A partidarização e militância política da imprensa a favor de Serra são muito nítidas e qualquer um com o mínimo de senso crítico percebe isso. A “revista” Veja e o jornal Folha (Fossa?) de S. Paulo são os veículos de comunicação mais aguerridos como cabo eleitoral do tucano. Serra nunca é questionado e nem investigado e todas as suas acusações são prontamente reverberadas e entram na pauta do dia do PIG. A maioria não passa de ilações sem provas com o único intuito eleitoral de tentar desgastar a imagem da adversária. Resta para o PIG fazer o resto do trabalho para Serra e todos os dias faz uma espécie de dobradinha de acusações contra Dilma Roussef. Ora o PIG lança o factóide e o candidato e seu partido se fazem de santos indignados e sentenciam o que deve ser feito, ora Serra diz qualquer asneira e o PIG coloca na pauta o factóide e tenta mante-lo o máximo possível para ver se deu resultado nas próximas pesquisas eleitorais.
Agora é a vez da tal violação do sigilo bancário e querem repetir os “aloprados” de 2006, onde conseguiram com essa manipulação levar a eleição para o segundo turno. Aliás, lembro até hoje da alegria do “jornalista” Alexandre Garcia quando viu que teria segundo turno. Esse assunto é mais um bla bla bla do PIG para tentar alavancar a campanha do Zé Pedágio, pois o mesmo já se mostrou indiferente a essa questão tempos atrás e agora usa a própria filha como arma eleitoral na campanha. É a obsessão que ele diz ter pelo poder.
Outra, a imprensa que esta em polvorosa sobre o assunto dos sigilos não repercute da mesma maneira a espionagem de adversários políticos que a governadora tucana corrupta do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, fez.
Muito menos diz que a ex-empresa de Verônica Serra promoveu milhares de quebras de sigilo bancário. Para o PIG só vale o que for contra o governo e sua candidata, pois Serra fica sendo sistematicamente mostrado como uma “pobre vítima”, alimentando o seu discurso sectário e truculento contra o PT e Dilma Roussef.
Agora, vejam essa manchete:
"Consumidor pagou R$ 1 bi a mais por falha de Dilma"
Qualquer pessoa com o mínimo de senso diria que essa manchete foi tirada do site do PSDB ou dos panfletos tucanos distribuídos nessa época da campanha eleitoral. Mas não, isso foi manchete de primeira página do jornal Folha de S.Paulo e comprova o partidarismo deste veículo que nessa altura da campanha está atuando como verdadeiro panfleto de Serra. Pois não deu outra e no outro dia a campanha tucana já havia inserido a manchete na propaganda eleitoral comprovando também a dobradinha PSDB/PIG. O jornal não se deu por satisfeito e foi entrevistar um ex-agente da ditadura para traçar o “perfil psicológico” da Dilma. Isso que já havia estampado manchete no jornal, antes da campanha eleitoral, que o grupo de Dilma planejava seqüestrar Delfim Neto. Isso foi desmentido imediatamente pela própria fonte do jornal como pode ser visto aqui. Como disse o jornalista e blogueiro Luiz Carlos Azenha que agora só falta o jornal entrevistar o torturador de Dilma para tentar “desmoraliza-la”. É o fundo do poço de uma imprensa sem escrúpulos, onde o que manda são somente os interesses de seus patrões em conluio com a classe política mais retrógrada e autoritária do Brasil. Diante dessas notícias tendenciosas e ridículas da Folha, foram criadas as hachtag no Twitter #DilmaFactsbyFolha.
Isso foi usado ironicamente para sugerir algumas das próximas manchetes da Folha e traduzindo a expressão “tuiteira” seria “Factóides da Folha sobre Dilma”. Essa brincadeira conseguiu ser um dos assuntos mais comentados do Twitter no mundo e mostrou que a Folha já é motivo de piada de tão parcial e partidarizada que é.
Abaixo reproduzo o Top 10 hilário do #DilmaFactsbyFolha:

“10) Foi a Dilma que mostrou o fruto proibido a Eva
9) Moisés rodou 40 anos no Deserto do Sinai, porque Dilma escondeu o mapa.
8) Deus ia fazer o mundo em 4 dias mas houve atraso na obra do PAC
7) A Al-Qaeda era só um grupo de árabes nerds, fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma.
6) Dilma gostava de apertar campainha e sair correndo. "Ela fez isso duas vezes na minha casa", revela ex-vizinha indignada (Esse é o que eu mais achei engraçado!)
5) Folha de São Paulo: "Descoberto plano de Dilma para secar o Aquífero Garani"
4) Erro de Dilma nos cálculos provocou inclinação da Torre di Pisa
3) Dilma Roussef inventou a vuvuzela.
2) Folha de São Paulo: "Dilma lava as mãos. Cristo é crucificado"
E o #1 entre todos os #DilmaFactsByFolha:
1) Serra lamenta: a Dilma me indicou o Shampoo”



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29.8.10

A boataria dos e-mails delirantes

Não é de hoje que recebo e-mails diversos, os quais sempre dizem revelar alguma coisa que ninguém sabe, alertas sobre roubos de carros e casas e vários textos atribuídos a grandes autores que nunca os escreveram. Isso sem contar os e-mails pedindo ajuda para tratamentos, pessoas desaparecidas e as famosas correntes de que se você não mandar o mesmo e-mail para tantas pessoas o azar vai tomar conta da sua vida. Nesse último caso, eu estaria condenado ao azar perpétuo, pois nunca reencaminho estes e-mails. Mas, os que têm chamado minha atenção ultimamente são as correntes de e-mail políticas que nesse momento perto das eleições se intensificaram. A maioria são e-mails contra a candidatura petista de Dilma Roussef, que segundo as pesquisas eleitorais, está a ponto de levar a eleição no primeiro turno. Eu não confio muito em pesquisas e duvido ainda que isso possa ocorrer, mesmo torcendo pela derrota de José Serra.
Esses e-mails têm aquele cunho apelativo, alarmante e moralista que quase sempre terminam com a frase: “Acorda Brasil!”. São características que você consegue perceber e ver sendo muitas vezes repetidas em rodas de conversa ou até mesmo em leitores reacionários instigados por estes e-mails falsos nas colunas destinadas aos missivistas.
Começo por um exemplo clássico destes e-mails falsos que é aquele sobre o filho do Lula que teria comprado uma fazenda no interior de São Paulo por exatos R$ 47 milhões e também fazendas no Pará. O mais hilário de tudo é que o “esperto” do autor da mentira e que fez os slides sobre a terrível descoberta, colocou essa foto para ilustrar a suposta propriedade do filho do Lula.

Para quem é de Piracicaba ou conhece as universidades daqui, nesse momento está rolando de rir. A foto acima é justamente da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e mostra até onde vai a falta de escrúpulos desses boatos, pois pra quem não conhece e acredita nesses e-mails também acreditou em mais uma mentira. Aliás, pra quem quiser visualizar o conteúdo desse e-mail pode acessar aqui e também pode ver o desmentido nessa reportagemda IstoÉ Dinheiro Rural, que localizou o verdadeiro dono da tal fazenda no interior de São Paulo. Outra características desses e-mails delirantes e mentirosos é estampar a capa da revista mais mentirosa do país e que é considerada o esgoto do jornalismo: a Veja.
O pior é um jornal de um grande veículo de comunicação como a Folha de S.Paulo que publicou aquela ficha da Dilma Roussef, a qual foi provada que era falsa, pois era uma montagem que começou a circular também através de mais um e-mail boato. Apesar que isso era de se esperar do principal veículo de propaganda eleitoral do Serra. Mas até hoje as pessoas continuam mandando o e-mail com essa ficha falsa com o mesmo objetivo de tentar alarmar os mais ingênuos sobre uma possível implantação de uma ditadura comunista com a eleição de uma “guerrilheira”.
Também há um recente e-mail boato dizendo que Dilma não pode entrar nos EUA e em outros 11 países devido ao seqüestro do embaixador norte-americano no Brasil durante a ditadura militar. A questão é que Dilma não participou da ação e de nenhuma ação armada durante a ditadura e a foto abaixo joga pelo ralo mais um e-mail delirante e mentiroso.
Para finalizar, o último e-mail boato que recebi mostra como uma pessoa quando quer agir de má-fé não tem medo do ridículo e de ser tão burra e ainda ser respaldado por um político com alto cargo na esfera pública. O assunto alarmante do e-mail era sobre o roubo de ovos de tartaruga nas margens do rio Solimões em um assentamento do MST. Antes de qualquer coisa vejam uma das fotos do e-mail para “provar” a acusação.

Quando vi isso, fiquei pasmo não só pela mentira de dizer que isso era feito pelo MST, mas pela foto mostrar que aquelas ondas ao fundo não eram de um rio. É óbvio, não é? O pior que não, pois o histriônico deputado Raul Jungmann (PPS) repercutiu essa insanidade como se fosse verdade. Aliás, tinha que ser ele, o qual é um dos maiores inimigos dos movimentos sociais e uma das fontes de boatos políticos que alimenta a grande imprensa brasileira. Depois o próprio teve que reconhecer a mentira e publica-la em seu site como pode ser visto aqui.
Só para esclarecer a trágica foto é que isso ocorreu na Costa Rica e que segundo o governo de lá isso é permitido nas duas primeiras desovas das tartarugas. É uma imagem terrível de se ver e parece que o problema é a fiscalização precária em relação a isso.
Enfim, a boataria que circula nos e-mails infelizmente acaba sendo “fonte” de informação de muita gente que acaba repercutindo como verdade. É preciso prestar muita atenção e verificar esses e-mails para não perder o senso do ridículo e achar que uma praia é a margem de um rio.


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4.8.10

Um Filho que chora pelo Pai e imagens que desmascaram os crimes de Israel


Esse vídeo choca e emociona, pois é uma criança que desde cedo está vendo e sentindo na pele o que é ser palestino e viver sob a ocupação criminosa de Israel. Cenas como essas viraram até corriqueiras no cotidiano dos palestinos. A alegação do exército israelense para prender o pai do garoto foi o roubo de água de um assentamento judeu. Pois bem, antes de alguém apoiar a prisão do palestino, vale lembrar que esses assentamentos são ilegais e condenados pela comunidade internacional e a ONU. A implantação forçada desses assentamentos em terras palestinas é um absurdo, pois é um tipo de política racista. Primeiro que esses assentamentos roubam terras de palestinos e depois de construídos e ocupados por judeus, são extremamente protegidos pelo exército de Israel, o qual oprime os palestinos que moram perto. Sem dizer, que esse tipo de política também visa expulsar os palestinos dali, pois, além disso, o governo israelense constrói muros para separá-los, caracterizando assim um racismo oficial. Aliás, o muro racista que Israel constrói é uma vergonha para o mundo todo e o mesmo sufoca e ilha os palestinos na região. Em Israel já tem rodovias exclusivas para israelenses, onde nenhum palestino pode trafegar e se o fizer corre o risco de morrer. Só falta Israel impor aos palestinos que entrarem em Israel usar uma identificação visível de que são palestinos. Apesar de que isso já chegou a ser proposto por radicais judeus no parlamento.
Além da violência oficial, empregada pelas forças israelenses, há também alguns grupos de colonos judeus desses assentamentos ilegais que espancam velhos camponeses palestinos. Isso é mostrado nesse vídeo abaixo:


Em Israel não basta invadir, roubar terras e casas, assassinar todo um povo e ainda negar-lhes o direito a um estado. Ainda tem esses extremistas que promovem essa barbárie contra cidadãos palestinos indefesos e oprimidos. Depois Israel quer se fazer de vítima para o resto do mundo usando sempre como pano de fundo o holocausto. Não tem nada a ver, pois o ódio da maioria dos palestinos vem dessa violência e opressão diária israelense.
Esses dois vídeos abaixo também mostram o abuso de poder e violência do exército de Israel contra palestinos indefesos.
1) Esse primeiro vídeo mostra soldados batendo em crianças palestinas que estavam em charretes e também agressão de soldados contra um garoto.


2) Esse segundo vídeo é uma reportagem que mostra um palestino com as mãos amarradas e com os olhos vendados levando um tiro a queima roupa de um soldado israelense.


Portanto, é por isso que defendo totalmente a causa Palestina e não os enxergo como terroristas fanáticos, como é passado sempre pelos grandes meios de comunicação. Também não condeno o povo judeu e israelense, mas sim o governo sionista que desde que assassinaram Yitzhak Rabin sepultou o único acordo viável de paz na região. A partir daí optaram pela violência e terrorismo de estado que hoje praticam dissimuladamente perante o mundo todo.


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30.7.10

Negócio$ da Secretaria de Estado da Educação com a Mídia

Esse ano de 2010, mais uma vez ficou marcado pela intransigência e truculência do governo do estado de São Paulo em relação à situação degradante dos professores da rede pública. Houve uma greve que teve boa adesão dos docentes no começo, mas que infelizmente acabou devido a inapetência da cúpula do sindicato (Apeoesp) e a violência do governo estadual. O episódio violento nas imediações do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo do estado) mostrou a verdadeira face autoritária de José Serra, pois em vez de receber os professores para negociar, mandou a polícia jogar bombas e balas de borracha. Logicamente a grande imprensa (leia-se Veja, Estadão, Folha e Globo), principalmente a paulista, apoiou o governo em todas as ações contra os docentes e consequentemente manipulou todas as notícias a respeito da greve e a real situação da educação no estado. Todos sabem que essa mesma grande imprensa, chamada oportunamente de PIG (Partido da Imprensa Golpista) na internet, se tornou um partido político de oposição e hoje é o principal cabo eleitoral de Serra. Essa ligação entre mídia, Serra e seu partido (PSDB) não é apenas política e ideológica, mas também envolve negócios milionários. O governo estadual paulista desde o ano passado, quando percebeu que se aproximava o ano eleitoral, fechou vários contratos com os grupos midiáticos sem nenhuma licitação. Tudo isso através da Secretaria de Estado da Educação, a qual sempre diz que os recursos são escassos. Primeiramente foi assinado contrato com a editora Abril e a compra de exemplares da revista Nova Escola, sendo que há várias outras publicações voltadas para o tema da educação. Depois disso a porteira foi aberta, ou melhor, o cofre dos recursos públicos da educação estadual para os maiores grupos de comunicação do país. Aliás, justamente em uma época que estes estão perdendo cada vez mais leitores e assinantes das suas principais publicações. Coincidentemente foram assinadas as seguintes publicações: revistas Veja (editora Abril), Época (editora Globo) e IstoÉ (editora Brasil) e os jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Além dessas, outras publicações menores pertencentes aos mesmos grupos foram assinados para todas as unidades escolares do estado. Não sei para que assinar essas publicações, sendo que todas dizem a mesma coisa e sem nenhuma pluralidade de idéias e informações. Imagino se o governo federal fizesse o mesmo com uma revista como, por exemplo, a Caros Amigos (que é assumidamente de esquerda) para as escolas? Com certeza os barões da mídia e a oposição iriam gritar para o mundo inteiro sobre uma suposta tentativa do governo em politizar ideológicamente os alunos e outras asneiras paranóicas que até hoje tentam associar ao governo Lula. Mas como é o Serra e os beneficiados são justamente os que alardeariam isso, então é tido como “normal” e nenhum leitor reacionário dos mesmos se indigna.
Enfim, a conta dessa brincadeira séria custou aos cofres públicos cerca de R$ 84 milhões até hoje. Isso tudo pode ser acessado no Diário Oficial, o qual foi muito bem garimpado pelo blog NaMaria News aqui.
Se não bastasse toda essa boa vontade de Serra e seu partido com a grande imprensa, eles decidiram que a imprensa regional do estado também deveria receber o mesmo tipo de auxílio. Então a secretaria de Estado da Educação mais uma vez entrou com o dinheiro e assinou um convênio com os 14 jornais regionais do estado de São Paulo que fazem parte da Associação Paulista de Jornais (APJ). Nessa nova aquisição a quantia de dinheiro público despendida foi de exatos R$ 771.145,00 e novamente sem licitação. Aqui em Piracicaba o jornal beneficiado foi o Jornal de Piracicaba, mas há outros dois jornais importantes aqui também que são: A Tribuna Piracicabana e a Gazeta de Piracicaba. Agora pergunto: Qual será o critério “pedagógico” utilizado pela secretaria da educação na escolha dos jornais da APJ? Pois esse maravilhoso e lucrativo acordo mereceu até um evento com pompa e tudo entre o secretário da educação, Paulo Renato, e a APJ, como foi relatado aqui. Aliás, Paulo Renato assumiu o cargo apenas com compromisso político e não compromisso com a educação. Isso é evidenciado nas suas manifestações públicas, onde deixa claro que esta muito mais preocupado com a campanha de Serra do que com a pasta que ocupa.
Portanto, o governo estadual paulista usa a educação como desculpa para simplesmente devolver o favorecimento que essas empresas mafio-midiáticas fazem para o partido governante e seu candidato a presidência. Isso sem contar, os outros milhões gastos com as propagandas mentirosas do governo paulista. E assim a ajuda do Estado nessa hora é muito bem-vinda para o PIG, o qual sempre seguiu a retórica neoliberal onde o estado sempre foi visto como um demônio. Agora que estão cada vez mais perdendo espaço e dinheiro com a “revolução” da internet nada melhor que a ajuda daquele que eles tanto ajudam e atuam como cabo eleitoral.


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8.7.10

Serra é um perigo à liberdade de expressão

O jornalista Heródoto Barbeiro, que vinha apresentando o programa da TV Cultura Roda Viva desde 2009, foi afastado depois que ele questionou duramente José Serra sobre os pedágios. O vídeo abaixo mostra esse episódio e de como todo jornalista deveria entrevistar políticos tucanos:



Vejam a truculência, estupidez e autoritarismo de Serra nas suas respostas ao jornalista. Aliás, devolve a pergunta ao entrevistador, bem no estilo Maluf, para tergiversar sobre o assunto. Em outro vídeo ele teve atitude semelhante quando foi também questionado sobre os pedágios por um jornalista. Ele tentou, como sempre faz, dizer que era coisa do “trololó petista”, pois sempre que é questionado sobre algo incômodo ele sai com esta. O ex-(des)governador mentiu sobre os pedágios da rodovia Ayrton Senna, pois disse que o preço caiu pela metade, mas não disse que a cobrança dobrou cobrando na ida e na volta e assim o preço continua o mesmo, mas só aumentou as praças de pedágio. Aliás, os pedágios paulistas são uma vergonha de tão caros que são, os quais oneram todos os cidadãos do estado. Não é a toa que Serra recebeu apropriadamente o apelido de Zé Pedágio. Lógico, no mundo do Serra e da grande imprensa (PIG) o pedágio não é caro e abusivo, nós que sentimos no bolso a cada viagem que fazemos ou produto que consumimos no estado, estamos errados, pois é tudo coisa do PT. Essa sandice deve ser porque Serra e os barões da mídia só andam de helicóptero. Mas os pedágios abusivos será assunto de outro texto. Agora foi lançado o Pedagiômetro.
Pra quem não sabe a TV Cultura sofre interferência direta do tucanato paulista, pois é mantida pelo governo do estado de São Paulo. Depois que Serra assumiu o governo estadual, a pressão e a censura a qualquer voz discordante aos jornalistas da emissora aumentaram e aqueles que o ex-(des)governador não tinha simpatia foram anulados, afastados de suas funções ou demitidos. O jornalista Luís Nassif é um exemplo, pois foi mandado embora no começo do ano passado por divergências e opiniões que nunca agradaram Serra. Agora foi a vez de Heródoto Barbeiro, pois Serra sempre o tachou de “petista” e já havia sido afastado do Jornal da Cultura. Depois dessas perguntas, foi a gota d´ água para Heródoto sair do programa e dar lugar à ninguém menos que Marília Gabriela. Serra é tão autoritário que persegue não só jornalistas, mas qualquer um que o contrarie, como foi o caso do maestro John Neschling, que regia a Osesp. Depois de uma desavença entre Serra e o maestro, Zé Pedágio mandou FHC rescindir o contrato com Neschling. Serra também é conhecido por pedir a cabeça de jornalistas que façam reportagens contra seus governos e onde pode mexer, ele articula para beneficiar tanto grupos midiáticos quanto alguns “jornalistas” que ele gosta. O PIG já é seu cabo eleitoral faz tempo e segue a risca o manual de conduta exigido por Serra, que é o de não questioná-lo e não criticá-lo. Um exemplo de um típico jornalista que Serra gosta é esse da foto abaixo.


Esse é o leão de chácara do Serra no PIG e na internet, o qual é conhecido como Reinaldo Azevedo, ou melhor, Esgoto Azevedo. Ele milita no panfleto político-partidário-ideológico chamado revista Veja. Atua como cabo-eleitoral não só do Zé Pedágio, mas como do seu partido e é o guru da extrema-direita no Brasil atualmente. Serra já tentou retribuir o “serviço” prestado pelo Esgoto, pois queria que o mesmo tivesse um programa na TV Cultura e forçou várias vezes o programa Roda Viva para aceita-lo na banca do programa. Ainda não deu certo, mas depois de trocar Heródoto Barbeiro por Marília Gabriela não vai ser surpresa colocar um Esgoto para bajular e defender o chefe.
Portanto, Serra é o verdadeiro perigo a liberdade de expressão e imprensa no país, pois se eleito irá fazer o expurgo dos poucos jornalistas sérios que sobraram e censurar a imprensa independente.


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11.6.10

Serra e sua hipocrisia sobre as drogas

O candidato tucano José Serra agora esta tentando já causar incidentes diplomáticos desnecessários com a acusação estapafúrdia de que o governo boliviano é conivente com o tráfico de drogas. A sorte dele é que a grande imprensa brasileira, ou melhor, o PIG esta trabalhando a todo vapor na sua campanha eleitoral. Para isso, além das costumeiras manipulações e ausências de críticas ao candidato tucano, eles se especializaram em tentar reverberar ao máximo as suas declarações para manter na pauta do dia. Foi só ele acusar o governo da Bolívia - que é governado pelo segundo presidente mais odiado pelo PIG , o Evo Morales – que já o apoiaram e começaram ilações delirantes sobre isso. O pior é que Serra elogiou a Colômbia no combate as drogas, mostrando que o candidato está disposto a organizar uma frente de direita e novamente subserviente aos EUA no continente. O ex-desgovernador de São Paulo se esquece que mais de 80% da cocaína consumida no mundo vêm da Colômbia e que a parceria com os EUA para combater as drogas não teve nenhuma eficácia. Aliás, o Plano Colômbia é cortina de fumaça para interesses maiores dos EUA que estão se concretizando ao implantar de vez bases militares no país. Usam a justificativa mentirosa de que irão combater o narcotráfico e as guerrilhas, mas isso não ocorreu depois de bilhões de dólares despejados esses anos com o fracassado Plano Colômbia. A política de war on drugs que vem desde o presidente Reagan é uma política de intervenção interna e política nos países associados. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, tem ligações antigas com os paramilitares e narcotraficantes, inclusive foi revelado que o irmão dele esta envolvido até hoje com isso. Vale lembrar que boa parte da base de governo de Uribe é ligada ao narcotráfico internacional e que não é só as Farc que atuam nesse ramo. E o PIG faz vista grossa pra isso e tenta jogar a pecha de traficante a Evo Morales, devido a ele ser considerado cocalero, que é tradicional na Bolívia.
José Serra é hipócrita e a imprensa mais sem-vergonha ainda em não mostrar que aqui no estado de São Paulo o tráfico de drogas está ligado pela corrupção dos departamentos policiais paulistas. Alguém se lembra do milionário traficante colombiano Abadia preso pela polícia federal? Ele revelou parte dessa corrupção com o Denarc e mostra como que Serra e seu partido não levam a sério esse tema. Faz 16 anos que estão no poder no estado e agora vem falar até de criar um tal “ministério da segurança”? Muita cara de pau desses tucanos, pois além de tudo são incompetentes como na vez que anunciaram o fim do PCC e pouco depois o grupo criminoso perpetrou terror no estado todo. O telhado dos tucanos no estado já está quebrado faz tempo e estão tendo que procurar outros temas para o PIG transformar em novos factóides e fazer a pauta do dia pra eles.
Abaixo reproduzo um vídeo sobre a incoerência da propaganda enganosa e mentirosa de José Serra.


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6.6.10

Em Israel, o assassinato de ativistas é motivo de piada

Após o ataque terrorista do governo fascista-sionista de Israel contra a flotilha de ativistas, a guerra de informações e contra-informações começou. A começar pelo número de ativistas assassinados, pois Israel diz que foram 9 e os ativistas dizem que foi pelo menos o dobro disso. O governo israelense tentou manipular a opinião pública mundial divulgando imagens de alguns ativistas recebendo os soldados israelenses com bastões de ferro e até facas. Ora, como esperavam que fossem recebidos soldados fortemente armados que estavam invadindo os barcos, sendo que estes estavam ainda em águas internacionais? Com abraços e flores? Na verdade a atitude dos ativistas foi de reação, mas não se compara bastões e algumas facas com metralhadoras de última geração. Não se pode, com base nisso, dizer que a flotilha estava “armada” e assassinar dezenas de pessoas e ainda tacha-los de terroristas.
Pois bem, o episódio trágico rendeu críticas inéditas da imprensa israelense, a qual geralmente apóia o governo nas ações militares. Mas nem toda mídia israelense aderiu a isso lógicamente, mas alguns extrapolaram e satirizaram o episódio. É o caso do site de humor israelense Latma TV, o mesmo que fez outro vídeo tirando sarro do presidente Lula sobre o acordo nuclear com o Irã. O vídeo pode ser visto abaixo e mostra para aqueles que acharam que o Lula “pagou mico” em Israel, a verdadeira face truculenta, autoritária e desrespeitosa dos tais “humoristas”.



O video ainda foi despachado pelo próprio gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para uma lista de jornalistas. Mais tarde, foi revelado pelo jornal norte-americano The New York Times que o site é comandado por Caroline Glick. Ela já foi consultora do premiê Netanyahu e serviu por 5 anos nas forças de defesa de Israel, ou seja, é um site para reverberar e apoiar estritamente todas as ações do governo israelense através de um humor preconceituoso e racista. É quase que um humor oficial, pois no vídeo eles mostram as tais imagens que o governo israelense tentou justificar o injustificável.
Vale lembrar que dentre os ativistas pelo fim do bloqueio a Gaza há personalidades como a ganhadora do prêmio Nobel da Paz , Mairead Maguire e a ativista judia, Hedy Epstein. A primeira estava no navio irlandês chamado Rachel Corrie, que não pôde acompanhar a flotilha atacada por problemas mecânicos. O nome desse navio é em homenagem a norte-americana Rachel Corrie, de 23 anos, que foi morta em 2003 em Gaza ao tentar impedir uma escavadeira israelense de destruir a casa de uma palestina.
Já a ativista judia, tem 85 anos e fugiu da Alemanha Nazista, mas seus pais morreram em Auschwitz. Ela é a favor da causa palestina e pretende embarcar em outro barco para tentar chegar a Gaza. A entrevista dela à BBC Brasil pode ser conferida aqui.
Desde o começo da implantação do estado de Israel, o sionismo foi bom para os judeus, mas péssimo para os palestinos. Milhares de palestinos foram expulsos, perseguidos e assassinados pelas forças sionistas, o que ajudou a intensificar o ódio dos palestinos contra Israel. Uma análise mais profunda sobre essa questão, sugiro o texto do meu amigo, professor de relações internacionais da Facamp, Thomas de Toledo, que pode ser lido aqui.
Enfim, o mundo todo sabe que o bloqueio imposto à Gaza por Israel é criminoso e não visa enfraquecer o Hamas, mas sim punir coletivamente 1,5 milhão de palestinos confinados naquele território. Isso fortalece mais ainda o Hamas, pois a população de Gaza vai apoiar aqueles que de uma forma ou de outra oferece mais resistência as investidas violentas israelenses. O mundo precisa ver que esse bloqueio é a implantação de vez de um apartheid palestino. Sobre isso, reproduzo abaixo o texto do jornalista Renato Rovai sobre as semelhanças entre a situação de Gaza e o apartheid sul-africano.
“Palestinos de hoje são os negros sul-africanos de ontem

Ao assitir agora há pouco na Globonews o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu visitando militares supostamente feridos no ataque que realizaram à flotilha humanitária, recordei-me de Peter Botha, um dos maiores assassinos do regime do apartheid.
E passei a ter mais certeza de que a ação de Israel contra a flotilha de ação humanitária em águas internacionais não está recebendo reação proporcional ao tamanho do crime cometido. Principalmente pelo governo dos EUA e pelos principais governos da comunidade européia.
Não é hora de pedir investigação. É o momento de impor duras sanções a Israel pelos crimes de lesa humanidade que tem praticado.
O que Israel tem feito contra palestinos muito se assemelha ao apartheid na África do Sul. No país sede da Copa também havia controle de entrada e saída de negros nos territórios ocupados por brancos. Da mesma forma que acontece hoje na Faixa de Gaza e nos territórios palestinos. Onde milhares de pessoas ficam confinadas e não podem sair mesmo necessitando de socorro médico. O que motivou a flotilha de ação humanitária.
O governo de Israel, aliás, utiliza método muito semelhante ao dos racistas do apartheid também em relação à divisão do território. Israel permite aos palestinos viver em algo como os bantustões. Na África do Sul os bantustões não tinham relação um com outro, eram ilhotas. Como também o são os territórios palestinos.

É importante registrar que para que o apartheid terminasse foi importantíssima a condenação de toda a comunidade internacional ao regime racista. Mais do que isso, foi fundamental que essa condenação resultasse em um bloqueio comercial em que até investidores foram constrangidos a não aportar recursos em empresas da África do Sul ou em companhias que fizessem negócios com aquele governo.
Também não é demais lembrar que até a restrição a participação de equipes esportivas da África do Sul em competições internacionais contribuiu para o fim do apartheid.
No momento em que todos os olhares do mundo se dirigem à África do Sul por conta da Copa do Mundo é o momento de lembrar que os palestinos de hoje são os negros que viveram de 1948 a 1994 no país de Mandela.
E que as medidas contra o goveno Israel precisam ser da dimensão das que foram contra Peter Botha e outros gangsters do apartheid.”


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2.6.10

Israel é um estado terrorista


O Governo de Israel mais uma vez mostra ao mundo que sua política de aniquilamento da população palestina de Gaza vai ser feita a qualquer custo. Já custaram e ainda custarão milhares de vidas inocentes e para isso não pouparão ninguém. O recente episódio em que as forças armadas israelenses atacaram e mataram 9 pessoas que eram ativistas levando ajuda humanitária aos palestinos de Gaza, exemplifica isso. As embarcações estavam em águas internacionais e mesmo assim foram atacadas pelos israelenses. O governo de Israel tentou argumentar e enganar a opinião pública dizendo que o grupo de ativistas atacou os soldados, o que não é verdade. Mostraram imagens onde depois que os soldados invadem os barcos, eles são rechaçados pelos ocupantes da frota com bastões e a força física. Mas isso é uma reação que não permite eles atirarem para matar indiscriminadamente como ocorreu. Nada justifica esses assassinatos, pois não era uma frota militar nem terrorista e não possuíam nenhum tipo de armas. Estavam levando toneladas de suprimentos e materiais para os palestinos que estão há quase 3 anos cercados por Israel e Egito. No áudio abaixo, reproduzo entrevista da ativista e cineasta brasileira Iara Lee que estava a bordo do navio quando foi atacado. Ela diz que eles queriam que ela assinasse um documento dizendo que ela era terrorista para poder liberá-la. Ouçam:

Em 2007 Israel atacou Gaza indiscriminadamente e matou centenas de civis palestinos e chegaram a bombardear até hospitais. Nessa empreitada sangrenta, a entrada de ajuda médica internacional as vítimas eram impedidas e não foi permitida a entrada da imprensa internacional nos territórios palestinos, o que ficou evidente que não queriam que a carnificina fosse mostrada ao mundo. Mesmo assim, o episódio causou repúdio internacional e houve condenações de diversos países como a Inglaterra e Brasil e também a ONU. Israel simplesmente ignorou tudo isso e impôs um bloqueio a toda a população de Gaza, o que configura como punição coletiva. Gaza virou quase que um campo de concentração, onde Israel controla tudo o que entra e sai e só permite que 20% de toda a ajuda enviada possam entrar lá. O país sionista tentou justificar essas medidas para punir o grupo político que venceu as eleições palestinas, o Hamas. O governo israelense não dialoga com o grupo, pois diz que eles não reconhecem o estado judeu, mas ao mesmo tempo não deixam os palestinos terem um estado para eles. Aliás, se depender do atual governo de Israel, que é de extrema-direita, os palestinos nunca terão direito a um estado nacional. O primeiro-ministro de Israel, Netanyahu, e seu ministro de relações exteriores, Avigdor Lieberman, são verdadeiros extremistas judeus que são adeptos do projeto chamado “Grande Israel”. Esse projeto consiste na expulsão de todos os árabes e palestinos de Israel, Faixa de Gaza e Cisjordânia, anexando de vez esses dois últimos territórios onde só irá morar judeu. É um projeto racista mesmo e está sendo implementado aos poucos com as construções ilegais de assentamentos em territórios palestinos e com o muro, também ilegal, asfixiando os palestinos tanto da Cisjordânia quanto de Gaza. Esse muro é uma vergonha para o mundo, pois segrega os palestinos e rouba as terras destes criando de vez um apartheid em pleno século XXI. Ano passado comemorou-se a queda do muro de Berlim, mas se esquecem, ou melhor, fecham os olhos para o muro da vergonha israelense que está sendo erguido.
Essa ação dos ativistas das flotilhas trouxe a tona o que o bloqueio israelense à Gaza causa na vida dos palestinos. Antes desse bloqueio a vida dos palestinos já era difícil e ficou pior. Para quase todo habitante de Israel e principalmente o seu governo, todos os palestinos são terroristas até que provem o contrário. Isso faz com que a hostilidade dos dois lados só aumente, mas o lado mais forte - que é o de Israel - acaba impondo e oprimindo o outro lado. Israel pratica há muito tempo diversos crimes de guerra, crimes contra a humanidade e desrespeita os direitos humanos nos territórios palestinos. Ações que viraram cotidiano na vida da maioria dos palestinos incluem:
- prisões sem acusações formais, as quais são levadas e presas até crianças;
- destruição de casas de supostos parentes de militantes que cometem atos terroristas ou que Israel simplesmente acusa que é terrorista;
- é imposto toque de recolher a qualquer hora, sob penalização de prisão e morte aos que tiverem fora de suas casas;
- fechamento de escolas e universidades ao "bel-prazer" dos israelenses;
- fornecimento de água tratada é sempre cortado;
- humilhação nos postos de controle israelenses, os quais são monitorados por jovens militares que decidem se deixam ou não os palestinos entrarem ou passarem de acordo com o humor deles;
Ou seja, é quase uma ditadura imposta por Israel aos palestinos,agora pior na faixa de Gaza. Infelizmente quem é o entrave as tentativas de acordos de paz na região é Israel, pois eles assassinaram o primeiro-ministro Itzhak Rabin e sepultaram o acordo de Camp David, o qual seria o único caminho para uma solução na região. De lá para cá, os eleitores de Israel foram elegendo candidatos cada vez mais a direita e racistas, tanto que chegou ao que se tem hoje, o governo mais terrorista que o país já teve.
O aliado incondicional, EUA, sempre relativiza e apóia as ações truculentas e terroristas de Israel, pois o país é estratégico na região. Com isso tentam impor ao mundo uma versão falsa e mentirosa dos fatos. Invertem o jogo geo-político a favor deles e posam de vítimas. Quem os critica já é tachado de anti-semita, anti-americano e terrorista, pois para estes criticar as ações de seus governos é criticar toda a população de seus países. Boa parte da imprensa internacional, inclusive a brasileira, compra essa mentira e desvia o foco dos reais problemas e interesses na região.
Gostaria de ver a reação dos EUA e dos que apóiam Israel se o assassinato dos ativistas tivesse sido feito pelo Irã. Com certeza os EUA, Israel e União Européia iriam imediatamente condenar as ações e aprovar de imediato sanções contra o país e não fazer como estão fazendo agora, pedindo calma e investigações. Israel merece punições mais duras e eficazes da comunidade internacional e a atitude do governo brasileiro é correta em repudiar mais um ato terrorista de Israel.
Quem tem senso de humanidade e solidariedade com os verdadeiros oprimidos não fica do lado de Israel, mas sim dos palestinos e dos judeus e israelenses, mesmo que estes sejam poucos, que lutam pela paz.
Abaixo termino com alguns vídeos que mostram a real situação palestina e o terror israelense contra eles.










E para quem quer assistir a um documentário completo sobre a causa Palestina, assita "Occupation 101" que pode ser visto aqui.
OBS: As charges são do excelente cartunista Latuff

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1.6.10

Oliver Stone e o outro lado de Hugo Chávez


Em 2009, o cineasta norte-americano Oliver Stone lançou um documentário chamado “South of the Border” e gerou polêmica nos EUA. Este documentário mostra os presidentes latino-americanos que ascenderam ao poder democraticamente e que estão fora daquela velha zona de influência dos EUA, como foram todas as ditaduras na região. O documentário mostra que esses líderes são humanos e estão no poder democraticamente, pois foram eleitos e reeleitos demonstrando a aprovação da maioria sobre seus governos. O documentário desfaz mitos perpetrados pela mídia norte-americana que passou a demonizar Hugo Chávez, o que foi seguido pelo resto da grande imprensa latino-americana, principalmente o PIG. O trabalho do cineasta compara e mostra a manipulação grotesca feita pela imprensa norte-americana em torno da maioria desses líderes, principalmente Chávez.
O ator Sean Penn já havia feito algo semelhante em 2008, quando foi pessoalmente a Venezuela e Cuba para ver o que realmente acontece nesses países. Ele também entrevistou Chávez e Raúl Castro e teve uma outra percepção da realidade que estes países vivem com a interferência constante dos EUA em seus assuntos internos. No final da entrevista ele escreveu:

“a maior parte das questões básicas sobre soberania nos permitem entender o antagonismo norte-americano contra Cuba e Venezuela, assim como contra as políticas desses países. Eles sempre tiveram só duas escolhas: serem imperfeitamente nossos ou imperfeitamente deles mesmos”

Essas conversas foram escritas em artigos para a revista The Nation, os quais foram traduzidas pela Agência Carta Maior aqui.
Antes de reproduzir a entrevista que Stone deu para o jornal Folha de S.Paulo, destaco esse trecho:

“O presidente Hugo Chávez tenta controlar a mídia na Venezuela…
[Interrompendo] Não mesmo. 80% da mídia na Venezuela é privada, dirigida por ricos que falam mal do governo. Chávez brigou pela liberdade de expressão. Alguns canais e revistas convocaram greves e chamaram as pessoas para um golpe de Estado em 2002. Em meu país, se você fizer isso, sua licença [de TV] será retirada.”

É o que eu sempre disse, se uma rede de TV nos EUA fizesse o que fez a RCTV na Venezuela, a licença não seria só retirada, mas a emissora seria bombardeada pelo governo Bush na época. Confiram a entrevista do cineasta, a qual foi retirada do Blog Cidadania do Eduardo Guimarães.

FOLHA DE SÃO PAULO – 27/05/2010

OLIVER STONE DIZ QUE LULA NÃO DEVE CONFIAR EM ELOGIOS DE OBAMA
O cineasta americano Oliver Stone (“Platoon”, “JFK”, entre outros) chega ao Brasil na segunda, 31, para lançar “Ao Sul da Fronteira”, documentário sobre sete presidentes da América Latina – com destaque para o venezuelano Hugo Chávez, de quem é admirador. Por telefone, de seu escritório, em Los Angeles, Stone falou à coluna:
Folha – Como é Chávez?
Oliver Stone – Ele é muito acolhedor e amoroso. As notícias sobre ele nos EUA têm sido muito negativas, porque ele mudou as regras. Fez coisas que nenhum outro, exceto Fidel] Castro, havia feito. Ele tem feito coisas novas, assim como Nestor Kirchner na Argentina e Lula no Brasil. Como Cristina Kierchner diz no filme, as pessoas que estão no poder na América do Sul têm o semblante do povo que as elegeu. Hugo Chávez é um soldado e obviamente tem algumas das faolhas de um soldado. Lula é um sindicalista e tem algumas das falhas de um sindicalista. Mas ambos representam uma grande mudança. E eu espero que dê certo. Porque é o desejo de controlar o seu próprio destino, de ser levado a sério, de não ser ignorado.
O filme é pró-Chávez?
Não é pró-Chávez. Apenas mostra honestamente o que ele está fazendo e o que estão dizendo sobre ele. Não é um documentário longo que vai defender tudo, é uma “roadtrip”. Se fosse pró-Chávez, ele teria três horas a mais.
O presidente Hugo Chávez tenta controlar a mídia na Venezuela…
[Interrompendo] Não mesmo. 80% da mídia na Venezuela é privada, dirigida por ricos que falam mal do governo. Chávez brigou pela liberdade de expressão. Alguns canais e revistas convocaram greves e chamaram as pessoas para um golpe de Estado em 2002. Em meu país, se você fizer isso, sua licença [de TV] será retirada.
Há relatos de jornalistas sobre a pressão do governo.
Estou falando do que vi e ouvi. O governo respeita a liberdade de imprensa, exceto nos casos em que a mídia desrespeita a lei ou tenta um golpe. Aí as licenças das empresas de comunicação não são renovadas. A maioria das TVs do país é dirigida por lunáticos, caras de direita que perderam seu poder quando Chávez nacionalizou o petróleo. É uma das imprensas mais histéricas que já vi.
O sr. desaprova algo no governo de Chávez?
Ele comete erros assim como qualquer outro governo do mundo. Mas 75% votaram nele em 2006. Nos EUA, a votação de Obama não chegou nem perto. Você não tem ideia de quão pobre era a Venezuela antes de Chávez. Parte por causa do neoliberalismo praticado, inclusive, no seu país, o Brasil. Washington e o FMI não têm interesse, de coração, nas pessoas. Chávez, Lula, Kirchner, [o boliviano Evo] Morales têm. E pagam o preço sendo criticados por pessoas que têm dinheiro e controlam a mídia.
No filme, Lula diz que só quer ser tratado com igualdade. Ele está sendo?
Por quem?
Por líderes do mundo.
Não. Ele e os outros líderes da América do Sul ainda são ignorados. Eu admiro muito o Lula. Ele fez uma coisa nobre indo ao Irã. Ele está tentando manter a sanidade, manter suas posições. Os americanos e europeus acreditam que podem controlar o mundo. Lula representa uma terceira via, de quem não quer a guerra, um caminho fora dessa loucura. Os EUA costumam dizer que Chávez é a má esquerda e Lula, a boa. Isso é nonsense. Obama apoiou Lula até quando ele cruzou a linha.
Ele disse que Lula é “o cara”.
Eu não confiaria nos EUA. Os americanos sempre jogaram com os brasileiros desde que pudessem controlá-los. Apoiaram o golpe militar no país em 1964. O Brasil sempre esteve no bolso de trás dos EUA, mas agora eles têm que ser mais espertos. Sabem que não podem controlar o Brasil. E Lula é muito importante. Ele se dá com Chávez, com os Kirchner, e com a Colômbia, o Peru e o México, que são aliados dos Estados Unidos.
E Obama?
Nós estamos tentando. Ele é um homem racional, ético, mas faz parte de um grande sistema. Se ele não estivesse lá, estaria John McCain ou Sarah Palin. Você prefere eles? Eu não. Mas, em relação à América Latina, Obama está jogando o mesmo jogo. A reação americana ao golpe em Honduras foi típica.
O sr. vai fazer um documentário sobre o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad?
Não estou pensando nisso no momento. Houve um problema de comunicação. Eu quis fazer o filme, e ele [Ahmadinejad] não quis. Quando ele quis, eu estava fazendo o filme “W”, sobre George W. Bush. (LÍGIA MESQUITA)

“Obama apoiou Lula até quando ele cruzou a linha.”
“A maioria das TVs da Venezuela é dirigida por lunáticos de direita. É uma das imprensas mais histéricas que já vi.”
OLIVER STONE


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25.5.10

A hipocrisia dos EUA e da imprensa sobre o Irã

Como já se esperava, a grande imprensa brasileira (PIG) agiu de forma infantil e subserviente sobre o acordo mediado pelo Brasil e pela Turquia para a destinação do urânio produzido pelo Irã. O Brasil agiu corretamente e com muita soberania nessa questão e conseguiu se afirmar como um país sério que está disposto a participar cada vez mais de negociações e decisões de diversos assuntos. O Brasil passa a ocupar um posto jamais conquistado anteriormente e isso se deve a competência e seriedade do atual governo nas relações internacionais, principalmente na figura do chanceler Celso Amorim. Isso tudo é insuportável para a elite e sua imprensa que nunca imaginou um ex-metalúrgico sendo tratado de igual para igual com os lideres das nações mais poderosas e ainda sendo elogiado muito por estes. Para isso, a dobradinha oposição/PIG mais uma vez entra em cena para tentar desconstruir essa imagem para manipular o povo brasileiro. Utilizam recursos que remetem até a guerra fria, tentando associar as relações internacionais do país com um suposto laço ideológico com algumas nações consideradas, segundo sempre o consenso de Washington, “perigosas”, “mal vistas” ou pertencentes ao tal “eixo do mal”. Com certeza muitas dessas e outras são perigosas, mais internamente, mas a seletividade com apenas algumas é que demonstra a falsidade e hipocrisia não só da dobradinha oposição/PIG, mas principalmente do país que estes são e sempre foram súditos: os Estados Unidos da América (EUA). No atual imbróglio sobre o Irã, os EUA e Israel querem fazer de tudo para tentar justificar uma ação militar contra o país. Eles tentam, inclusive com apoio da maioria da imprensa ocidental, fazer a pior imagem possível do Irã, usando inclusive as questões religiosas e de comportamento internas que vigoram no país. Sobre isso, é detestável ver como a falta de liberdade individual, de expressão e de imprensa no Irã revelam essa face autoritária do regime dos aiatolás, mas não justifica as sanções que os EUA querem impor ao país. Se for assim, porque não impor sanções contra a China? a Arábia Saudita? o Paquistão? Lógicamente porque estes países são aliados tanto comerciais, como é o caso da China, quanto militares, como é o caso do Paquistão e Arábia Saudita, dos EUA. São ditaduras também e são até piores internamente que o Irã. Os EUA também não têm moral para cobrar direitos humanos de nenhum país, pois os desrespeita com suas bases de tortura e pris clandestinas pelo mundo afora, pelas invasões não autorizadas e destruição dos países invadidos e a morte de milhares de civis destes.
Já a tal ameaça iraniana ao mundo que tanto falam EUA e a imprensa não é bem assim. O Irã não é a ameaça, mas sim o ameaçado nessa questão. Se olharmos para o mapa, veremos que o país está cada vez mais cercado por inimigos, pois Afeganistão e Iraque foram invadidos militarmente pelos EUA que estão lá até hoje. Há também o Paquistão, que é aliado militar dos EUA. Aliás, esse país sim é preocupante, pois já possui bomba atômica e não faz parte de nenhum tratado internacional, é inimigo histórico da Índia (que também possui a bomba atômica) e possui várias células de grupos extremistas islâmicos. Sobre isso a imprensa pouco fala. E a verdadeira ameaça não só ao Irã, mas à todo o Oriente Médio é Israel. Esse país possui diversas armas nucleares, químicas e biológicas. Além disso, não faz parte de nenhum tratado internacional sobre armas nucleares, não admite que as tenham e por isso não permite nenhum tipo de inspeção internacional sobre suas instalações militares. Constantemente, o governo israelense se coloca sempre como suposta vítima ou ameaçado pelo Irã, sempre com o apoio incondicional dos EUA. Para isso, a imprensa ocidental é essencial na fabricação de um consenso em torno da figura do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Com certeza suas declarações sobre o holocausto são deploráveis, pois coloca em dúvida a ocorrência deste, mas ao mesmo tempo membros do governo israelense também dão declarações racistas e preconceituosas contra os muçulmanos e árabes que não são repercutidas com a mesma intensidade que fazem com Ahmadinejad. O ministro das relações exteriores de Israel – Avigdor Lieberman - é adepto do projeto higienista e segregacionista chamado Grande Israel, o qual propõe a expulsão de todos os árabes de Israel e da Palestina. Com o Ahmadinejad, a imprensa sempre repete que ele quer “varrer Israel do mapa”, mas não fazem o mesmo quando citam o Lieberman. Aliás, essa declaração de Ahmadinejad é contestada por especialistas em persa de que isso foi traduzido falsamente para tentar dar “razão” á sanha militar israelense. Uma análise sobre isso pode ser lido aqui.
Enfim, a hipocrisia dos EUA e Israel em tentar mostrar o Irã como um possível agressor, não passa de cortina de fumaça para mais uma vez imporem a força a mudança de um governo e regime. Portanto, o Irã tem todo o direito de buscar a auto-defesa diante dessas ameaças e está sendo até benevolente demais devido ao enorme arsenal nuclear de Israel. O Irã deveria condicionar o acordo à uma adesão de Israel à tratados internacionais sobre armas nucleares e eliminação destas para abandonar seu projeto nuclear. Como Israel não admite e não está nem ai, o Irã esta certo em insistir em seu programa nuclear. A diplomacia brasileira busca através desse acordo se colocar como um país que busca o diálogo e ganha projeção internacional reafirmando independência e soberania em relação ao EUA. O PIG aqui tenta alardear que isso fez o Brasil ficar mal-visto pelos norte-americanos e adoraram as declarações da Hillary Clinton. Os alienados aqui até ficaram com medo de irritar os todos poderosos norte-americanos e como o PIG almeja, quer tentar usar isso politicamente para usar contra Lula e sua candidata Dilma Roussef. Isso demonstra que estes ainda são guiados pela ideologia da época da guerra-fria e torcem intensamente para o fracasso do acordo. Agora, o acordo parece que vai mesmo vingar e países como a França e a China que tem poder de veto no conselho de segurança, demonstraram apoio.
Para os que ainda tem dúvidas sobre o assunto, sugiro que vejam o vídeo abaixo com a entrevista na GloboNews do diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa. É uma entrevista didática sobre as questões políticas e técnicas sobre o acordo e o contexto da questão nuclear iraniana. Inclusive, pode-se perceber que o entrevistado frustra os jornalistas da Globo, pois achavam que ele iria bater na mesma tecla em condenar o acordo e o Irã. Confiram:


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20.5.10

Ei J. Hawilla, Vai toma no ..!!!

Não se assustem com o título chulo deste texto, mas é o que merece o autor dessa pérola que reproduzo abaixo:

“A turma que vai à geral ficará assistindo só na tevê. É gente que não consome nada, depreda e mata no metrô. Não interessa mais ao futebol. Dá orgulho ver o público pagar R$ 300 pelo ingresso. Não defendo a elitização. Mas o futebol precisa de dinheiro.”

Essa frase foi pronunciada por um ser chamado José Hawilla ou como é mais conhecido, J. Hawilla. Ele é um empresário que possui jornais no interior de São Paulo, é dono do jornal Diário de S.Paulo e preside a Traffic. Pelo jeito ele não deve gostar muito do nome José, pois deve ser muito “povão” para ele. Imagina ele ser chamado de “Zé” e ser identificado com um “zé ninguém”, aquele que “não consome nada”. O blogueiro Leonardo Sakamoto sempre comenta esse tipo de frase que define como: “Frases para entender o Brasil”. Essas frases geralmente são ditas por empresários, políticos, celebridades ou membros da chamada “alta sociedade”, aquela que sai nas colunas sociais. Todas as declarações têm a mesma semelhança, pois demonstram como essa turma é elitista, classista, racista e preconceituosa. Essa frase do Hawilla consegue reunir todos esses componentes e demonstra como realmente pensa a elite do país e também os chamados “emergentes” que pensam que são ricos, mas são ainda classe me(r)dia. Essa elitização dos espaços públicos faz tempo que vem ocorrendo e é uma segregação de classe disfarçada. É aquela coisa de “selecionar” que sempre ouvimos sobre pagar caro para entrar em festas, bares e casas noturnas. Em outro artigo eu coloquei um vídeo que tratava disso e mostrava a playboyzada paulista queimando dinheiro e dizendo que gostava dali porque era selecionado, pois só tinha membros da sua classe. Em casas de show e shows de grande porte, a parte VIP privilegia os selecionados com a frente do palco. Estes são cercados do resto, que sempre é maioria, os quais ficam bem atrás destes que pagaram o dobro do valor da pista normal.
Nos estádios de futebol de grandes clubes começou também o espaço VIP, pois querem como o Hawilla disse, que o perfil do torcedor seja daquele que paga “R$ 300” e não o da “ralé” que é a maioria. Os clubes se associam geralmente com empresas de cartões para reservar a melhor parte da arquibancada para os clientes destes, onde o preço é também o dobro do ingresso normal. Foi o que ocorreu no estádio Palestra Itália do Palmeiras, por exemplo, pois a parte da geral que ficava no meio do campo foi reservada somente aos torcedores que possuem cartão VISA e se dispõem a pagar até R$ 80 dependendo do jogo. Ali ficava a maior parte da torcida, que é geralmente mais pobre, e esta hoje é obrigada a ficar espremida atrás do gol. Infelizmente esse crápula do J.Hawilla se diz “palmeirense” e a Traffic (nome sugestivo não?) possui uma influência enorme no futebol e detém o passe de diversos jogadores que atuam em vários clubes. Para a minha tristeza, a Traffic é parceira do meu time, o Palmeiras, e terá o direito de comercialização da nova Arena que construirão. Se com um espaço da geral colocaram o preço lá em cima só porque instalaram umas cadeiras na arquibancada, imagina quanto custará depois de construída a nova arena? Será que o espaço para os torcedores comuns vai diminuir mais ainda nos estádios? Com esse pensamento, Hawilla quer que o futebol volte aos primórdios, onde só a elite assistia aos jogos.
O futebol é do povo, da maioria que fez esse esporte se tornar mundial e também extremamente lucrativo para empresários como Hawilla, que hoje generaliza todos com base no seu preconceito e nojo.
Por isso todos devem estar atentos a declarações como esta, pois a Copa 2014 será aqui e todas essas reformas e construções de estádios vão utilizar muito dinheiro público. Se nós que ficamos na geral vamos ter que assistir aos jogos apenas pela TV, significa que todo esse dinheiro público usado para a Copa vai ser usufruído apenas pela turma que paga os “R$ 300 pelo ingresso”. E vai ser muito bom também para a emissora que monopoliza há anos as transmissões dos jogos e faz, com o consentimento dos governos, todos os torcedores de palhaços. Não é a toa que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acatou a vontade da emissora e não do público ao vetar a lei que impedia que jogos fossem realizados depois das 21: 30hs.
Hoje em dia, nos jogos de futebol, é comum a torcida, quando está insatisfeita geralmente com arbitragens, iniciarem um coro que todos nós deveríamos entoar depois de ler as declarações reproduzidas no ínicio e é título deste texto:

- Ei J. Hawilla, Vai toma no (você sabe o resto)!!

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11.5.10

Como entrevistar um tucano

Como todos já sabem, o Partido da Imprensa (PIG) segue geralmente uma cartilha quando entrevista candidatos do PSDB. As perguntas não devem ser incômodas como àquelas que tratam de denúncias contra seus governos e nunca devem constrangê-los. Se isso acontecer, tucanos costumam agir de maneira truculenta, não respondem e se possível abandonam a entrevista. Em outros artigos já mostrei como José Serra é estúpido e revela sua face anti-democrática contra jornalistas que fazem as perguntas “proibidas” .
Infelizmente o exemplo de como entrevistar um político vem da imprensa estrangeira. Nesse primeiro vídeo, é um clássico, pois mostra finalmente um entrevistador colocando Fernando Henrique Cardoso (FHC) contra a parede. É um programa da BBC chamado “Hard Talk” e esse não tem como os direitóides tacha-los de petistas e outras baboseiras do tipo.





Uma entrevista como essa, com o FHC (o sociólogo-príncipe do PIG), nunca fizeram aqui no Brasil e lógicamente a mesma não foi comentada pelos articulistas de jornais e revistas do PIG. Aliás, se alguém observar uma entrevista no Roda Viva, por exemplo, com o Alckmin, Serra ou FHC, verá que parece que estão em uma mesa de bar de amigos. É sempre os tais entrevistadores praticamente “jogando a bola” para o entrevistado “cortar”.

O próximo vídeo, que também foi feito por equipe estrangeira, é com o Alckmin na época dos ataques atribuídos ao PCC e mostram o despreparo do então candidato e sua tendência autoritária, pois abandona a entrevista quando o entrevistador insiste nas perguntas “proibidas”. Vejam:



Uma entrevista como essa, se fosse feita com o Lula nessa época da eleição, por exemplo, teria rendido capas de revistas e jornais, análises delirantes dos articulistas do PIG e chamadas no Jornal Nacional. Mas foi com o candidato da época do PIG, então foi abafado.
A reportagem do vídeo mostra como os tucanos aparelharam totalmente o estado nesses 16 anos de (des)governo no estado de São Paulo. Aliás, esse discurso, eles e o PIG, tentam colar somente no PT, mas as secretarias do estado de São Paulo, por exemplo, mostram que eles fazem o mesmo. Nesse caso da segurança todos sabem da corrupção desenfreada e a intervenção política que corre nessa secretaria. Só que isso é pouco investigado pela imprensa, é claro, pois qualquer rebelião ou ataques de uma organização criminosa como o PCC são prontamente minimizadas pelas “autoridades” tucanas e são politizadas por estes. O clichê usados por eles é o velho costume de colocar a culpa sempre no PT e na CUT, dizendo que eles estão por trás. Nada melhor para o PIG reverberar isso como verdade absoluta e desviar o foco da gestão corrupta e ineficaz deles na área de segurança. E ainda vem o Serra dizendo que vai “criar” o ministério da segurança. Em São Paulo, a polícia cada vez mata mais e sofre com a desvalorização típica de governos tucanos, pois recebem um salário baixo e humilhante, assim como outros profissionais do estado como os professores e médicos.
Para finalizar, deixo um exemplo de “ato falho” do PIG em assumir Serra como seu candidato. Ouçam, pois Heródoto no programa da CBN chama o Serra de “nosso candidato”, ou seja, o candidato oficial do partido da imprensa.

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3.5.10

A dobradinha PIG/PSDB na campanha eleitoral

O Partido da Imprensa (ou PIG, como é chamado na internet) está dando cada vez mais exemplos do seu partidarismo com a manipulação de notícias para beneficiar o candidato deles: José Serra (PSDB). A Globo com a vinheta em comemoração dos seus 45 anos é exemplar, como já escrevi no texto anterior, mas esse 45 que aparece no final da propaganda é muito parecido com o do slogan tucano.

A capa da Veja com o Serra (a da mãozinha no rosto) foi copiada da revista norte-americana Time (aquela que elegeu Lula um dos mais influentes líderes do mundo) e para ajudar mais ainda colocou essa edição como propaganda da “revista” nas bancas de jornais. Na verdade a propaganda é para o Serra, mas a “revista” insiste na falácia da imparcialidade. Os ingênuos e tapados que dizem que a Veja também deu capa para a Dilma Roussef, não percebem a diferença das duas capas. Na da Dilma, a capa está em preto, branco e vermelho e com cara séria. Já na do Serra, rosto sorrindo, mão no rosto e uma mensagem explícita na capa dizendo que ele será o presidente. Essas duas capas foram muito bem analisadas pelo mestre em comunicação, Washington Araújo, no site do Observatório da Imprensa e pode ser visualizado aqui.
O candidato José Serra é hoje um candidato de mídia, pois se sustenta somente pelo apoio incondicional desta as propagandas enganosas e mentirosas do governo do estado de São Paulo, do qual era governador. Não há críticas e questionamentos e se há algo é deixado para rodapé de página na mídia escrita. Já na televisiva não há nenhum questionamento. Qualquer declaração de Serra já é prontamente reverberada pela imprensa, com direito a opinião de especialistas para fazer o jogo político antes mesmo da campanha oficial, como mostra essa capa do jornal O Globo:

Notícias positivas sobre a conjuntura nacional são também deixadas geralmente para segundo plano e quando são comentadas, tentam fazer o mínimo de correlação possível entre o governo Lula e as manchetes. Notícias como menor nível de desemprego e criação recorde de empregos formais são minimizadas, mas se estivéssemos sendo presididos ainda pelos tucanos, com certeza o Partido da Imprensa estaria fazendo estardalhaço com essas notícias. Endeusariam mais ainda os tucanos e seus líderes seriam tidos como os maiores estadistas que o país teve e os melhores do mundo. O PSDB no poder é garantia de uma imprensa chapa-branca e não investigativa, pois é só ver como atuava a imprensa na era FHC. Era uma imprensa morna, que deixava passar quase tudo e os apoiava em quase tudo também e de vez em quando para garantir audiência noticiavam um escândalo ou outro, mas não passava de fachada. Isso quando não era usada pelos caciques partidários, como fez ACM e Jader Barbalho com a Veja e a IstoÉ, para se atacarem.
Se não bastasse ter o partido da imprensa e grupelhos reaças que se dizem “apartidários” trabalhando a seu favor, os tucanos partiram para a guerra suja na internet. Estão utilizando “crackers” para atacar sites e blogs, como fizeram com o site do PT. Descobriu-se que o comandante dessas operações é o tesoureiro nacional do PSDB e ex-secretário-geral do governo FHC, Eduardo Graeff. Inclusive o site oficial do partido traz o link de um outro site criado pelo partido para acusar e difamar Lula e Dilma. Isso foi denunciado pelo deputado Brizola Neto (PDT) no seu blog aqui.
Outro episódio que expôs mais uma vez como são ridículos alguns membros da oposição é o site do histriônico deputado federal José Carlos Aleluia (PFL, vulgo DEM) que trouxe um texto falso atribuído a apresentadora Marília Gabriela. Ela desmentiu a autoria e deixou claro como alguns opositores fazem de tudo para enganar e fazer o jogo político sujo e rasteiro.


Para finalizar, deixo um vídeo deboche que mostra hilariamente como age um típico reaça, ainda mais os condicionados e doutrinados pelo blogueiro esgoto da Veja. Confiram, pois é muito bom:


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21.4.10

A Imprensa Brasileira “sai do armário”

Ultimamente a expressão “sair do armário” virou moda depois que o cantor e ex-menudo Rick Martin assumiu ser gay. Não é objetivo deste artigo discutir sobre o preconceito, muito menos o cantor. Essa expressão representa que alguém se assumiu ou simplesmente “tirou a máscara”, ou seja, revelou aquilo que todos já sabiam. Com a grande imprensa brasileira aconteceu a mesma coisa quando há algumas semanas a presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e executiva do jornal Folha de S. Paulo, Maria Judith Brito, deu a seguinte declaração ao jornal O Globo:
"E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”
Essa frase representa o que muitos já sabiam, ou seja, que a grande imprensa no Brasil se tornou um verdadeiro partido político. Os principais membros desse partido são verdadeiros grupos mafio-midiáticos controlados por famiglias poderosas como: Abril(Civita), Estado (Mesquita), Folha (Frias) e Globo (Marinho). Esse partido da imprensa, o qual é chamado também de PIG (Partido da Imprensa Golpista), atua geralmente como porta-voz da oposição e ás vezes como um partido apêndice destes. Ora a imprensa reverbera e apóia incondicionalmente todas as acusações da oposição ao governo Lula (atuando como porta-voz desta), ora escandaliza qualquer coisa e produz factóides para a oposição explorar e assim faz uma “dobradinha” oposicionista (atuando como partido apêndice). Antes de o Lula ser eleito, a imprensa apoiou o governo tucano durante os 8 anos do “reinado FHC” e já era partidária, mas ainda não agia como um partido. Depois da eleição e reeleição do presidente Lula começou a radicalização e transformação do partido da imprensa. Estes ficaram decepcionados com a oposição PSDB/PFL (atual “DEM”) não ter dado o golpe e tirado Lula do poder em 2005.
Fazer papel de oposição não é função da imprensa em um regime democrático, pois investigar as ações de um governo não significa manipular informações e mentir para beneficiar um grupo político. Infelizmente é isso que a imprensa faz, pois usa pesos e medidas diferentes no campo político. No Brasil, as notícias a serem destaques e a produzir escândalos referem-se quase que exclusivamente ao PT. Mesmo com o atual escândalo envolvendo o “ex”- partido do Arruda, o PFL (vulgo DEM), a mídia restringiu o escândalo ao “DEM de Brasília”. O resto do partido não sabia nada e o fato de ele ser preterido na chapa com José Serra nunca é lembrado pela imprensa. O que não ocorreria se ele fosse possível vice da Dilma Roussef (PT). Mesmo no caso do chamado “mensalão do PT”, quando viram que o operador Marcos Valério tinha feito o mesmo esquema com o PSDB de Minas Gerais anos antes, a imprensa perdeu o interesse no assunto e chamou o caso de “mensalão mineiro” e não “mensalão tucano”.
Organizações Serra de Jornalismo
Atualmente o partido da imprensa anda preocupado e nessas eleições vai jogar todas as cartas para eleger o candidato deles, o José Serra (PSDB). O terreno vem sendo preparado desde que Serra se elegeu governador do estado, descumprindo um compromisso público de não deixar a prefeitura de São Paulo. A mesma mídia que diz “investigar” minúcias do governo federal, não tem nenhum empenho em investigar as ações dos governos estadual e municipal de São Paulo. Um exemplo didático é como foi retratada as tragédias causadas pelas chuvas aqui, pois para a mídia a culpa foi exclusivamente das chuvas e de São Pedro. Já no Rio de Janeiro a culpa foi inteiramente do governo federal, como mostra essa figura da capa da revista Veja, a qual representa o jornalismo de esgoto do país.
Lógicamente que tudo isso não é culpa somente das chuvas, mas também por ocupações irregulares (tanto pobres como ricos), lixo, falta de fiscalização e falta de políticas públicas voltadas para habitação e infra-estruturas por parte dos governos. É uma ação conjunta e o que ocorre hoje é resultado também da omissão dos governos anteriores. Ou seja, a imprensa fez o jogo político em cima desses fatos, quando que era para cobrar de todos os governantes.
A radicalização do partido da imprensa se intensificou após verem que a candidata Dilma havia crescido bastante nas pesquisas eleitorais e convocaram um Fórum sobre “democracia e liberdade de expressão” por um tal de Instituto Millenium. O evento reuniu os principais representantes desse partido e foi realizado em um hotel de luxo e quem se inscreveu “só” desembolsou R$ 500,00 para ouvir figuras como o blogueiro e colunista da “revista” Veja, Reinaldo (Esgoto) Azevedo e o verdadeiro “chearleader tucano” da televisão, Arnaldo Jabor. Ali o partido praticamente revelou as diretrizes a serem seguidas nessa campanha eleitoral e despejaram os chavões mais delirantes e paranóicos como a manutenção do PT no poder e o perigo (será que vão chamar de novo a Regina Duarte para propagar o medo) de a Dilma implantar um “regime stalinista” no país. A liberdade só virá com o Serra e disseram que festejarão quando ele ganhar. Jabor expôs o verdadeiro stalinismo quando disse que o “pensamento de uma velha esquerda não deveria mais existir”, ou seja, essa é a liberdade de imprensa que ele, seu patrão e colegas de partido querem e praticam hoje no Brasil: aquela que censura a diversidade de opiniões cerceando a liberdade de expressão que tanto falam, mas na verdade desprezam. Aliás, eventos parecidos com este foram feitos pela mesma imprensa antes do golpe de 64, o que revela a face golpista destes. Até o momento vários exemplos da partidarização midiática estão cada vez mais evidentes nas revistas, jornais, rádios e televisão.
Partido da "massa cheirosa"
Começo com a jornalista da Folha, Eliane Catanhêde (Tucanhêde), que estava super animada e empolgada no lançamento da candidatura do Serra.


O vídeo acima mostra bem isso e depois ela diz que a festa tucana estava tão cheia de gente, que parecia um partido de “massas”. Mas, segundo ela, um alto membro do tucanato disse que era uma “massa cheirosa”! Ou seja, o PSDB é o partido da massa cheirosa. Ela, no mínimo, fez as palavras do suposto tucano as dela e expôs todo o preconceito de classe não só pessoal, mas do partido que representa.
Os jornalões paulistas, Estadão e Folha, são tão tucanos que até as brigas internas do partido eles são usados para mandar recado. Faz uns dois anos, o jornal Estado de Minas e o Estadão trocaram ofensas em editoriais porque um ofendeu o governador do estado do outro, no caso Serra e Aécio. Recentemente a Folha (porta-voz do Serra) e o Estadão (porta-voz do FHC) também fizeram algo semelhante como mostra o jornalista Rodrigo Vianna.


Outro exemplo foi a briga dos institutos de pesquisa, onde o Datafolha se destacou pela discrepância dos seus resultados com outros dois institutos, o Sensus e o Vox Populi. O pior foi o Datafolha atacar diretamente seus concorrentes com várias acusações e parece desperado para fazer a candidatura Serra alavancar de vez. Isso expôs como esses institutos são usados politicamente e podem ser manipulados, mas é difícil imaginar que a pesquisa do Vox Populi, que foi encomendada pela Bandeirantes (do âncora Boris Casoy), tenha sido manipulada para beneficiar a Dilma. Não dá para acreditar que de repente Boris Casoy e CIA aderiram ao lulismo. Já o Ibope que é da Globo vai fazer a dobradinha com o Datafolha na campanha para o Serra.

Globo e PSDB: tudo a ver!




Para finalizar os exemplos, mostro esse vídeo da recente propaganda da Rede Globo que foi ao ar no último domingo. É muita “coincidência” que o slogan da propaganda da emissora seja idêntico ao slogan lançado pela campanha do Serra (“o Brasil pode mais”) e ainda no final ter o número 45 representando o tempo de sua existência parecidíssimo com o 45 da legenda tucana. Deve ser uma coincidência pelo fato do Serra ter feito “acordo” com a Globo, sobre o terreno público que a emissora usou durante 11 anos como privado, com a construção de uma escola técnica de áudio e vídeo. Ou também pelo fato do pupilo do Serra, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, ter vetado a proposta que mudava os horários dos jogos em São Paulo. E agora, os tucanos deram mais um presente para a emissora, assinando a revista da editora Globo, Terra da Gente, para todas as escolas do estado de São Paulo. Aliás, esse tipo de agrado os tucanos gostam de fazer para o partido da imprensa, pois desde o ano passado, Serra assinou as revistas Escola e Veja da editora Abril e também os jornais Folha e Estadão para todas as escolas do estado.
Tudo isso exemplifica como o partido da imprensa vai atuar nessas eleições, ou seja, vai ser guerra suja contra os candidatos que não apóiam. Na verdade, isso sempre ocorreu, mas agora está acontecendo uma radicalização. Por exemplo, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma ficha falsa da Dilma (a qual rodou por algumas correntes de e-mail) e tentou culpar diretamente Lula pelas tragédias aéreas acusando-o de “assassinato” dessas pesssoas. Outro exemplo é a Veja dar uma capa ao Serra com mãozinha no rosto e super feliz e colocando essa capa como propaganda da revista nas bancas, sendo que fez o mesmo com o Alckmin em 2006, mas na época foi mais ousada e expôs outdoors em São Paulo com essa capa. Também recorreu até a astrologia para dizer que o Serra vai ser eleito. É a propaganda política pura e suja do partido da imprensa.

Enfim, a atitude da Dona Judith em assumir a partidarização da imprensa foi corajosa e deveria ser seguida e assumida de vez por todos os grupos de comunicação. Isso seria bom para a democracia no país, pois deixaria explícito de vez os motivos de apoiarem tal candidato. Em vez disso, preferem se esconder atrás de um manto falso de imparcialidade e “independência” que alegam possuir e ao mesmo tempo praticam a censura prévia de opiniões em suas publicações, tanto de leitores quanto de jornalistas.

OBS: Esse artigo foi publicado no Observatório da Imprensa aqui.


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