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7.7.15

Alckmin, a mídia e a situação invisível da educação pública no estado de São Paulo

A foto acima demonstra bem a prioridade do governo Alckmin com a educação no estado de São Paulo. Pode faltar até papel higiênico nas escolas, mas exemplares dessas revistas e jornais da mídia chapa branca do PSDB não. Se bem que, no caso da Veja, suas folhas até poderiam servir pra isso.

Desde 2014, o “nobre” governador cortou verbas da educação relacionadas como limpeza, materiais escolares e obras nas escolas. Sem contar as salas que foram fechadas, orientadores pedagógicos cessados e uma série de mudanças na rotina escolar visando “economizar”, mas que pioraram o que já era difícil e ruim para todos os profissionais da educação estadual. No estado mais rico da nação, um governador tomar esse tipo de atitude é vergonhoso. Porém, mais vergonhoso foi a forma como ele e seu secretário (Herman) ignoraram a greve dos professores, que durou 92 dias, e agiram covardemente ao descontar o salario dos grevistas. As reinvindicações não eram só em relação à reposição salarial, mas também pela melhoria das condições de trabalho, as quais continuam sendo justas e urgentes. Apesar disso, o governo tucano paulista sequer abriu negociações com a categoria, mostrando total desprezo com a educação no estado.

Volto à foto acima: Alckmin, assim como todo político de destaque do PSDB, tem o apoio da grande imprensa brasileira, em especial, a paulista. Os editoriais dos dois jornalões paulistanos – Folha de S. Paulo e Estado de S.Paulo – procuraram atacar os professores grevistas apoiando a tese mentirosa do governo tucano de que a greve era só política. Ora, quando ocorre em ano eleitoral dizem a mesma coisa e agora que não, tentaram mesmo assim tergiversar e dizer que foi tudo armação do PT. Aproveitaram também o momento de extrema radicalização antipetista e desmereceram a greve e as reinvindicações. Pois bem, essa relação extremamente amigável da mídia paulista com Alckmin tem outro agravante, não é só porque ideologicamente são iguais. Envolve cifras milionárias direto da educação para o bolso dos donos desses grandes veículos de comunicação bem representados na foto. Desde quando José Serra era governador, este presenteou essa imprensa marrom com a assinatura milionária de suas principais publicações para serem distribuídas nas escolas, as quais foram renovadas até então. As publicações representadas na foto são das editoras: Globo (revista Época), Abril (revista Veja) e Brasil 21 Ltda (revista IstoÉ). Estas publicações junto com os jornais Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo ganharam quase R$ 45 milhões de dinheiro público da educação entre o final de 2009 e 2014, segundo levantamento feito pelo blog NaMariaNews.

Não é à toa que a precária situação da educação no estado de São Paulo é sempre descolada das ações do governo estadual quando são noticiadas. A greve não ganhou o destaque nacional merecido e por aqui, algumas reportagens foram feitas, mas todas com pouco destaque. Só foi destaque quando alguns professores grevistas tentaram entrar no prédio da secretaria da educação e dai com intuito de taxar os grevistas como vândalos, ganharam a primeira página dos jornalões. Nas reportagens televisivas é pior, pouco se ouve os professores e dão destaque aos membros do governo estadual, nunca a algum deputado de oposição da Assembleia Legislativa. Se Alckmin e a secretaria diz que “deu” milhões em bônus (uma enganação) e infla os salários da categoria, essa mídia repercute quase que sem questionar. Muitos chegaram a achar que um professor estadual paulista ganhava mais de R$ 4 mil por mês quando, na verdade, com carga completa de aulas, chega a pouco mais de R$ 2 mil.

A questão salarial é muito importante, embora muitos achem bobagem e não comparam os professores com outras categorias com nível superior. No Brasil, segundo o IBGE, a média salarial de trabalhadores com nível superior é de R$ 4.726,21, enquanto que os docentes recebem só 57% disso, ou seja, a média de R$ 2.711,48. No estado de São Paulo, é até mais baixo, R$ 2.415,89, sendo, repito, o estado mais rico do país. Sem contar que os estados, responsáveis pela educação básica, usam artifícios como as gratificações para aumentar um pouco os salários, mas ainda muito baixo.

É consenso, principalmente durante as eleições, de que a educação é essencial para o desenvolvimento do país, mas quando os professores fazem greve para reivindicar condições de trabalho e salário justos, são ignorados e a sociedade acaba também corroborando com isso. Em São Paulo, isso é pior ainda, pois com esse conluio entre a grande imprensa paulista e o governo estadual compromete também a informação que chega, muitas vezes distorcida, a população. Mesmo depois que Dilma, no discurso de posse, lançou o lema de “pátria educadora”, a mídia sabe que não dá pra jogar toda a situação ruim da educação nas costas dela, embora tentem de tudo. Assim, parece que a situação da educação, principalmente no estado de São Paulo, é invisível.

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25.3.13

Uma tragédia na educação e mais um engodo do governo estadual paulista


A assessoria do governo do estado de São Paulo respondeu uma carta crítica de um professor de filosofia que saiu no Jornal de Piracicaba (JP), sobre o fim do ensino das disciplinas de história, geografia e ciências nos anos iniciais do ensino fundamental de escolas de tempo integral. O governo tergiversou sobre o assunto e disse que o foco nesses anos é com a alfabetização e que essas disciplinas serão "aprofundadas" em oficinas. Eu já trabalhei em escola de tempo integral estadual e é simplesmente uma escola sem estrutura que deixa os alunos 8 horas por lá com os professores tendo que se virar com o que podem. Essas escolas teriam que ter reformas estruturais que acolham os estudantes o dia todo como por exemplo, banheiros com vestiários e bastante material de apoio. Só que isso não ocorre, pois a verba geralmente é escassa e a escola fica sob a própria sorte mesmo. Supervisores de ensino geralmente só vão lá para cobrar e nada mais, pois não sabem, ou se esqueceram, qual é a realidade de uma sala de aula. 

Política Salarial? Reajuste?

Agora,com relação à resposta do governo estadual paulista sobre a tal Política Salarial para a Educação é preciso fazer algumas considerações. Como sempre, o governo tenta ludibriar os leitores mais incautos quando diz que há um “aumento” escalonado de 42,25% em 4 anos no vencimento base dos professores. O que não diz é que nele está incluída a incorporação das gratificações que somam R$ 92. Com isso, o percentual do reajuste é de 35,5%. Também não leva em consideração a inflação, que segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado, somará 22% até 2014. Portanto haverá um “aumento” real de 13% que recupera somente cerca de um terço das perdas salariais dos professores desde 1998. Mesmo assim é um reajuste pífio por ser o estado mais rico da nação. O final da carta da assessoria do governo parece piada, pois diz que quer tornar mais atrativa a carreira de professor no estado. Quem está na rede ensino sabe que isso é ridículo, pois está diminuindo o número de professores. Esta diminuição está ligada as iniciativas arbitrárias deste governo em ter separado os professores temporários em categorias e ter lhes retirado direitos. Os docentes da categoria O, que em geral são os que estão começando, são os mais prejudicados, pois vivem sob coação de perder as aulas e ter que ficar 200 dias sem lecionar. Pior é que agora os recém-contratados tem pagar pra fazer exames médicos, que antes era o próprio estado que fazia, para ingressar na rede. Assim que a secretaria da educação quer atrair os melhores profissionais? 

Violência e Tragédia

A violência que não só professores, mas muitos diretores, coordenadores e funcionários sofrem, também é pouco divulgado e minimizado pelo governo. Na segunda-feira (11/03/2013), uma professora (que é a da foto abaixo) da rede estadual de Itirapina (aqui perto de Piracicaba mesmo) foi morta dentro da escola a facadas por um aluno do supletivo. O motivo para o assassinato dessa colega de profissão não foi divulgado ainda. Isso era para ser um escândalo nacional e suscitar uma discussão ampla sobre a violência de alunos contra os profissionais da educação no país. A secretaria da educação soltou uma nota lamentando o incidente e só. Agora, cade a grande imprensa para escandalizar algo que realmente é uma tragédia ? Cadê o governador Geraldo Alckmin, o qual deveria vir a público para não só lamentar o fato, mas de exigir providências? Nessa questão entra um pouco a questão político-partidária da grande imprensa brasileira, principalmente a paulista, a qual é favorável ao governo tucano e por isso não o critica e nem o fustiga sobre um tema que é tão falado em época de eleição. 

Há 18 anos no poder, o PSDB paulista ainda não entendeu a real situação da educação no estado de São Paulo, principalmente dos professores. Assim continua com uma política de desvalorização e precarização da profissão que é essencial para o desenvolvimento do país. A todos os níveis de governo esse tema tem que ser cobrado sempre e mais ainda exigir providências dos mesmos em relação a episódios graves de violência no ambiente escolar, como o da professora de Itirapina.


Termino esse texto com meus sinceros sentimentos em relação a colega de profissão, a professora Simone Lima, que perdeu a vida injustamente. Uma tragédia sem precedentes não só para amigos e familiares dela, mas para toda a nação brasileira.

OBS: abaixo está a minha carta, publicada no JP, respondendo a assessoria do governo do estado paulista sobre os salários dos professores.


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